Quinta, 26 De Maio De 2022
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Corpos vivos


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Publicado em 02 de fevereiro de 2021
Por Jornal Do Dia


 

Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br
Ninguém em sã cons
ciência é capaz de 
apostar um tostão furado no futuro da humanidade. A realidade berra, fala alto, deu as costas para as palavras bonitas do padre, desdenha da fé alegada pelo pastor. Sinais do tempo presente. O Cinema realizado aqui e agora projeta a descrença generalizada no devir.
Este, ao menos, é o caso de ‘Abjetas 288’, curta-metragem de Julia Costa e Renata Mourão, premiado na Mostra Tiradentes. Duas mulheres perambulam por uma Aracaju de feição estranhamente familiar, em busca de um Éden imobiliário. Ninguém sabe ao certo onde o condomínio de sonhos fica. Mas a propaganda veiculada por televisão, onipresente, adverte que o ingresso só é permitido aos eleitos do Capital, após uma vida inteira de muito trabalho e economias embaixo do colchão.
O maior feito do filme está na criação de uma atmosfera distópica por força de recursos quase ordinários de tão simples. Figurinos, cenografia, a trilha sonora original, montagem e enquadramentos investem em um futurismo de precariedade explícita. A pegada underground prescinde do glamour decadente das superproduções. Tudo é feito na unha, por assim dizer. E é projetado na tela com vigor impressionante.
Em conversa com o Jornal do Dia, a diretora Julia Costa discorda deste jornalista que vos escreve. Para ela, o cansaço das protagonistas transborda em insurreição. 
"Elas avisam que "um dia não vão saber quem os atingiu". O momento de virada ainda não chegou, mas está por vir. E é isso que queremos passar para as pessoas. A gente vive nessa cidade, a gente vive essa cidade, temos controle sobre as nossas vidas e com tudo que a gente passa ainda soltamos uma faísca de esperança, de uma revolta contida que precisa ser liberada". 
De fato… Mas, à parte a potência estética do Curta, a ameaça não mete medo nos donos do mundo. Triste consolo, murmuro cá com meus botões.

Rian Santos

Ninguém em sã cons ciência é capaz de  apostar um tostão furado no futuro da humanidade. A realidade berra, fala alto, deu as costas para as palavras bonitas do padre, desdenha da fé alegada pelo pastor. Sinais do tempo presente. O Cinema realizado aqui e agora projeta a descrença generalizada no devir.
Este, ao menos, é o caso de ‘Abjetas 288’, curta-metragem de Julia Costa e Renata Mourão, premiado na Mostra Tiradentes. Duas mulheres perambulam por uma Aracaju de feição estranhamente familiar, em busca de um Éden imobiliário. Ninguém sabe ao certo onde o condomínio de sonhos fica. Mas a propaganda veiculada por televisão, onipresente, adverte que o ingresso só é permitido aos eleitos do Capital, após uma vida inteira de muito trabalho e economias embaixo do colchão.
O maior feito do filme está na criação de uma atmosfera distópica por força de recursos quase ordinários de tão simples. Figurinos, cenografia, a trilha sonora original, montagem e enquadramentos investem em um futurismo de precariedade explícita. A pegada underground prescinde do glamour decadente das superproduções. Tudo é feito na unha, por assim dizer. E é projetado na tela com vigor impressionante.
Em conversa com o Jornal do Dia, a diretora Julia Costa discorda deste jornalista que vos escreve. Para ela, o cansaço das protagonistas transborda em insurreição. 
"Elas avisam que "um dia não vão saber quem os atingiu". O momento de virada ainda não chegou, mas está por vir. E é isso que queremos passar para as pessoas. A gente vive nessa cidade, a gente vive essa cidade, temos controle sobre as nossas vidas e com tudo que a gente passa ainda soltamos uma faísca de esperança, de uma revolta contida que precisa ser liberada". 
De fato… Mas, à parte a potência estética do Curta, a ameaça não mete medo nos donos do mundo. Triste consolo, murmuro cá com meus botões.

 

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