Ciganos dão prejuízo de R$ 2 milhões ao INSS

Milton Alves Júnior
miltonalvesjunior@jornaldodiase.com.br

A Polícia Federal desarticulou na manhã de ontem um esquema de fraudes contra a Previdência Social que era investigado pelo setor de inteligência da corporação. Intitulada ‘Operação Gipsy Bandit’, foram cumpridos dez mandados de busca e mais 12 de prisão preventiva que foram remetidos pela Vara da Justiça Federal do município de Teófilo Otoni, Estado de Minas Gerais. Das 22 ordens judiciais atribuídas à Polícia Federal, dez logradouros eram no município de Lagarto/SE, e os demais do Estado da Bahia. A quadrilha liderada por uma família de ciganos era investigada desde 2012 e conforme cálculos parciais do poder judiciário cerca de R$ 250 mil eram subtraídos todos os meses de benefícios de amparo social ao idoso junto ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Estima-se que ao todo R$ 2 milhões foram roubados.

A investigação foi iniciada há pouco menos de dois anos após agentes da Polícia Rodoviária ter abordado e apreendido um veículo que transitava com atitudes suspeitas em rodovias federais do Estado de Mato Grosso do Sul. Ao interrogar o condutor do automóvel e realizar breve vistoria os policiais encontraram mais de cem documentos falsos. O suspeito foi encaminhado para um departamento federal de Belo Horizonte onde foi submetido a uma serie de depoimentos. Segundo estudos operacionais, a organização criminosa possuía de forma amplamente detalhada uma divisão de tarefas para a concretização dos crimes previdenciários articulados e promovidos especialmente no eixo Sergipe – Bahia.

De acordo com os delegados responsáveis pelas investigações e prisões, a ação criminosa em Sergipe ocorria da seguinte maneira: O líder (cigano) de cada operação seguia até um cartório devidamente acompanhado de uma pessoa que supostamente não possuía registro e saíam de lá com o documento. Em seguida o bando tirava todos os documentos necessários e inscreviam as pessoas inexistentes como beneficiários do INSS. Outro fato inusitado registrado pelo poder judiciário é que dos 22 mandados de prisão, oito foram designados a pessoas de uma mesma família. Na ocasião foi preso o líder do grupo, seus quatro irmãos, a esposa, o pai e a mãe. Em decorrência de o processo continuar sendo investigado, nenhum nome foi revelado.

Outra surpresa identificada pela corporação federal é que após a família ter sido detida, foi constatado que a mãe do líder do grupo, que no primeiro momento informou ter mais de 70 anos, estava em posse de 14 identidades diferentes que recebiam o benefício. A Assessoria de Comunicação (Ascom) da PF/SE informou que na Operação Gipsy Bandit 50 policiais foram designados para cumprir as ordens de prisão e apreensão. Após a detenção do último acusado, dois presos foram encaminhados para uma unidade penitenciária na capital baiana, Salvador. Os demais foram ‘divididos’ em penitenciárias aqui de Sergipe. A partir de agora a perspectiva da Polícia Federal é ouvir todos os envolvidos em um prazo de 30 dias úteis, para em seguida iniciar, ou não, o julgamento dos envolvidos.
 "Eles atuavam aqui em Sergipe há cerca de quatro meses e nesse curto período conseguiram comprar dois veículos de luxo no valor de 150 mil reais de forma a vista. Nossa atuação foi positiva e conseguimos prender todas as pessoas indicadas pela justiça brasileira", afirmou o delegado André Borges. Com os acusados foram apreendidos sete carros.

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