Começa a fiscalização eletrônica em Aracaju

Milton Alves Júnior
miltonalvesjunior@jornaldodiase.com.br

Após três anos, a par-tir desta segunda-feira, 21, volta a funcionar o sistema de fiscalização eletrônica do trânsito de Aracaju por meio de radares. Concluído o período de instalação, aferições e testes, 70 radares passam a compor o monitoramento com o propósito de flagrar os condutores automotivos que desrespeitam as leis de trânsito, em especial, os avanços de semáforo ainda no vermelho, as populares ‘roubadinhas’, e a velocidade acima dos 60 km/h. Paralelo ao desejo de tentar reeducar os motoristas e motoqueiros através de punições financeiras, a Superintendência Municipal de Transporte e Trânsito (SMTT), responsável por coordenar este sistema, tenta proporcionar um trânsito mais seguro para todos.
Até o último dia 15 de setembro, números assustadores mostram que mais de 5 mil acidentes envolvendo motoqueiros, motoristas e pedestres foram registrados na capital. Destes, 30 acabaram resultando em óbito. Conforme previsto pelo Código Nacional de Trânsito (CTB) e pelo Departamento Nacional de Trânsito (Denatran), transitar em velocidade acima do permitido caracteriza-se em infração média e a multa corresponde ao valor de R$ 86,13, mais a retirada de quatro pontos da Carteira Nacional de Habilitação (CNH). Caso o condutor seja flagrado avançando o sinal vermelho, o que configura-se em infração gravíssima, a multa será de R$ 191,54, mais retenção de sete pontos na carteira. Há dez dias a Prefeitura de Aracaju vem comunicando o início das operações através dos meios de comunicação.
Na avaliação do superintendente da SMTT, Nelson Felipe, o reinício dos radares em Aracaju foi possível, também, após pedidos realizados pelos próprios condutores e pedestres que avaliam o trânsito regional como violento. Ele disse entender algumas críticas que surgiram após o anúncio dos radares, mas em contraponto destacou os aspectos positivos. "Infelizmente muitos brasileiros só respeitam as normas de trânsito quando passam a ser punidos. O número de acidentes tem crescido na cidade e a população pede até a ampliação desses equipamentos. A implantação dos radares foi adotada através de parceria de planejamento entre a Prefeitura de Aracaju e os aracajuanos que se mostram receosos com a imprudência de alguns condutores", afirmou.
Para dar suporte aos radares, a capital também conta com um sistema de câmeras de monitoramento. Em funcionamento desde o mês passado, a fiscalização é composta por 14 equipamentos espalhados nos principais pontos de conflito, como nos cruzamentos: Avenida Tancredo Neves x José da Silva Ribeiro Filho, Avenida Beira-Mar x Francisco Porto, Avenida Ivo do Prado x Barão de Maruim e Avenida Dr. Carlos Firpo x Coelho e Campos. Durante 24 horas, essas câmeras captam e gravam diversas infrações de trânsito, desde conversões proibidas a graves acidentes. As câmeras também ajudam a identificar as vias mais congestionadas, e indicar os motoristas a optar por vias paralelas.
Segundo avaliação do gestor, apenas com o trabalho em parceria o índice de violência deve começar a cair. "Ao longo dos últimos anos temos estreitado a relação dos aracajuanos com a SMTT para que juntos possamos provocar avanços coletivos. Com o início dos trabalhos operacionais realizados pelas câmeras de monitoramento e radares acreditamos que ainda este ano poderemos apresentar a toda população aracajuana o quanto foi positivo adotar essas medidas", disse.
Moradores da na Rua Manoel Oliveira de Melo, no bairro Jardim Centenário, realizaram um ato público na última sexta-feira, 18, após uma pedestre ter sido atropelada e morta por um carro conduzido acima da velocidade permitida. Durante a manifestação o grupo exigiu a presença de um representante da SMTT e pediram a instalação de radares na região.
De acordo com a Prefeitura de Aracaju, é inadmissível que mortes no trânsito continuem assustando a população local já que a capital sergipana atualmente ainda possui um fluxo de veículos considerável baixo, se comparado a metrópoles brasileiras. O limite de velocidade de 60 km/h contribui, ou deveria contribuir, para que o fluxo de veículos não registrasse ampla periculosidade. "É possível conquistar avanços nesse seguimento e evitar que tragédias no trânsito voltem a ocorrer por falta de conscientização de alguns. Os radares serão utilizados apenas para punir aqueles que não respeitam as normas; se a pessoa anda de acordo com o que determina o Código de Trânsito, ela não será punida e não terá o que criticar este modo de fiscalização", pontuou Nelson. Os radares estão programados para funcionar até as 23h.

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