Kátia Azevedo
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As fortes chuvas da madrugada de sexta-feira provocaram danos materiais causados por deslizamentos de terra e desabamento de um muro em dois bairros da zona norte. Muitos aracajuanos amanheceram o dia com as casas e ruas alagadas.
No bairro Cidade Nova, a força da água derrubou um muro e invadiu cinco residências de uma vila alcançando uma altura de um metro. O fato aconteceu por volta das 3h30. Os moradores acordaram assustados. Foi preciso seis pessoas para abrir o portão que dava acesso às casas.
"O jeito foi serrar a fechadura que havia emperrado", conta o morador José Adriano Siqueira. Maria Virgínia Santos relatou assustada, a madrugada tensa. "Um vizinho começou a gritar para avisar aos outros que estavam dormindo. Ficamos desesperados. Não conseguimos abrir o portão de casa, pois acabou travando. Quando conseguimos, as pessoas saíram correndo com medo de morrer", conta.
No dia seguinte, as famílias tentavam recuperar alguns móveis que flutuavam na água. "Perdemos quase tudo", lamenta a dona de casa. Segundo contam os moradores, o acúmulo de água em uma construção no fundo das residências teria provocado o alagamento.
Em uma das residências, o portão da casa amassou com a força da água e uma máquina de lavar que estava no quintal foi arremessada para residência vizinha. Os moradores acionaram o Corpo de Bombeiros e a Defesa Civil.
Ao lado da vila, a casa de um casal de idosos ficou totalmente devastada. No momento do desabamento, o imóvel estava vazio. Segundo relatos de moradores, o muro e a estrutura da casa estavam inseguros desde o inicio de uma obra no terreno ao lado, mas de acordo com operários da construtora, a água que desceu é da barragem que não pertence a empresa. Eles informaram também que serão feitos reparos provisórios.
O coordenador da Defesa Civil Municipal, Reginaldo Moura, informou que uma equipe esteve no local para análise das casas e que os moradores não precisarão deixar as residências, pois não há risco de desabamento. Uma nova contenção para o muro terá que ser feita.
Ele afirmou que recebeu a ocorrência depois de equipes já terem saído para atender outro caso. "Vamos analisar através de um relatório as denúncias dos moradores sobre a participação da construtora no desabamento para averiguarmos as causas", informou Reginaldo Moura.
Outras áreas – A Defesa Civil Municipal registrou alagamentos de imóveis e ameaças de desabamentos em outras áreas da capital. O órgão está monitorando as regiões que apresentam maiores riscos.
"Estamos atentos às ocorrências. Aproveitamos ainda para dar orientações aos moradores sobre como evitar os deslizamentos, fazendo contenções das encostas", disse Reginaldo Moura.
A Defesa Civil também atendeu ocorrências no bairro Industrial, Soledade, e um outro caso no bairro Cidade Nova. Todos com situações de alagamento e risco de desabamento. Em alguns casos, o órgão orientou a evacuação do local.
No bairro Santo Antônio, também na zona norte, um deslizamento de terra atingiu os fundos de uma casa. Por pouco, a lama não derrubou a residência de um idoso, que acordou assustado com o barulho. O morador contou que o deslizamento ocorreu por volta das 2h.
As comunidades que residem em áreas de encostas na capital sergipana foram as mais atingidas pelo grande volume de água, evidenciando o risco de deslizamento em vários locais. As famílias que moram perto de morros estão sendo monitoradas por equipes da Defesa Civil Municipal.
Na casa de uma moradora do bairro Industrial, a família ficou acordada com receio de acidentes. "Ficamos em alerta, com medo das paredes não aguentarem. Queremos permanecer na nossa casa com segurança", disse Tereza Cristina Santos Paixão, que reside na rua Curitiba.
A casa dela fica próxima a um muro que pode desabar a qualquer momento. Segundo os moradores, a Defesa Civil esteve no local anteriormente. "Durante seis meses muitas famílias tiveram que sair do local, mas o problema nunca foi resolvido", informou a moradora.
Na avenida Euclides Figueiredo, no bairro Porto Dantas, muitas famílias passaram o inicio da manhã retirando água e lama dos móveis. Água da pista invadiu as casas e pegou os moradores desprevenidos.
"Todo o mês de maio é assim. Já aterrei um metro para tentar impedir que a água entre, mas não tem jeito", diz um comerciante.
No conjunto Almirante Tamandaré, no bairro Santos Dumont, a grande quantidade de água cobriu móveis, danificou paredes e provocou muita lama e barro em várias residências.
Ontem logo cedo o que se viu nas ruas foram pessoas tentando escoar as águas que ainda se concentravam em frente às casas. Na Travessa 16 de Novembro, também no Almirante Tamandaré, famílias chegaram a ficar desabrigadas na madrugada. "Muitas pessoas tiveram que buscar abrigo nas casas de vizinhos", conta a moradora Márcia Regina de Carvalho Santos.


