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COLHEITAS FARTAS E INCERTEZAS TAMBÉM [I]


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Publicado em 06 de abril de 2024
Por Jornal Do Dia Se


* Pedro Abel Vieira e Manoel Moacir Costa Macêdo

Nas últimas décadas, a agricultura brasileira tem sido responsável pelo aumento do Produto Interno Brasileiro – PIB. Crescimento expresso em indicadores lineares. Na trajetória esperada pela teoria econômica clássica, a produção agrícola concentrou ou seus ganhos em seletivos grãos e carnes. As commodities soja, milho, algodão e carnes concentraram a grandeza da colheita da agropecuária nacional. Realidade marcada pelo amparo do Estado com políticas de pesquisa, assistência técnica, crédito e subsídios à exportação.
A fruticultura tropical, com dificuldades, prospecta algum destaque, mas com limitações, advinda em maior monta do perímetro irrigado do Vale de São Francisco, com externalidades ambientais, a exemplo de secas e estiagens. Outros produtos, com o leite, estão longe de louvores. A agricultura familiar, mantém a sua estratégia de produção de alimentos ao consumo interno, maximizando os cuidados ambientais, o uso da terra e do trabalho.
Após anos de demanda global aquecida, seja pela procura asiática, seja pela pandemia, os preços agrícolas internacionais dos grãos retomam à normalidade. Estimativas mostram que o aquecimento do passado, não retornará no curto prazo. As razões são diversas, e algumas merecem atenção. As safras de soja e milho nos Estado Unidos sugerem a recomposição dos estoques em baixa. O aumento na produção de grãos na Argentina deve compensar a redução da safra brasileira. Apesar das contingências da guerra entre Rússia e Ucrânia, o comercio de grãos no mar Negro continua inalterado, por esses expressivos exportadores agrícolas no mercado global.
Os sinais emitidos para o futuro, são de arrefecimento na demanda global. No plano interno, o cenário, não é de estabilidade, mas de ameaças. Chuvas e estiagens prometem reduzir a colheita brasileira. De uma lado, pelos efeitos climáticos extremos do El Ninona produção agrícola brasileira. Do outro, como demonstra o World Weather Attribution, a seca histórica ocorrida na Amazônia em 2023 não é consequência apenas do El Nino, mas, da conjugação dos seus efeitos com o aquecimento do Oceano Atlântico, decorrente do aquecimento global, a exemplo do derretimento das calotas polares. Uma face visível das mudanças climáticas.
Estão postas, as possíveis incertezas à repetição de lucros extraordinários da produção agrícola brasileira. O tempo de bonança está sob prova. Cenários de oportunidade nos investimentos alocados na produção e de ameaças nos investimentos no consumo conspícuo. Evidências não faltam.
Os estados mais ricos no Brasil, os especializados na produção de commodities agrícolas, tiveram ganhos de renda nos últimos anos. No topo, o estado do Mato Grosso do Sul, onde a renda dos mais ricos aumentou 130% acima da inflação entre 2017 a 2022. O consumo dos super-ricos atraiu empreendimentos e serviços no mercado de luxo. Condomínios residenciais com estrutura de lazer, apartamentos valiosos e um boom de demanda na aviação executiva, são alguns exemplos.
O esperado é que os ganhos sejam repetidos nos anos seguintes, pari passu os cuidados ambientais e a distribuição de riqueza

* Pedro Abel Vieira e Manoel Moacir Costa Macêdo, são engenheiros agrônomos.

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