Começa a greve dos servidores municipais da Saúde

Kátia Azevedo
katiaazevedo@jornaldodiase.com.br

Cerca de 850 auxiliares, técnicos de enfermagem, assistentes de consultório dentário e servidores administrativos que atuam nas unidades de saúde da Prefeitura Municipal de Aracaju (PMA) começaram ontem uma greve para pressionar o Executivo a iniciar a mesa de negociação instalada no ano passado com a categoria. A insatisfação dos servidores com a falta de avanço nas negociações pode paralisar toda a rede de atendimento.

A greve dos servidores da Saúde se soma à paralisação de serviços dos enfermeiros e agentes de endemias, que também buscam melhores salários e condições de trabalho junto a PMA. Além destas três categorias, a gestão municipal pode enfrentar ainda uma greve dos médicos, que suspendem os serviços hoje e realizam assembleia nesta tarde para analisarem o indicativo de greve.
De acordo com a diretoria do Sindicato dos Trabalhadores na Área da Saúde do Estado de Sergipe (Sintasa), a categoria tentou um acordo com o prefeito João Alves Filho (DEM) desde o segundo semestre do ano passado. Na ocasião, a Secretaria Municipal de Administração (SEMAD) instalou uma mesa de negociação para tratar as demandas apresentadas pela categoria. Os servidores alegam que a pauta de reivindicações foi entregue em agosto do ano passado à gestão municipal, que por sua vez ficou de apresentar uma resposta até o dia 30 de novembro. No entanto, de acordo com a categoria, não houve nenhuma posição.

Ainda conforme o sindicato, o prefeito tinha garantido na ocasião que, até dezembro, iria concluir todo o processo de reajuste salarial, já que, em 2014, o processo seria inviável por ser um ano eleitoral. Contudo, as negociações acabaram não avançando, o que gerou a decisão da greve. "A instalação da mesa de negociação foi o único item atendido. Desde agosto do ano passado, a prefeitura não discutiu nenhuma das pautas reivindicadas pelos servidores", reclama Augusto Couto, presidente do Sintasa.  
A categoria reivindica da PMA a incorporação de gratificações, reajuste salarial de 100% (considerando o salário base de R$ 672) e ampliação da gratificação por área de risco de R$ 250 para todos os trabalhadores de unidades de atendimento da capital, além da redução de carga horária para 30 horas semanais e melhores condições de trabalho – incluindo o abastecimento de materiais básicos para executar as atividades como luvas, máscaras e medicamentos.

Escalas mudadas – Com a greve dos enfermeiros, agentes e demais servidores, as unidades de saúde começam a enfrentar mudanças nas escalas de atuação dos profissionais, comprometendo o serviço prestado à população. Ontem pela manhã, os servidores se reuniram na sede do Sintasa para organizarem as mudanças de escalas no período de paralisação dos serviços.
Segundo informou a diretoria do sindicato, os serviços nos postos de saúde serão suspensos, ficando apenas o efetivo de 30% atuando nas unidades. O atendimento está sendo priorizado nas áreas de urgência e emergência como as Unidades de Pronto Atendimento (UPAs), Fernando Franco, Nestor Piva e Samu Aracaju, que continuam funcionando normalmente.
A decisão pela greve foi tomada sexta-feira passada, durante assembleia geral da categoria em frente ao Centro Administrativo Prefeito Aloísio Campos, no Conjunto Costa e Silva (zona oeste), onde os trabalhadores realizaram um ato público e cobraram o cumprimento das reinvindicações. Também na sexta-feira, os servidores realizaram paralisação das atividades para chamar a atenção da administração municipal sobre o problema.
Hoje, às 15h, a secretária municipal de Saúde de Aracaju, Leane de Carvalho Machado, agendou uma reunião com os servidores para discutir encaminhamentos sobre as pautas de reivindicações da categoria. O propósito é de ter uma resposta em face do acordo feito em 2013 e da contraproposta enviada sobre as negociações salariais de 2014. Mais cedo, os servidores em greve também iniciam uma campanha de doação de sangue, às 7h, no Centro de Hemoterapia de Sergipe (Hemose). Na quinta-feira, também às 7h, haverá ato público na frente à Câmara Municipal de Aracaju, chamando a atenção dos parlamentares sobre as reivindicações da categoria. 

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