Milton Alves Júnior
Foram sepultados na tarde de ontem os corpos de duas pessoas vítimas da tempestade que atingiu o município de Simão Dias, na região Centro Sul Sergipano. Estudos científicos realizados pela Superintendência da Polícia Civil indicam que os dois homens – identificados como Nivaldo de Jesus Rodrigues, de 60 anos, e o agricultor Domingos Ribeiro dos Santos, 77 -, ocupavam um veículo que estava na beira de um riacho no povoado Jacaré, quando foi levado pela enxurrada provocada pelo alto volume de chuva. Um terceiro ocupante do automóvel conseguiu soltar o cinto de segurança e deixar o carro antes de ser arrastado. Todos retornavam de um passeio quando foram surpreendidos com os efeitos da natureza.
De acordo com a Secretaria de Estado da Saúde (SES), infelizmente, estes não foram os únicos registros de óbito provocados neste final de semana pelo mau tempo. Uma terceira vítima fatal também foi registrada na cidade de Simão Dias. Identificado como Roberto Martins de Aguiar, de 41 anos, o paciente morreu na manhã de ontem em um hospital de Aracaju. Pela SES foi destacado que a vítima foi socorrida depois da moto que conduzia bater contra um coqueiro, a qual havia sido atingido por um fio de alta tensão. Um levantamento realizado pela Defesa Civil revelou que em 24 horas, dez municípios registraram volumes de chuva elevados, sendo oito deles, acima de 60 milímetros. Os maiores acumulados foram em Capela, Carmópolis e Japaratuba.
As fortes rajadas de vento e pancadas contínuas de chuva atingiram ainda os municípios de Campo do Brito, Laranjeiras, Itabaiana, São Cristóvão, Itaporanga d’Ajuda, Lagarto, Capela, Nossa Senhora do Socorro e Barra dos Coqueiros. Foram registrados múltiplos pontos de alagamento e o transbordamento de canais, especialmente na Zona Norte da capital. Pela Prefeitura de Aracaju foi informado que a maior volume foi registrado no bairro Lamarão, onde choveu 60 milímetros em apenas uma hora; a situação mais crítica foi observada na Avenida Benjamin Constant, no bairro Santos Dumont, onde o excesso de água comprometeu o escoamento e gerou transtornos momentâneos.
Foi destacado pela coordenadora-geral da Defesa Civil Municipal, Valéria Bispo, que materiais descartados nas vias públicas contribuíram diretamente para obstruir bocas de lobo, sarjetas e galerias, dificultando a drenagem da água da chuva. Pela administração municipal foi enaltecido ainda que o Comitê Operacional (COA), formado por diversos órgãos municipais, segue monitorando a cidade e mantendo equipes em campo para avaliar áreas de risco e prestar suporte às regiões afetadas. “Nós fizemos trabalhos de mitigação e agora estamos com bocas de lobo, sarjetas e galerias entupidas por conta do descarte irregular, dificultando o escoamento dessa quantidade de água da chuva”, explicou Valéria Bispo.

