Eram exatamente 21h38 dessa terça- feira (06), quando um servidor da Câmara de Vereadores de Aracaju enviou e-mail a todos os parlamentares informando que não haveria a 8ª sessão ordinária nem audiência pública nesta quarta, 7, devido ao falecimento do esposo de uma funcionária da casa legislativa. Mas a sessão aconteceu. Entendendo a urgência da instauração das CPIs do Lixo e da Saúde, os vereadores Lucas Aribé (PSB), Américo de Deus e Kitty Lima (Rede), Emília Correia (Patriota) e Cabo Amintas (PTB) compareceram ao plenário e cumpriram todo o procedimento regimental.
As presenças foram registradas em ata, devido à ausência de servidores para ligar o painel eletrônico. Para esses vereadores, com isso o prazo para a mesa diretora da Câmara instaurar as comissões parlamentares de inquérito – definido pelo presidente Nitinho Vitale (PSD) – continua mantido até a próxima terça-feira (13).
"Abrimos a sessão entendendo o momento de dor, de pesar, mas não poderíamos nos furtar da nossa responsabilidade perante o povo de Aracaju. A nossa função aqui é representar a população neste momento tão importante. São três sessões ordinárias para instaurar as CPIs, além disso temos proposituras para serem votadas. Portanto, nos consternamos com a dor da perda da servidora, mas não fugimos ao nosso compromisso", afirma o vereador Américo de Deus, que presidiu a sessão.
O vereador Cabo Amintas, líder da oposição na Câmara, foi o primeiro secretário. Para ele, alguns colegas parlamentares se ausentaram como estratégia para adiar o andamento das comissões parlamentares de inquérito. "Considero uma falta de respeito para com a família da servidora se utilizar de um momento de dor para não comparecer ao plenário e protelar a instauração das CPIs. Todos nós, que estamos aqui, fomos ao velório, demos um abraço na querida servidora, na família, continuaremos acompanhando este momento triste, mas querer chamar o povo de Aracaju de besta, isso não vamos admitir. Viemos, abrimos e encerramos a sessão, o que é legal, de acordo com o regimento da casa", diz.
"Independentemente do momento de dor, que é inquestionável e todos nós sentimos como seres humanos que somos, existe um dever a cumprir e do qual não podemos abrir mão, pois temos uma prestação de contas a fazer ao povo de Aracaju, somos pagos para isso. O pesar da Câmara poderia estar sendo representado por uma comissão de parlamentares, mas não realizar a sessão seria um desrespeito à população", avalia a vereadora Emília Correia.


