Sexta, 21 De Janeiro De 2022
**PUBLICIDADE
Publicidade

Tempo de vacas magras


Avatar

Publicado em 10 de dezembro de 2021
Por Jornal Do Dia Se


O Touro de Ouro pelo avesso.

Por Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br

Como é feia, a vaca amarela de Márcia Pinheiro! Faz pensar nos meninos de cara suja, reunidos em bandos, sem pai nem mãe, meninos à toa, nos cruzamentos das grandes cidades.
De fealdade atroz, a escultura disposta na calçada da Bolsa de Valores de São Paulo, antítese da opulência metida em terno e gravata, a fauna própria dos centros financeiros, pasta sobre o pregão, cambaleia, lida com as moscas, defeca uma diarréia de grama rala sobre o otimismo delirante de Paulo Guedes.
Segundo a artista, a escultura integra um projeto maior, mais abrangente, inspirado pela seca, remonta a 2014, quando começou a mugir por diversos ponstos do Brasil, a fim de chamar atenção para a seca. Aqui e agora, no entanto, o significado extrapola a intenção inicial. Já não trata de circunstâncias históricas, problemas seculares. Mas da carestia hodierna, o prato vazio em boa parte das casas brasileiras. Queira a artista, ou não.
As vacas ficaram em cartaz durante todo o ano de 2016, quando a emergência dos problemas ambientais ganhou volume em letra de imprensa. Mas este é um problema abstrato. Somente agora, quando os pratos vazios espelham a face cavada da população, a vaca magra é capaz de comunicar o seu significado profundo.
A peça é horrenda, um Touro de Ouro pelo avesso. Evoca mugidos de fome e desespero.

**PUBLICIDADE
Publicidade


Capa do dia
Capa do dia



**PUBLICIDADE
Publicidade


**PUBLICIDADE
Publicidade