Terça, 16 De Agosto De 2022
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RÉQUIEM A QUEM FEZ POR MERECER


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Publicado em 08 de julho de 2021
Por Jornal Do Dia


 

* Rômulo Rodrigues
O grande homem público gaúcho José Paulo Bisol, encerrou sua brilhante jornada em defesa da democracia, aos 92 anos, no sábado, 26 de junho de 2021.
Quis o destino que na noite do sábado, quando comemorava 78 anos de vida vivida, fosse atingido pela notícia do falecimento do Dr. José Paulo Bisol, ocorrida na cidade de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul.
Bisol, como ficou sendo chamado ao ser o candidato a vice-presidente na chapa encabeçada por Lula em 1989, é descrito pela jornalista Kátia Marko como um homem com paixão, rebeldia, ética e sensibilidade.
Também foi um alvo precursor da criminalidade midiática da afiliada da Rede Globo, a RBS, e pelo jornal Zero Hora de Porto Alegre, que publicou que ele havia se aposentado com 7 meses como desembargador, praticado nepotismo e conseguido empréstimo privilegiado junto à Caixa Econômica Federal, o que fez com que em 1994, em plena campanha eleitoral, renunciasse a novamente ser  o vice de Lula, no que foi substituído pelo deputado federal Aloisio Mercadante. As denúncias serviram de artilharia pesada eatingiram a candidatura do petista, que foi derrotado para o candidato dos barões da imprensa e da elite paulista, Fernando Henrique Cardoso.
Processados por calúnias, o jornal Zero Hora teve que pagar uma indenização ao honesto homem público em 2001, no valor de R$ 1.200.000,00, dinheiro com o qual ele comprou a casa em que morou até o dia 26 de julho de 2021.
Por que o louvor ao grande tribuno das causas democráticas que nos deixou, justo no dia do meu aniversário?
Porque, justo nesse dia e em sua homenagem, recarreguei minhas baterias para intensificar a luta coo compromisso de continuar, sempre, no lado certo da história.
A lembrança que guardo de Bisol faz parte do meu próprio legado nas históricas lutas da militância no Partido dos Trabalhadores, hoje, tristemente negada, pelos que têm a missão de levá-lo avante, sem se deixar engolir pelo monstro que os espreita na superestrutura de um Estado que serve para preservar os interesses da elite do atraso.
O pequeno pedaço da história foi assim: era noite de quinta feira, 7 de dezembro de 1989, quando recebi uma intimação, por telefone, do presidente do diretório estadual do PT do Rio Grande do Norte, Hugo Manso, para que estivesse em Caicó, no dia seguinte, às treze horas, para um comício com o candidato a vice presidente da Frente Brasil Popular, José Paulo Bisol, pois minha presença estava sendo anunciada.
Tempos de selo pedágio, que não usávamos, em protesto, no território sergipano, enfrentei o desafio e madruguei na estrada, com toda a família e só fui encontrar o maldito na cidade de Garanhuns, em Pernambuco, o que atrasou bastante a viajem de 750 Km.
Resultado: cheguei  no Ponto X, centro da capital do Seridó, a ponto de ouvir as frases do final do discurso do grande orador e vê-lo ser ovacionado por uma surpreendente multidão que enfrentou com muita alegria um sol de coisa de uns 40 graus e se extasiar quando ele rememorou que durante toda sua vida de homem público havia desempenha funções como desembargador e senador da república mas seu maior orgulho era ser candidato a vice presidente na chapa encabeçada por um nordestino, retirante e operário.
Terminado o ato político, fomos levá-lo ao campo de aviação e naquele bate papo de despedida que antecedeu a sua partida, cumprimentei-o pelo final do discurso e nos despedimos.
Vida que segue, aproveitando a viagem e seguindo as ordens dos companheiros que coordenavam a campanha de segundo turno, realizamos mais três comícios e cidades da região do Seridó, com o último varando a madrugada, sempre em praças repletas de espectadores onde a emoção e a alegria tomavam conta dos ambientes e, como convidado ilustre, tive o privilégio de fazer os discursos de encerramento.
O crescimento da campanha da Frente Brasil Popular era visível e a empolgação por onde a caravana passava era emocionante.
A eleição no segundo turno acabou sendo contaminada por uma das maiores fraudes da história do Brasil pela manipulação da Rede Globo de Televisão através de manipulações nas edições do último debate, durante cerca de 30 horas ininterruptas, entre os candidatos Luiz Inácio e Fernando Collor, em detrimento do primeiro e em favorecimento do segundo.
E foi por esse método de suprimir a vontade popular, testado pela Globo e derrotado por Leonel Brizola, no famoso escândalo da Proconsult, em 1982, na eleição para governador do Rio de janeiro que, repetido com renovações, Fernando Collor de Melo se tornou o primeiro presidente da República eleito pelo voto popular após a ditadura militar de 1964.
Hoje, passados 32 anos daquela jornada, enfrentando os mesmos inimigos do povo brasileiro e vendo o domínio quase perpétuo de uma elite atrasada e rancorosa, me orgulho daquela viajem, das confraternizações pós-comícios e da certeza de saber que José Paulo Bisol estará sempre presente!
* Rômulo Rodrigues é militante político

