Quinta, 26 De Maio De 2022
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Xuxa perde batalha e filme será exibido pelo Canal Brasil


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Publicado em 09 de fevereiro de 2021
Por Jornal Do Dia


Pulsão de vida

 

Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br
Xuxa foi à barra dos 
tribunais, a fim de 
fazer valer o suposto direito ao esquecimento. Pretendia impedir a exibição do filme ‘Amor, estranho amor’ (1982), no qual se despe para assombro e deleite de um menino tímido, um donzelo na altura dos doze anos. De fato, o personagem não assenta com a trajetória profissional de uma apresentadora infantil. Por ironia da vida, anos depois de atuação tão escandalosa, ela seria coroada a rainha dos baixinhos.
A batalha judicial consumiu anos. Somente agora, esgotados todos os recursos, o filme será finalmente exibido pelo Canal Brasil. De uns tempos pra cá, ao se dar por vencida em sua cruzada higienista, Xuxa passou a reconhecer os méritos artísticos do filme dirigido por Walter Hugo Khouri, comparado por muita gente boa com totens da envergadura de Ingmar Bergman e Michelangelo Antonioni. No elenco, Tarcísio Meira, Vera Fischer, Otávio Augusto e Mauro Mendonça. Xuxa, uma mulher jovem, era a única estranha no ninho.
Eis uma história com rasgos de clarividência. Em verdade, o chilique de Xuxa antecipou a emergência da sensibilidade reacionária que culminaria no Brasil de Bolsonaro. O professor Rodorval Ramalho, da Universidade Federal de Sergipe, ele próprio um militante convicto das causas mais perversas, a exemplo da criminalização do aborto, pode até julgar que as críticas dirigidas ao presidente brasileiro se atêm apenas ao verniz das aparências, como defendeu em entrevista recente, concedida ao jornalista Jozailto Lima. A bem da verdade, no entanto, as preocupações dos caretas resvala em algo mais incômodo e muito mais profundo: trata-se da intenção de amordaçar a individualidade, legislar sobre questões de foro íntimo.
Infelizmente, ‘Amor, estranho amor’ será sempre lembrado como algo que não é: Um filme erótico, no sentido mais chulo. Também pudera. A erupção da sexualidade em um menino surpreendido em calças curtas contraria a concepção apolínea da alta cultura. E isto, a emergência da força dionisíaca, uma pulsão de vida, os reaças não perdoarão jamais.

Rian Santos

Xuxa foi à barra dos  tribunais, a fim de  fazer valer o suposto direito ao esquecimento. Pretendia impedir a exibição do filme ‘Amor, estranho amor’ (1982), no qual se despe para assombro e deleite de um menino tímido, um donzelo na altura dos doze anos. De fato, o personagem não assenta com a trajetória profissional de uma apresentadora infantil. Por ironia da vida, anos depois de atuação tão escandalosa, ela seria coroada a rainha dos baixinhos.
A batalha judicial consumiu anos. Somente agora, esgotados todos os recursos, o filme será finalmente exibido pelo Canal Brasil. De uns tempos pra cá, ao se dar por vencida em sua cruzada higienista, Xuxa passou a reconhecer os méritos artísticos do filme dirigido por Walter Hugo Khouri, comparado por muita gente boa com totens da envergadura de Ingmar Bergman e Michelangelo Antonioni. No elenco, Tarcísio Meira, Vera Fischer, Otávio Augusto e Mauro Mendonça. Xuxa, uma mulher jovem, era a única estranha no ninho.
Eis uma história com rasgos de clarividência. Em verdade, o chilique de Xuxa antecipou a emergência da sensibilidade reacionária que culminaria no Brasil de Bolsonaro. O professor Rodorval Ramalho, da Universidade Federal de Sergipe, ele próprio um militante convicto das causas mais perversas, a exemplo da criminalização do aborto, pode até julgar que as críticas dirigidas ao presidente brasileiro se atêm apenas ao verniz das aparências, como defendeu em entrevista recente, concedida ao jornalista Jozailto Lima. A bem da verdade, no entanto, as preocupações dos caretas resvala em algo mais incômodo e muito mais profundo: trata-se da intenção de amordaçar a individualidade, legislar sobre questões de foro íntimo.
Infelizmente, ‘Amor, estranho amor’ será sempre lembrado como algo que não é: Um filme erótico, no sentido mais chulo. Também pudera. A erupção da sexualidade em um menino surpreendido em calças curtas contraria a concepção apolínea da alta cultura. E isto, a emergência da força dionisíaca, uma pulsão de vida, os reaças não perdoarão jamais.

 

Rian Santosriansantos@jornaldodiase.com.brXuxa foi à barra dos  tribunais, a fim de  fazer valer o suposto direito ao esquecimento. Pretendia impedir a exibição do filme ‘Amor, estranho amor’ (1982), no qual se despe para assombro e deleite de um menino tímido, um donzelo na altura dos doze anos. De fato, o personagem não assenta com a trajetória profissional de uma apresentadora infantil. Por ironia da vida, anos depois de atuação tão escandalosa, ela seria coroada a rainha dos baixinhos.A batalha judicial consumiu anos. Somente agora, esgotados todos os recursos, o filme será finalmente exibido pelo Canal Brasil. De uns tempos pra cá, ao se dar por vencida em sua cruzada higienista, Xuxa passou a reconhecer os méritos artísticos do filme dirigido por Walter Hugo Khouri, comparado por muita gente boa com totens da envergadura de Ingmar Bergman e Michelangelo Antonioni. No elenco, Tarcísio Meira, Vera Fischer, Otávio Augusto e Mauro Mendonça. Xuxa, uma mulher jovem, era a única estranha no ninho.Eis uma história com rasgos de clarividência. Em verdade, o chilique de Xuxa antecipou a emergência da sensibilidade reacionária que culminaria no Brasil de Bolsonaro. O professor Rodorval Ramalho, da Universidade Federal de Sergipe, ele próprio um militante convicto das causas mais perversas, a exemplo da criminalização do aborto, pode até julgar que as críticas dirigidas ao presidente brasileiro se atêm apenas ao verniz das aparências, como defendeu em entrevista recente, concedida ao jornalista Jozailto Lima. A bem da verdade, no entanto, as preocupações dos caretas resvala em algo mais incômodo e muito mais profundo: trata-se da intenção de amordaçar a individualidade, legislar sobre questões de foro íntimo.Infelizmente, ‘Amor, estranho amor’ será sempre lembrado como algo que não é: Um filme erótico, no sentido mais chulo. Também pudera. A erupção da sexualidade em um menino surpreendido em calças curtas contraria a concepção apolínea da alta cultura. E isto, a emergência da força dionisíaca, uma pulsão de vida, os reaças não perdoarão jamais.

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