Quarta, 29 De Junho De 2022
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No encalço de LEC


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Publicado em 09 de setembro de 2021
Por Jornal Do Dia


Todas as vírgulas no lugar

 

Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br
A palavra pode pou
co. Ante o arbítrio 
dos poderosos, contra o estampido do canhão, os papéis lançados aos quatro ventos na esperança vã de comunicar injustiças param quase sempre na sarjeta. Os homens escrevem, no entanto. Desde as cavernas, nos muros das cidades, em letra de imprensa.
O jornalista Luiz Eduardo Costa certamente não tem a pretensão absurda de fazer Justiça a golpes de pena, por assim dizer, não protesta lavar o sangue das iniquidades com as próprias mãos. Num breve período, quando ocupou as páginas centrais deste Jornal do Dia, contudo, serviu-me de exemplo. Todo domingo, chuva ou sol, o todo poderoso governador João Alves Filho podia contar com a vigilância incansável de seu mais elegante crítico.
Em português impecável, a defesa intransigente dos valores republicanos e democráticos tomava, então, a forma caudalosa de um registro ponderado. Nenhum gesto do governador, nenhuma declaração infeliz passava em brancas nuvens. LEC era minucioso. A sua coluna, dedicada ao escrutínio da vida pública local, permanecia atenta à rotina administrativa do estado e seus municípios. Para tanto, era capaz de encher duas páginas de alto a baixo, com todas as vírgulas no lugar. 
Somente um jornalista assim, incansável na perseguição da verdade por trás dos fatos, poderia trazer à luz os pormenores repugnantes do crime da Rua de Campos. ‘A casa lilás – Memórias de um crime’ (Edise) revolve os autos da investigação que sucedeu o assassinato do médico Carlos Firpo, na Aracaju dos anos 50. Mais do que fazer um relato macabro, entretanto, este clássico instantâneo do jornalismo literário Serigy se dispõe também às nuances políticas e sociais do episódio, se atém também ao ambiente e à paisagem acanhada da aldeia. Esta é, inclusive, a maior faceta do livro.
Recém lançado, ‘A casa lilás’ não passa de uma grande reportagem. A reparação histórica realizada ao longo de quase trezentas páginas não tem o condão de voltar no tempo, condenar, nem absolver ninguém. O autor, todavia, presta necessário tributo à memória da vida sergipana. Penso comigo, antes do ornamento, talvez esta seja a verdadeira matéria da grande Literatura e também do jornalismo.

Rian Santos

A palavra pode pou co. Ante o arbítrio  dos poderosos, contra o estampido do canhão, os papéis lançados aos quatro ventos na esperança vã de comunicar injustiças param quase sempre na sarjeta. Os homens escrevem, no entanto. Desde as cavernas, nos muros das cidades, em letra de imprensa.
O jornalista Luiz Eduardo Costa certamente não tem a pretensão absurda de fazer Justiça a golpes de pena, por assim dizer, não protesta lavar o sangue das iniquidades com as próprias mãos. Num breve período, quando ocupou as páginas centrais deste Jornal do Dia, contudo, serviu-me de exemplo. Todo domingo, chuva ou sol, o todo poderoso governador João Alves Filho podia contar com a vigilância incansável de seu mais elegante crítico.
Em português impecável, a defesa intransigente dos valores republicanos e democráticos tomava, então, a forma caudalosa de um registro ponderado. Nenhum gesto do governador, nenhuma declaração infeliz passava em brancas nuvens. LEC era minucioso. A sua coluna, dedicada ao escrutínio da vida pública local, permanecia atenta à rotina administrativa do estado e seus municípios. Para tanto, era capaz de encher duas páginas de alto a baixo, com todas as vírgulas no lugar. 
Somente um jornalista assim, incansável na perseguição da verdade por trás dos fatos, poderia trazer à luz os pormenores repugnantes do crime da Rua de Campos. ‘A casa lilás – Memórias de um crime’ (Edise) revolve os autos da investigação que sucedeu o assassinato do médico Carlos Firpo, na Aracaju dos anos 50. Mais do que fazer um relato macabro, entretanto, este clássico instantâneo do jornalismo literário Serigy se dispõe também às nuances políticas e sociais do episódio, se atém também ao ambiente e à paisagem acanhada da aldeia. Esta é, inclusive, a maior faceta do livro.
Recém lançado, ‘A casa lilás’ não passa de uma grande reportagem. A reparação histórica realizada ao longo de quase trezentas páginas não tem o condão de voltar no tempo, condenar, nem absolver ninguém. O autor, todavia, presta necessário tributo à memória da vida sergipana. Penso comigo, antes do ornamento, talvez esta seja a verdadeira matéria da grande Literatura e também do jornalismo.

 

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