O Comitê Sergipano do Desarmamento apresentou ontem um relatório sobre as armas de fogo entregues pela população nos postos de atendimento da Polícia Civil, bem como a entrega do relatório consolidado dos anos de 2011, 2012 e 2013. Ao todo, 663 armas de diversos calibres foram entregues voluntariamente aos postos da Campanha em todo o estado, resultando em uma média de 18,4 armas por mês. Em paralelo, a polícia apreendeu 6.744 armas de fogo nos últimos quatro anos e meio. Os números apontam que no ano de 2008 foram apreendidas 115 armas, subindo para 1.338 em 2009; 1.686 em 2010, chegando a 1.686 em 2011; em 2012, 1.551 e finalmente até junho de 2013, 896 armas de fogo saíram de circulação.
O resultado prático foi uma redução de 13,83% no número de homicídios em Aracaju, com quedas significativas nas mortes em bairros considerados críticos, como o América e o Olaria. "É uma média exitosa. Óbvio que nós queremos muito mais do que isso, porque quanto menos armas circulando em Sergipe, muito mais sensação de segurança e uma maior diminuição da violência. Percebe-se que a retirada das armas das ruas só tende a lograr êxito no objetivo de reduzir a violência e promover a cultura de paz", comemora o coordenador do Comitê, Fábio Costa, citando estimativas da ONG Viva Rio e do Pronasci (Programa Nacional de Segurança com Cidadania), as quais apontam que, a cada oito armas de fogo entregues voluntariamente, uma vida é salva.
O Comitê também criou 95 postos de entrega voluntária de armas em Sergipe, somando todas as delegacias da Polícia Civil às unidades das polícias Federal e Rodoviária Federal. Além disso, foi implantado o Desarma Sergipe (Caravana do Desarmamento), uma campanha itinerante para entrega voluntária de armas que percorreu oito municípios sergipanos, incluindo Lagarto, Simão Dias e Itabaianinha.
O secretário-adjunto da SSP, João Batista Santos Júnior, Batista anunciou que o Comitê terá mais recursos do governo federal para ampliar suas ações em 2014. Serão R$ 380 mil do Ministério da Justiça e outros R$ 100 mil provenientes de emendas parlamentares ao Orçamento da União. "Vamos ter mais recursos para melhorar e ampliar a ação do Comitê do Desarmamento, que a SSP entende ser muito importante para o combate à violência. Ele conseguirá ir mais para o interior, ter mais mobilidade e visibilidade. Sabemos que a repressão é importante e nós fazemos diuturnamente na SSP, mas entendemos também que prevenção e a conscientização da população surte muitas vezes um efeito maior que a repressão", disse o secretário-adjunto.
As armas de fogo de qualquer calibre devem ser inutilizadas e entregues em qualquer delegacia da Polícia Civil, da Superintendência da Polícia Federal ou nos postos da PRF. O dono da arma pode fazer isso após preencher e imprimir uma guia de trânsito que pode ser obtida no site www.entreguesuaarma.gov.br. A emissão desta guia é obrigatória, pois a falta dela pode resultar em uma prisão em flagrante por porte ilegal de arma. É garantido o anonimato pleno, quando o dono pode entregá-la sem se identificar ou revelar sua origem. Também será paga uma indenização em dinheiro, que varia de R$ 150 a R$ 450 por arma, a depender do calibre. Outras informações pelo site da campanha ou pelo telefone 194.


