COMIDAS TÍPICAS MOVIMENTAM OS MERCADOS

Milton Alves Júnior
miltonalvesjunior@jornaldodiase.com.br

Com a aproximação da noite de São João cresce o movimento de pessoas nos principais polos comerciais de frutas, hortaliças e alimentos típicos deste mês de junho, em Aracaju. Ao contrário dos últimos 15 anos, os preços dos produtos apresentaram uma redução unificada e essa redução inflacionária na capital sergipana tem contribuído para que centenas de consumidores migrem das feiras livres e redes de supermercado para o Mercado Albano Franco e para a Central de Abastecimento de Aracaju (Ceasa). A reposta para significativo baixo custo dos alimentos pode estar relacionada diretamente ao fator climático que nos meses de abril e maio foi ‘generoso’ com o agricultor rural em toda Região Nordeste.

Apresentando uma redução de 20% se comparado ao mesmo período do ano passado, o milho, principal produto procurado nos últimos 60 dias, sustou todas as expectativas de valorização financeira e hoje a ‘mão’, termo usado pelos feirantes para vender 100 espigas do alimento, é vendida em média por R$ 18. Há pouco mais de 15 dias esta mesma quantidade era comercializada por R$ 26 e a perspectiva por parte dos feirantes era de aumento até este final de semana. Diante da redução, já na manhã de ontem era possível identificar um grande movimento de consumidores nos mercados. Para atender a demanda, a cada hora novos caminhões carregados com milho chegam à cidade.

Na esperança de registrar bons lucros nestes festejos juninos, a vendedora Maria Ângela Rocha, moradora do município de Santo Amaro das Brotas, garante que o aumento de fregueses tem contribuído para que todos os vendedores já almejem recorde nas vendas. Para ela, as chuvas registradas nos estados da Bahia, Alagoas e Pernambuco contribuíram para que os preços em Sergipe também reduzissem. "Nossos vizinhos estão chegando aqui com os preços lá embaixo e nós também acabamos reduzindo os valores porque tivemos uma safra muito boa. Os milhos estão com muita qualidade como todos podem ver, grande, e sem agrotóxicos. As vendas não estão boas, estão maravilhosas, graças a Deus", disse a comerciante.

Paralelo a redução dos preços do milho, outros alimentos também bastante procurados estão agradando os aracajuanos com o preço que foi tabelado neste final de semana. A laranja, por exemplo, é vendida em média dez por R$ 1. Em algumas barracas é possível encontrar o mesmo alimento sendo repassado sete por R$ 1. A diferença fica por conta do tamanho e origem da fruta cítrica. Já o coco ralado, essencial na produção das refeições típicas, é vendido por até R$ 1,80 a unidade; e o amendoim, a lata de um 1L é revendido por R$ 2. Para muitos clientes, essa é uma boa oportunidade para garantir a ceia junina no real estilo nordestino.
"O que me chama atenção é que esses preços baixos chegaram logo nas vésperas de São João e São Pedro. Período que por tradição apresentam é um salto gigantesco. Vou voltar pra casa com o carro cheio, já com as coisas para o São Pedro. Se daqui pra lá aumentar eu já fiz minhas compras mais cedo", declarou o técnico de eletricidade, Alexandre Matos. No Mercado Albano Franco é possível encontrar o quilo da macaxeira custando R$ 1,30, R$ 0,20 mais barato se comparado ao último final de semana; a dúzia de ovos por R$ 3,50, a depender do tamanho e tipo; quilo do queijo coalho é vendido por R$ 11, em média; e a castanha sai por R$ 26,50, o quilo.

Apesar dos atuais valores estarem abaixo do esperado, economistas enaltecem a necessidade de pesquisar os preços antes de fechar as compras. Segundo o especialista Hudson Castanheda, a arte da pechincha pode, e deve ser explorada. "Faz parte do comércio brasileiro, e se a gente não pesquisar bem e conversar com os feirantes nossas economias podem não ser a que realmente desejamos. Pesquisar faz bem para o diálogo, e mais ainda para o bolso do consumidor", afirmou. Em horário diferenciado, o Ceasa inicia os trabalhos neste domingo às 6h e segue até às 15h. Amanhã o atendimento é de 6h às 19h. No mercado Albano Franco o atendimento será das 6h às 13h. Amanhã será das 6h às 16h.

Compartilhe esta notícia