Quinta, 26 De Maio De 2022
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Em pleno verão


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Publicado em 11 de fevereiro de 2021
Por Jornal Do Dia


Na primeira oportunidade, o cronista vai à praia.

 

Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br
Último sábado fui à 
praia. Lá, entre ba-
nhistas de pouca roupa, vendedores ambulantes com vocação para o show business, jogadores de frescobol, ninguém dava bola para a pandemia. De vez em quando, a lembrança do vírus emergia na conversa, um assunto entre outros, inconveniente. Homens, mulheres e crianças em trajes de Adão e Eva, decidimos tapar o sol com a peneira. Estávamos na praia.
Fomos todos surpreendidos em pleno verão. Ano passado, a passagem dos dias perdeu sentido por força de um isolamento o mais prolongado. Agora, depois de meses trancados entre quatro paredes para o próprio bem e a saúde dos outros, nos demos conta do azul ardendo no céu. A sensação térmica é de 34º, à sombra. O marulho da Atalaia reverbera em todos os prédios da cidade, indiferente às convenções da arquitetura e da geografia.
Não se trata de negar o vírus, nem de ligar o foda-se – a tal desserviço, basta que se preste o presidente, um perverso, a face macabra de uma política genocida. Trata-se antes de reconhecer os próprios limites e estar entre os entes queridos, ver gente. Máscaras, o distanciamento possível no trato com as pessoas, uso abusivo do álcool em gel, além de muita água com sabão. Navegar é preciso. Viver, também.
Quando o vírus pegou o mundo inteiro de surpresa, arquei com a minha cota de sacrifícios, evitei até passear com as cachorras, neurótico, estive à beira da histeria. O poder público, ao contrário, se recusou a tomar as providências cabíveis. Deu no que deu. Hoje, auge da pandemia, quando mais de 230 mil brasileiros já foram mandados para a cova, eu confesso que entreguei os pontos, vencido pelo cansaço: Tudo tem limite. Na primeira oportunidade, eu vou à praia outra vez.

Rian Santos

Último sábado fui à  praia. Lá, entre ba- nhistas de pouca roupa, vendedores ambulantes com vocação para o show business, jogadores de frescobol, ninguém dava bola para a pandemia. De vez em quando, a lembrança do vírus emergia na conversa, um assunto entre outros, inconveniente. Homens, mulheres e crianças em trajes de Adão e Eva, decidimos tapar o sol com a peneira. Estávamos na praia.
Fomos todos surpreendidos em pleno verão. Ano passado, a passagem dos dias perdeu sentido por força de um isolamento o mais prolongado. Agora, depois de meses trancados entre quatro paredes para o próprio bem e a saúde dos outros, nos demos conta do azul ardendo no céu. A sensação térmica é de 34º, à sombra. O marulho da Atalaia reverbera em todos os prédios da cidade, indiferente às convenções da arquitetura e da geografia.
Não se trata de negar o vírus, nem de ligar o foda-se – a tal desserviço, basta que se preste o presidente, um perverso, a face macabra de uma política genocida. Trata-se antes de reconhecer os próprios limites e estar entre os entes queridos, ver gente. Máscaras, o distanciamento possível no trato com as pessoas, uso abusivo do álcool em gel, além de muita água com sabão. Navegar é preciso. Viver, também.
Quando o vírus pegou o mundo inteiro de surpresa, arquei com a minha cota de sacrifícios, evitei até passear com as cachorras, neurótico, estive à beira da histeria. O poder público, ao contrário, se recusou a tomar as providências cabíveis. Deu no que deu. Hoje, auge da pandemia, quando mais de 230 mil brasileiros já foram mandados para a cova, eu confesso que entreguei os pontos, vencido pelo cansaço: Tudo tem limite. Na primeira oportunidade, eu vou à praia outra vez.

 

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