Cândida Oliveira
candidaoliveira@jornaldodiase.com.br
O dia de Nossa Senhora da Imaculada Conceição, padroeira de Aracaju e de outras seis cidades sergipanas, é comemorado hoje, 8 de dezembro. A data será marcada por muitas celebrações em Aracaju. A santa também tem matriz africana e é sincretizada na Umbanda e no Candomblé como Oxum, a orixá das águas doces, da beleza e da fertilidade. Na Igreja Católica, ela recebeu este título após a Virgem Maria confirmar para Santa Bernadette que era a Imaculada Conceição, quando apareceu para ela em Lourdes, na França, em 1858. Em 1304, o Papa Bento XI reuniu, na Universidade de Paris, uma assembleia para terminar as questões de escola sobre a Imaculada Conceição da Virgem.
Os fiéis preparam homenagens à santa na Catedral Metropolitana, que tem o nome de Paróquia Nossa Senhora da Conceição. Lá, os festejos começam nas primeiras horas da manhã. Às 6h, haverá Alvorada Festiva. Às 6h15, oficio de Nossa Senhora da Conceição. Às 7h, terá a Missa dos Devotos, com celebração do bispo auxiliar de Aracaju, Dom Henrique Soares da Costa.
Já às 09h30, a Missa Solene será celebrada pelo arcebispo metropolitano Dom José Palmeira Lessa. Após a missa, representantes do candomblé participam da lavagem das escadarias da Catedral Metropolitana de Aracaju, marcando assim, o sincretismo religioso entre o catolicismo e as religiões africanas – o ato é chamado pela Igreja Católica como "Diálogo Interconfessional".
No período da tarde, às 15h, os festejos são retomados com a apresentação da Orquestra Sinfônica Cotinguiba e às 16h30, acontece a procissão, a Santa Missa e a Benção do Santíssimo Sacramento, com saída da Catedral Metropolitana, na praça Olímpio Campos e cortejo pelas principais ruas do Centro da cidade.
Cortejo afro – Pelo oitavo ano consecutivo, o bloco Afoxé Omó Oxum realiza no dia de Nossa Senhora da Conceição, às 19h de hoje, na Orla de Atalaia (zona sul), o cortejo em louvor a Oxum. O evento, organizado pelo Abaçá São Jorge, é uma verdadeira celebração à pluralidade e ao sincretismo religioso. Este ano, 4 mil mulheres participarão do bloco, que será conduzido pela banda baiana Kirybamba.
A ocasião também será de reivindicações. As mulheres reivindicarão o direito constitucional de civilização do Estado e o direito à liberdade religiosa, no contexto dos mitos tradicionais das comunidades de terreiros.
Outro objetivo do cortejo é diminuir o preconceito contra as mulheres negras e a religião africana. Foi confirmada a presença de Organizações Não Governamentais (ONGs) que lutam pelos direitos femininos e de igualdade racial. Além deles, são esperados representantes de diversos terreiros de Umbanda e Candomblé do interior do Estado.
Composto somente por mulheres, o Omó Oxum tem por principio o debate voltado às questões de gênero centradas na essência feminina, como forma de valorizar, defender, acolher e proteger mães, mulheres e adolescentes, mostrando o poder da mulher no processo da origem da vida e na manutenção do equilíbrio e da beleza na dimensão social.
Este ano, o tema do cortejo é "Não calem nossos tambores ancestrais", o qual argumenta que "o que culturalmente é diferente de nós, em nada nos empobrece, ao contrário, somente nos enriquece". A idéia é dar maior visibilidade às questões de gênero e valorizar as tradições ancestrais africanas. O Afoxé Omó Oxum foi o primeiro bloco de afoxé do Estado e surgiu da iniciativa da ialorixá mãe Marizete Lessa.
Sincretismo religioso – Segundo a tradição africana, Oxum é a segunda mulher de Xangô. A ela, pertence o ventre da mulher, e é por isso que esse orixá feminino controla a fecundidade, sendo profundamente ligado às crianças. Dona das águas doces, Oxum gosta de usar colares, jóias, espelhos, perfumes e assim é considerada a deusa da beleza, da riqueza e da prosperidade. Os fiéis buscam nela auxílio para a solução de problemas na vida financeira e também no amor, uma vez que Oxum é responsável pelas uniões amorosas.


