Milton Alves Júnior
Na Fundação de Beneficência Hospital de Cirurgia, as cirurgias continuam suspensas. Com cerca de 80% dos prontuários destinados a pacientes oriundos da rede municipal de saúde, a unidade filantrópica decidiu no início da manhã de ontem suspender parte dos procedimentos cirúrgicos em virtude de a Prefeitura de Aracaju não efetuar o pagamento de mais de R$ 3,3 milhões, referentes a parcelas que deveriam ter sido quitadas ainda no mês de agosto. Assim como ocorre ao longo dos últimos quatro anos, o impasse segue prejudicando centenas de pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS), em virtude da irregularidade financeira protagonizado pelo serviço público junto ao HC.
Esse montante, conforme destaca a direção do hospital, também é de responsabilidade do Governo do Estado, porém, em menor escala. Isso em nada, ou quase nada, diminui a inadimplência da administração municipal; o fato ocorre em virtude de a própria PMA possuir um débito histórico, ainda aberto desde novembro do ano passado no valor de R$ 550 mil. Com o anúncio da paralisação, de imediato gestores municipais buscaram a direção do Hospital de Cirurgia para tentar entrar em acordo e permitir que o sistema fosse normalizado. Sem sucesso. Já no período da tarde as tratativas começaram a indicar avanços com parte do repasse financeiro.
De acordo com o setor de contabilidade da fundação, a Prefeitura de Aracaju conseguiu promover um pagamento orçado na casa dos R$ 2,5 milhões, os quais se referem a um contrato federal e que tem setembro como mês de quitação. Ainda no período da tarde foi paga a parcela estadual referente a agosto a qual gira em torno de um milhão de reais. O problema é que seguem abertas as parcelas municipais referentes aos meses de agosto de 2017 e ao de novembro do ano passado. Juntas, essa pendência econômica contabiliza mais de R$ 1 milhão. Enquanto isso apenas as cirurgias consideradas emergenciais estão sendo ofertadas. As demais serão reagendadas conforme disponibilidade do Hospital de Cirurgia e dos próprios pacientes.
Sobre o problema, por meio de comunicado oficial a direção da Cooperativa dos Anestesiologistas (Coopanest) alegou que: “a paralisação dos médicos anestesistas é em decorrência do atraso no pagamento do parcelamento dos passivos e dos salários correntes. A diretoria do hospital alegou que, até terça-feira (12), não recebeu nenhum repasse dos recursos da Secretaria Municipal de Saúde, fato que impossibilita honrar com os compromissos com a Cooperativa e outros prestadores de serviços”.

