Sábado, 06 De Agosto De 2022
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Teatro com o pé no chão


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Publicado em 17 de setembro de 2021
Por Jornal Do Dia


Nem um milímetro para a fantasia

 

Jornal do Dia – Você já me falou sobre o encontro feliz com Euler Lopes. Há carência de autores escrevendo para Teatro, em Sergipe?
Isabel Santos – Esse meu encontro com Euler Lopes, em 2013, que culminou na criação e montagem do espetáculo ‘Senhora dos Restos’, foi um encontro muito feliz e tem rendido grandes frutos ao longo desses anos. Com ‘Senhora dos Restos’ tivemos a oportunidade de participar de quase todos os festivais de teatro realizados no nordeste, fizemos as mostras, festivais e encontros em nosso estado, ganhamos vários prêmios de melhor espetáculo, melhor, atriz, melhor cenografia e indicação para tantos outros. 
Existe, sim, uma carência muito grande de autores escrevendo na atualidade para o teatro em Sergipe, uma pena.
JD – É correto deduzir que há alguma espécie de elo entre Senhora dos restos e Piedade?
Isabel – Não acredito que exista alguma espécie de elo entre as duas obras, a não ser o fato de as protagonistas serem duas mulheres. Quando recebi esse texto do Euler, uma das primeiras ideias que tive foi enviar o material para diversas pessoas nas mais diversas áreas para que pudessem ler e opinar sobre a dramaturgia que pretendia encenar. Então pude contar com a colaboração de professores de teatro da UFS, diretoras e diretores de teatro, alunos, professores da rede estadual, atores e atrizes. Uns associavam de pronto um certo elo com ‘Senhora dos Restos’ e outros não. Acredito que a narrativa e o fato de ser o mesmo autor, a marca da escrita do Euler Lopes, carimbada nas duas obras, contribuem muito para isso. 
Alguns perguntavam: qual a diferença que existe entre Senhora dos Restos e Piedade, a seu dispô? Eu sempre respondi que a primeira é uma idosa moradora de rua que para muitos aparece como "louca", mesmo sendo detentora de uma lucidez e sabedoria incalculáveis. Afinal, de perto ninguém é normal. A segunda é uma mulher de periferia, trabalhadora, mãe solteira, batalhadora, com moradia fixa, emprego e que luta para criar seus filhos com decência dentro de um sistema excludente.
JD – Mais um monólogo. Você não se assusta com a responsabilidade de assumir o palco sozinha?
Isabel – Rian, não me assusto. Fico apavorada mesmo! É uma responsabilidade muito grande e as pessoas tendem a cada vez mais lhe cobrar uma certa superação com relação aos seu trabalhos anteriores. Parece normal, mas me deixa louca. Mas quem tá na chuva é pra se molhar, já dizia minha mãe.

Rian Santos

Isabel Santos é a maior atriz viva de Sergipe. Mas nem por  isso se dá ao direito de tirar o pé do chão. Ao mudar de pele para viver mais um personagem criado sob medida pelo dramaturgo Euler Lopes, ela garante que é tomada pela ansiedade própria de uma debutante.

Não se fala aqui de qualquer uma. A artista foi moldada durante 40 anos de Teatro. E continua chutando. ‘Senhora dos restos’, o primeiro fruto do encontro com Euler, celebrado aqui em mais de uma oportunidade, rendeu prêmios e todos os aplausos. ‘Piedade, a seu dispô’, a ser encenado mais uma vez neste hoje,seguia a mesma trajetória, até a emergência da pandemia.

O espetáculo não cede um milímetro à fantasia. Piedade, uma empregada doméstica, é abordada e interrogada no meio da noite, no trajeto de volta para casa. Cansada, após um dia inteiro de trabalho, ela devolve tamanha grosseria com a sua verdade. Na narrativa de Piedade, ela expõe toda a luta para criar os filhos, educá-los e mantê-los vivos.

À época da estreia, o Jornal do Dia trocou duas palavras com Isabel. Hoje, quando a atriz volta a encarnar Piedade no palco, diante da plateia, nós resgatamos as suas palavras, a fim de louvar a quem bem o merece. 

Jornal do Dia – Você já me falou sobre o encontro feliz com Euler Lopes. Há carência de autores escrevendo para Teatro, em Sergipe?

Isabel Santos – Esse meu encontro com Euler Lopes, em 2013, que culminou na criação e montagem do espetáculo ‘Senhora dos Restos’, foi um encontro muito feliz e tem rendido grandes frutos ao longo desses anos. Com ‘Senhora dos Restos’ tivemos a oportunidade de participar de quase todos os festivais de teatro realizados no nordeste, fizemos as mostras, festivais e encontros em nosso estado, ganhamos vários prêmios de melhor espetáculo, melhor, atriz, melhor cenografia e indicação para tantos outros. 
Existe, sim, uma carência muito grande de autores escrevendo na atualidade para o teatro em Sergipe, uma pena.

JD – É correto deduzir que há alguma espécie de elo entre Senhora dos restos e Piedade?

Isabel – Não acredito que exista alguma espécie de elo entre as duas obras, a não ser o fato de as protagonistas serem duas mulheres. Quando recebi esse texto do Euler, uma das primeiras ideias que tive foi enviar o material para diversas pessoas nas mais diversas áreas para que pudessem ler e opinar sobre a dramaturgia que pretendia encenar. Então pude contar com a colaboração de professores de teatro da UFS, diretoras e diretores de teatro, alunos, professores da rede estadual, atores e atrizes. Uns associavam de pronto um certo elo com ‘Senhora dos Restos’ e outros não. Acredito que a narrativa e o fato de ser o mesmo autor, a marca da escrita do Euler Lopes, carimbada nas duas obras, contribuem muito para isso. 
Alguns perguntavam: qual a diferença que existe entre Senhora dos Restos e Piedade, a seu dispô? Eu sempre respondi que a primeira é uma idosa moradora de rua que para muitos aparece como "louca", mesmo sendo detentora de uma lucidez e sabedoria incalculáveis. Afinal, de perto ninguém é normal. A segunda é uma mulher de periferia, trabalhadora, mãe solteira, batalhadora, com moradia fixa, emprego e que luta para criar seus filhos com decência dentro de um sistema excludente.

JD – Mais um monólogo. Você não se assusta com a responsabilidade de assumir o palco sozinha?

Isabel – Rian, não me assusto. Fico apavorada mesmo! É uma responsabilidade muito grande e as pessoas tendem a cada vez mais lhe cobrar uma certa superação com relação aos seu trabalhos anteriores. Parece normal, mas me deixa louca. Mas quem tá na chuva é pra se molhar, já dizia minha mãe.

 

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