Quarta, 29 De Junho De 2022
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No olho do furacão


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Publicado em 02 de julho de 2021
Por Jornal Do Dia


Uma trincheira no instante

 

* Rian Santos
Quem foi ao ato do 
dia 19 de junho, a 
fim de engrossar o coro dos descontentes e pedir a cabeça do presidente Jair Bolsonaro, certamente não estranhou a companhia. A manifestação que partiu da Praça da Bandeira e percorreu todo o Centro de Aracaju reuniu as principais expressões da esquerda Serigy – dos partidos políticos aos movimentos sociais. Eu estava lá, botei o coração pela boca, ciente de respirar sob a redoma de uma grande bolha progressista, em atenção a um dever cívico. 
O rio vermelho que transbordou pela Avenida Barão de Maruim, um afluente dos grandes protestos da Avenida Paulista, no sul maravilha, ainda não tem força suficiente para subir até Brasília. Para tanto, será preciso levar às ruas todo tipo de gente – do estudante de humanas com a barba por fazer, às dondocas das passeatas que tanto encantaram Nelson Rodrigues, em outra página da História. Enquanto permanecer conformado em reunir os mesmos de sempre, toda manifestação não passará de um grande esforço para falar às paredes.
Há esperança, no entanto. Se o povo empurrar o presidente cai. Sábado, há nova oportunidade de fazer a mágica acontecer. A concentração será mais uma vez na Praça da Bandeira, às 14 horas. Eu, de minha parte, com toda a implicância contra o PSOL e tudo, estarei lá.
Com quatro pedras na mão – O climão de insurgência trouxe à tona a lembrança do melhor disco do rapper Criolo, gestado durante a emergência de um grande ponto de inflexão. ‘Convoque seu Buda’ (2014) procura o olho do furacão. Um esforço deliberado.
Quatro pedras na mão. Neste segundo disco, o lirismo corrosivo de ‘Nó na orelha’ (2011) cede terreno para o discurso puro e simples. ‘Convoque seu Buda’, a faixa-título, entre as mais aguerridas do registro, cava uma trincheira no instante. Conflito de classes, guerra às drogas, consumismo, ancestralidade. Os temas serão novamente evocados ao longo do disco. Mas, aparentemente, Criolo achou melhor deixar claro a que veio, de uma vez por todas. Música de resistência. Rap, samba e reggae. Panfleto.
O bicho é ligeiro. Quase dá pra ouvir os gritos de guerra entoados durante as jornadas de junho entre uma rima e outra. Talvez seja ainda precipitado para arriscar um julgamento sobre o significado do levante, mas o segundo disco de Criolo lembra que não foi apenas por R$ 0,20.
* Rian Santos, jornalista

* Rian Santos

Quem foi ao ato do  dia 19 de junho, a  fim de engrossar o coro dos descontentes e pedir a cabeça do presidente Jair Bolsonaro, certamente não estranhou a companhia. A manifestação que partiu da Praça da Bandeira e percorreu todo o Centro de Aracaju reuniu as principais expressões da esquerda Serigy – dos partidos políticos aos movimentos sociais. Eu estava lá, botei o coração pela boca, ciente de respirar sob a redoma de uma grande bolha progressista, em atenção a um dever cívico. 
O rio vermelho que transbordou pela Avenida Barão de Maruim, um afluente dos grandes protestos da Avenida Paulista, no sul maravilha, ainda não tem força suficiente para subir até Brasília. Para tanto, será preciso levar às ruas todo tipo de gente – do estudante de humanas com a barba por fazer, às dondocas das passeatas que tanto encantaram Nelson Rodrigues, em outra página da História. Enquanto permanecer conformado em reunir os mesmos de sempre, toda manifestação não passará de um grande esforço para falar às paredes.
Há esperança, no entanto. Se o povo empurrar o presidente cai. Sábado, há nova oportunidade de fazer a mágica acontecer. A concentração será mais uma vez na Praça da Bandeira, às 14 horas. Eu, de minha parte, com toda a implicância contra o PSOL e tudo, estarei lá.

Com quatro pedras na mão – O climão de insurgência trouxe à tona a lembrança do melhor disco do rapper Criolo, gestado durante a emergência de um grande ponto de inflexão. ‘Convoque seu Buda’ (2014) procura o olho do furacão. Um esforço deliberado.
Quatro pedras na mão. Neste segundo disco, o lirismo corrosivo de ‘Nó na orelha’ (2011) cede terreno para o discurso puro e simples. ‘Convoque seu Buda’, a faixa-título, entre as mais aguerridas do registro, cava uma trincheira no instante. Conflito de classes, guerra às drogas, consumismo, ancestralidade. Os temas serão novamente evocados ao longo do disco. Mas, aparentemente, Criolo achou melhor deixar claro a que veio, de uma vez por todas. Música de resistência. Rap, samba e reggae. Panfleto.
O bicho é ligeiro. Quase dá pra ouvir os gritos de guerra entoados durante as jornadas de junho entre uma rima e outra. Talvez seja ainda precipitado para arriscar um julgamento sobre o significado do levante, mas o segundo disco de Criolo lembra que não foi apenas por R$ 0,20.

* Rian Santos, jornalista

 

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