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A Economia dos Oceanos


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Publicado em 17 de junho de 2022
Por Jornal Do Dia Se


No dia 8 de junho é comemorado o Dia Mundial dos Oceanos, para celebrar a data, a Organização das Nações Unidas (ONU) irá organizar entre 27 de junho e 1 de julho, a Conferência sobre os Oceanos, em Lisboa – Portugal.
Cabe registrar que a organização declarou o período entre 2021 e 2030 como a Década da ONU da Ciência dos Oceanos para o Desenvolvimento Sustentável. A meta é mobilizar cientistas, políticos, empresas e sociedade civil para a pesquisa e inovação. Nesta perspectiva estarei fazendo uma abordagem global, nacional e local sobre a economia dos oceanos.
Segundo dados da Organização das Nações Unidas (ONU), o mercado de recursos marinhos, costeiros e a indústria do oceano produz cerca de US$ 3 trilhões por ano e, conforme a entidade o valor corresponde a cerca de 5% do Produto Interno Bruto global. Assim, entende-se que a preservação dos oceanos é um requisito essencial para o bem-estar global.
Cabe registrar que 50% do oxigênio que necessitamos vem dos oceanos, eles também absorvem 25% de todas as emissões de dióxido de carbono e capturam 90% do calor adicional gerado por essas emissões. Então podemos afirmar que os oceanos são o maior filtro de carbono e um amortecedor dos impactos das alterações climáticas.
A Marinha do Brasil vem trabalhando com um conceito diferenciado sobre o potencial do Oceano Atlântico, com a denominação de economia azul. De acordo com a Marinha do Brasil, o nosso país possui jurisdição sobre uma área oceânica com cerca de 5,7 milhões de Km2, que equivale a mais da metade da nossa massa terrestre.
Na mesma lógica acima, entendo que o território de Sergipe que além do 21.938,188 Km2 que consta no Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Pois temos aproximadamente 163 Km de extensão e ocupa uma superfície de 5.513,7 Km2, ou seja, um quarto do território de Sergipe.
Segundo a Marinha do Brasil, dos mares conseguimos extrair 95% do petróleo, 80% do gás natural e 45% do pescado produzidos no nosso país. E o escoamento do comércio exterior brasileiro é realizado em 95% pelo Oceano Atlântico. Temos aproximadamente 8,500 Km de faixa litorânea, onde concentram-se 80% da população, são produzidos 90% do Produto Interno Bruto (PIB) e estão localizados os principais destinos turísticos nacionais.
Em Sergipe, entendo que precisamos ter um olhar adicional para o nosso Oceano Atlântico e avaliar as oportunidades econômicas que temos. Temos no estado exploração de petróleo e gás, a pesca e o turismo como as três principais atividades econômicas exploradas no litoral sergipano.
No estado de Sergipe temos populações que são mais dependentes do oceano atlântico, especialmente aquelas que atuam na pesca artesanal, na extração de mariscos e moluscos nas regiões de mangue. Temos que buscar um cuidado especial com a vulnerabilidade de referidas comunidades e isto requer atenção com os riscos de degradação do nosso Oceano Atlântico para que estas populações mais dependentes dos oceanos não sofram consequências que impliquem em ampliação de desigualdades sociais.
Sobre a pesca em Sergipe, destaco a existência de várias entidades vinculadas ao segmento a exemplo de: Associação Sergipana de Pesca Amadora, Associação Mista dos Pescadores da Coroa do Meio, Associação de Pescadores da Mussuca, Associação de Pescadores e Marisqueiras do Mosqueiro, Associação dos Pescadores do Pôr do Sol do Mosqueiro, Associação dos Pescadores da Atalaia Velha, Associação dos Pescadores de Pirambu, dentre outras. Referidas entidades são fundamentais para a melhoria da estruturação do setor em Sergipe, destacando que o Terminal Pesqueiro de Aracaju trará benefícios importantes para os pescadores de Sergipe.
O desenvolvimento da carcinicultura em Sergipe, inclusive a criação de camarão em cativeiro ocorre no litoral sergipano, destacando-se o papel das entidades associativas, a exemplo da ACES – Associação dos Criadores de Camarão do Estado de Sergipe.
No turismo mundial existem informações que sinalizam que aproximadamente 80% das atividades do setor ocorrem no litoral e é a mesma lógica que acontece em Sergipe, o turismo sergipano é bem concentrado no litoral, que ainda necessita de um espalhamento de melhor infraestrutura para as áreas fora da região metropolitana de Aracaju.
Entendo que ainda se faz necessário a construção de um plano estratégico de exploração da economia do mar em Sergipe, na lógica de otimização da exploração do Oceano. Um exemplo é o transporte marítimo de carga e de passageiros, a ampliação da capacidade da infraestrutura das obras marítimas, o turismo de cruzeiros, o turismo costeiro, a náutica de recreio, as pesquisas científicas, energias renováveis do oceano (eólica, ondas e marés), a biotecnologia marinha (biocombustíveis, recursos genéticos, produtos farmacêuticos), etc.
Imagina-se que ainda temos muita coisa a descobrir sobre os oceanos, também necessitamos gerir de forma sustentável os oceanos e proteger a vida marinha. E isto está contido no Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 14: Proteger a Vida Marinha, que foi um ODS adota em 2015 para a Agenda para o Desenvolvimento Sustentável 2030 e desdobra-se em 17 objetivos transformadores, destacando-se a necessidade de conservar e utilizar de forma sustentável os oceanos, marés e recursos marinhos do planeta.
Precisamos explorar mais economicamente os oceanos, porém não podemos esquecer que eles estão cada vez mais ameaçados, degradados pelas atividades humanas e, em muitas situações com redução da sua capacidade de fornecer serviços ecossistêmicos. Não podemos deixar que ocorram explorações sem sustentabilidade dos nossos recursos marinhos, pois colocaríamos em risco os habitantes, a poluição marinha e outras alterações físicas.
Cuidemos bem de nossos Oceanos e que em Sergipe tenhamos mais uso e valorização da economia do mar.

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