Terça, 16 De Agosto De 2022
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A arte do encontro


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Publicado em 21 de setembro de 2021
Por Jornal Do Dia


Propósito de comunhão

 

Rian Santos
Há quem faça pouco 
caso do composi
tor e o imagine enclausurado entre quatro paredes, as costas curvadas sobre o próprio instrumento, alheio aos acontecimentos do mundo, amargo, feito um louco numa torre de marfim. Estes nunca tiveram a sorte deconversar com Fred Andrade. Embora passe a maior parte do tempo à cata de melodias,Fred não reivindica qualidades especiais, como se fosse íntimo das musas. Toda a sua extensa obra consiste justamente num esforço extraordinário de comunicação.
Fred é um compositor compulsivo, capaz de dedicar noites inteiras a uma ideia em vias de virar canção. Além de toda a felicidade e da angústia sofrida no encalço do mistério, contudo, há ainda a conjunção indispensável com o outro- músicos e ouvintes. ‘Distantes’, álbum recém lançado, escancara o propósito de comunhão.
No registro, ao longo de doze faixas, sempre com a participação de um convidado especial – gentedos quatro cantos, amigos conquistados durante uma jornada de muitos encontros – eu vislumbro o mesmo guitarrista que recebi à mesa de minha casa, certa vez,em companhia do sete cordas Ricardo Vieira. Os dois mal tocaram no vinho, passaram horas inteiras às voltas com arpejos, contando histórias com a ponta dos dedos. Entre um número e outro, Fred ainda fez todo mundo rachar de rir, às gargalhadas, um especialista na subestimada arte de contar lorotas.
É assim, sem qualquer nota de afetação, que a música de Fred soa, simples e bela, direta, clara, verdadeira, terna, amigável, a lembrança de uma conversafranca compartilhada em uma noite feliz.

Rian Santos

Há quem faça pouco  caso do composi tor e o imagine enclausurado entre quatro paredes, as costas curvadas sobre o próprio instrumento, alheio aos acontecimentos do mundo, amargo, feito um louco numa torre de marfim. Estes nunca tiveram a sorte deconversar com Fred Andrade. Embora passe a maior parte do tempo à cata de melodias,Fred não reivindica qualidades especiais, como se fosse íntimo das musas. Toda a sua extensa obra consiste justamente num esforço extraordinário de comunicação.
Fred é um compositor compulsivo, capaz de dedicar noites inteiras a uma ideia em vias de virar canção. Além de toda a felicidade e da angústia sofrida no encalço do mistério, contudo, há ainda a conjunção indispensável com o outro- músicos e ouvintes. ‘Distantes’, álbum recém lançado, escancara o propósito de comunhão.
No registro, ao longo de doze faixas, sempre com a participação de um convidado especial – gentedos quatro cantos, amigos conquistados durante uma jornada de muitos encontros – eu vislumbro o mesmo guitarrista que recebi à mesa de minha casa, certa vez,em companhia do sete cordas Ricardo Vieira. Os dois mal tocaram no vinho, passaram horas inteiras às voltas com arpejos, contando histórias com a ponta dos dedos. Entre um número e outro, Fred ainda fez todo mundo rachar de rir, às gargalhadas, um especialista na subestimada arte de contar lorotas.
É assim, sem qualquer nota de afetação, que a música de Fred soa, simples e bela, direta, clara, verdadeira, terna, amigável, a lembrança de uma conversafranca compartilhada em uma noite feliz.

 

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