Milton Alves Júnior
As fortes pancadas de chuvas e rajadas de vento que atingiram o município sergipano de Tobias Barreto nas últimas 72 horas foram suficientes para provocar destruição em 11 bairros. Um levantamento realizado pela Superintendência Estadual de Proteção e Defesa Civil (Supdec), em parceria com a Secretaria de Estado da Segurança Pública (SSP/SE), indica que pelo menos 400 pessoas permanecem desabrigadas. Não há cálculo preliminar capaz de identificar o possível volume de prejuízos patrimoniais provocados pelo mau tempo. De forma detalhada a Defesa Civil revelou que 136 famílias foram afetadas; estão desalojadas 26 famílias – que representa 73 pessoas; e 13 famílias seguem desabrigadas – que equivalem a 30 pessoas. Tobias Barreto fica a 130 km de distância da capital, Aracaju.
Segundo análise apresentada pelo Centro de Meteorologia de Sergipe, as chuvas registradas são atípicas e atingiram o interior do estado em maior intensidade se comparado à capital. Ao todo, são mais de 800 milímetros de água da chuva contabilizados na região Centro-Sul Sergipano; desse total, cerca de 600 mm registrados nos últimos quatro dias. No final da manhã de ontem o Corpo de Bombeiros Militar encerrou o trabalho de vistoria e resgate na rodovia SE-290, entre Itabaianinha e Tobias Barreto, na madrugada de anteontem, depois que parte da via expressa cedeu e dois caminhões e um veículo caíram na cratera.
Emergência – Já no início da tarde o governo de Sergipe decidiu declarar situação de emergência nos municípios de Tobias Barreto e Itabaianinha justamente devido aos estragos causados pelas fortes chuvas desta semana. A medida administrativa tem como parâmetro a Portaria n° 260, de 02 de fevereiro de 2022, do Ministério do Desenvolvimento Regional – MDR. Com a publicação, o Poder Executivo Estadual deseja proporcionar providências rápidas e emergenciais a fim de minimizar e reparar danos causados pelas chuvas intensas responsáveis por gerar danos humanos e materiais, e consequentes prejuízos econômicos públicos e privados expressivos. Os casos de maior proporção negativa envolvem famílias que habitavam nas margens do Rio Real. Um gabinete emergencial de crise foi montado.
“Fica autorizada a convocação de voluntários para reforçar as ações de resposta ao desastre e a realização de campanhas de arrecadação de recursos junto à comunidade, com o objetivo de facilitar as ações de assistência à população afetada pelo desastre, em caso de utilidade pública, autoriza-se o início de processos de desapropriação, conforme legislação federal aplicável ao tema, com a observância de suas condições e consequências, bem como ficam dispensadas de licitações as aquisições dos bens necessários ao atendimento da situação de emergência ou do estado de calamidade pública e para as parcelas de obras e serviços que possam ser concluídas no prazo máximo de 01 ano”, declarou o Superintendente da Defesa Civil estadual, tenente coronel Luciano Queiroz.
Ainda conforme destacado pela coordenação da Superintendência Estadual de Proteção e Defesa Civil, esse prazo máximo passa a contar a partir da data de ocorrência da emergência ou da calamidade, vedada a recontratação de empresas e a prorrogação dos contratos. De igual modo ao registrado na edição de ontem do JORNAL DO DIA, esse trabalho técnico e social conta também com a intervenção do Departamento Estadual de Infraestrutura Rodoviária de Sergipe (DER).
Em caso de riscos à integridade física, a orientação é entrar em contato imediato com o Centro Integrado de Operações em Segurança Pública (CIOSP 190). Em Aracaju, pedidos de socorro devem ser protocolados através da Defesa Civil Municipal, 199, disponível 24h.


