Chuvas e protesto fecham a Euclides

Milton Alves Júnior
miltonalvesjunior@jornaldodiase.com.br

Moradores e comerci-antes da avenida Eu-clides Figueiredo, em Aracaju, realizaram na tarde de ontem um ato contra a constante falta de manutenção na estrutura viária da região. Cansada com a série de impasses e prejuízos contabilizados ao longo dos últimos anos, em especial nos dias de chuva, a população bloqueou parte da via com o auxílio de carcaças de automóveis, além de pedaços de madeira a fim de chamar a atenção da Prefeitura de Aracaju para os problemas enfrentados.

Sem rede eficiente para filtrar a água da chuva, as residências e pontos comerciais ficam inundadas e resultando prejuízos para a comunidade. Paralelo ao efeito da natureza, os buracos existentes na avenida contribuem para danificar os automóveis e gerar incômodos para os condutores.
Entre os protestantes estava o comerciante Edson Filho, que possui uma empresa de ferro velho na localidade. Segundo o micro empresário, a Prefeitura de Aracaju, por meio da Empresa Municipal de Obras e Urbanização (Emurb), possui total conhecimento do problema, mas não tem atuado com eficiência em busca de solucionar a situação. Edson alega que uma comissão de moradores já buscou dialogar com alguns vereadores com o propósito de pressionar o prefeito e os assessores para tentar resolver o pleito popular, mas até o início da tarde de ontem nenhum avanço foi avaliado pela população.

"Estamos de saco cheio de tanta falta de políticas públicas aqui na região. Já pedimos o apoio até dos vereadores; eu mesmo vi alguns relatando nosso problema, mas até agora o que vocês podem perceber é uma bagunça sem fim. Como no Brasil as coisas só começam a funcionar quando dói no bolso ou fazemos paralisações, o jeito foi invadir a pista e tentar chamar a atenção do prefeito", afirmou.
Cerca de 30 pessoas participaram da mobilização. Para tentar minimizar os efeitos do ato, agentes da Superintendência Municipal de Transporte e Trânsito (SMTT) foram encaminhados para o local. Agentes da Guarda Municipal e Polícia Militar acompanharam de longe a manifestação a fim de inibir depredações ao patrimônio público.
"Aqui ninguém tem o interesse de quebrar nada não. Podem botar até o exército do nosso lado. O que queremos apenas é lutar pelos nossos direitos porque pagamos muito alto, um verdadeiro absurdo com o IPTU e o que vemos é uma situação cada vez pior. Estamos indignados com tudo isso e tenho certeza que a maioria dessas pessoas que estão presas no trânsito está apoiando a nossa causa, mesmo com engarrafamento. Prefeito, nós cansamos de esperar", pontuou Edson Filho, que foi apoiado pela vizinha, e também comerciante, Aldaci Moraes.

Costureira há mais de 20 anos, ela disse já ter perdido as contas de quantas vezes amargurou prejuízos devido à invasão de água dentro da respectiva residência. "Eu apoio porque também já fui prejudicada e muito. O pior disso tudo é que antes pelo menos vinham aqui limpar a rua depois da enchente e tapar os buracos, hoje nem isso fazem. Aqui está tudo alagado e meu medo é que com a continuidade da chuva o nível da água suba e invada novamente minha casa. Perder costuras encomendadas novamente seria um prejuízo muito grande para quem vive momentos difíceis nessa economia brasileira", destacou.
Pela administração municipal foi informado que o pleito dos moradores já consta no cadastro operacional das empresas responsáveis pelo serviço de manutenção e que nos próximos dias análises devem ser realizadas na região. Essa vistoria serve para elaborar projetos eficazes para solucionar os problemas e atender a demanda dos moradores.

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