* Rômulo Rodrigues

O grande homem público gaúcho José Paulo Bisol, encerrou sua brilhante jornada em defesa da democracia, aos 92 anos, no sábado, 26 de junho de 2021.
Quis o destino que na noite do sábado, quando comemorava 78 anos de vida vivida, fosse atingido pela notícia do falecimento do Dr. José Paulo Bisol, ocorrida na cidade de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul.
Bisol, como ficou sendo chamado ao ser o candidato a vice-presidente na chapa encabeçada por Lula em 1989, é descrito pela jornalista Kátia Marko como um homem com paixão, rebeldia, ética e sensibilidade.
Também foi um alvo precursor da criminalidade midiática da afiliada da Rede Globo, a RBS, e pelo jornal Zero Hora de Porto Alegre, que publicou que ele havia se aposentado com 7 meses como desembargador, praticado nepotismo e conseguido empréstimo privilegiado junto à Caixa Econômica Federal, o que fez com que em 1994, em plena campanha eleitoral, renunciasse a novamente ser  o vice de Lula, no que foi substituído pelo deputado federal Aloisio Mercadante. As denúncias serviram de artilharia pesada eatingiram a candidatura do petista, que foi derrotado para o candidato dos barões da imprensa e da elite paulista, Fernando Henrique Cardoso.
Processados por calúnias, o jornal Zero Hora teve que pagar uma indenização ao honesto homem público em 2001, no valor de R$ 1.200.000,00, dinheiro com o qual ele comprou a casa em que morou até o dia 26 de julho de 2021.
Por que o louvor ao grande tribuno das causas democráticas que nos deixou, justo no dia do meu aniversário?
Porque, justo nesse dia e em sua homenagem, recarreguei minhas baterias para intensificar a luta coo compromisso de continuar, sempre, no lado certo da história.
A lembrança que guardo de Bisol faz parte do meu próprio legado nas históricas lutas da militância no Partido dos Trabalhadores, hoje, tristemente negada, pelos que têm a missão de levá-lo avante, sem se deixar engolir pelo monstro que os espreita na superestrutura de um Estado que serve para preservar os interesses da elite do atraso.
O pequeno pedaço da história foi assim: era noite de quinta feira, 7 de dezembro de 1989, quando recebi uma intimação, por telefone, do presidente do diretório estadual do PT do Rio Grande do Norte, Hugo Manso, para que estivesse em Caicó, no dia seguinte, às treze horas, para um comício com o candidato a vice presidente da Frente Brasil Popular, José Paulo Bisol, pois minha presença estava sendo anunciada.
Tempos de selo pedágio, que não usávamos, em protesto, no território sergipano, enfrentei o desafio e madruguei na estrada, com toda a família e só fui encontrar o maldito na cidade de Garanhuns, em Pernambuco, o que atrasou bastante a viajem de 750 Km.
Resultado: cheguei  no Ponto X, centro da capital do Seridó, a ponto de ouvir as frases do final do discurso do grande orador e vê-lo ser ovacionado por uma surpreendente multidão que enfrentou com muita alegria um sol de coisa de uns 40 graus e se extasiar quando ele rememorou que durante toda sua vida de homem público havia desempenha funções como desembargador e senador da república mas seu maior orgulho era ser candidato a vice presidente na chapa encabeçada por um nordestino, retirante e operário.
Terminado o ato político, fomos levá-lo ao campo de aviação e naquele bate papo de despedida que antecedeu a sua partida, cumprimentei-o pelo final do discurso e nos despedimos.
Vida que segue, aproveitando a viagem e seguindo as ordens dos companheiros que coordenavam a campanha de segundo turno, realizamos mais três comícios e cidades da região do Seridó, com o último varando a madrugada, sempre em praças repletas de espectadores onde a emoção e a alegria tomavam conta dos ambientes e, como convidado ilustre, tive o privilégio de fazer os discursos de encerramento.
O crescimento da campanha da Frente Brasil Popular era visível e a empolgação por onde a caravana passava era emocionante.
A eleição no segundo turno acabou sendo contaminada por uma das maiores fraudes da história do Brasil pela manipulação da Rede Globo de Televisão através de manipulações nas edições do último debate, durante cerca de 30 horas ininterruptas, entre os candidatos Luiz Inácio e Fernando Collor, em detrimento do primeiro e em favorecimento do segundo.
E foi por esse método de suprimir a vontade popular, testado pela Globo e derrotado por Leonel Brizola, no famoso escândalo da Proconsult, em 1982, na eleição para governador do Rio de janeiro que, repetido com renovações, Fernando Collor de Melo se tornou o primeiro presidente da República eleito pelo voto popular após a ditadura militar de 1964.
Hoje, passados 32 anos daquela jornada, enfrentando os mesmos inimigos do povo brasileiro e vendo o domínio quase perpétuo de uma elite atrasada e rancorosa, me orgulho daquela viajem, das confraternizações pós-comícios e da certeza de saber que José Paulo Bisol estará sempre presente!

* Rômulo Rodrigues é militante político

 

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