Comunidade da zona norte protesta interditando avenida

Milton Alves Júnior

Cansados de esperar por melhorias em vias do loteamento Moema Meire, bairro Cidade Nova, em Aracaju, moradores realizaram na manhã de ontem um ato público com o propósito de chamar a atenção do prefeito João Alves Filho. Por volta das 6h30 aproximadamente 40 pessoas invadiram parte da avenida Euclides Figueiredo e criaram uma barreira de fogo usando pneus, galhos de árvore e móveis velhos. Conforme lamentações dos populares, há mais de 15 anos a comunidade sofre com insegurança das vias públicas onde motoristas costumam transitar em alta velocidade, fato este que contribui para o aumento de graves acidentes na região.

O último registro de sinistro foi na tarde do sábado, 21, quando um ciclista foi atropelado por um carro que, segundo algumas testemunhas, teria deixado o local sem prestar os devidos atendimentos. A vítima foi atendida pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e encaminhada para o Hospital de Urgência de Sergipe (Huse), onde permanece internada sem previsão de alta médica. Os moradores exigem que a pavimentação do loteamento seja qualificada, e que, como medida paliativa, enquanto a situação não seja parcialmente resolvida, semáforos, radares e redutores de velocidade – tipo quebra molas sejam fixados nas ruas e avenidas mais movimentadas.
Diante da proporção que alcançou a mobilização popular, outros moradores agregaram a ação e passaram a exigir, também, melhorias imediatas no serviço de saneamento básico. Outro problema que incomoda a comunidade há mais de uma década.

Avaliando a atual gestão como omissa, o gráfico André Menezes informou que durante a campanha eleitoral o atual prefeito garantiu que os problemas seriam solucionados em até dois anos. "Esse prazo já acabou em janeiro. Muito pelo contrário, a gente sempre busca conversar com os diretores e não consegue. Com João Alves é que não conseguimos falar mesmo, mas na campanha ele esteve aqui e prometeu soluções", lamentou.

Por volta das 8h30 o incêndio que bloqueava a pista para a passagem dos veículos foi devidamente apagado sem nenhum impasse criado pelos manifestantes junto aos homens do Corpo de Bombeiros Militar. No momento que os moradores começaram a se dispersar chegou a informação que a Prefeitura de Aracaju possui um processo judicial que inviabiliza a realização de qualquer investimento público na região. Conforme relatos da Assessoria de Comunicação da Empresa Municipal de Serviços Urbanos (Emsurb), o loteamento trata-se de uma área irregular.

Diante desta situação que complica o pleito da população, outras manifestações devem ser realizadas nos próximos 30 dias. "Não podemos simplesmente ficar de braços cruzados só olhando a prefeitura esperar o resultado dessa ação que é contra a população mais carente do bairro. Se estamos aqui é porque precisamos de uma moradia, e nunca ninguém disse que era um local irregular. Se o prefeito continuar sem dar valor a gente, as manifestações vão continuar e a avenida voltará a ser fechada", alertou a doméstica Ana Licia dos Santos.

Diretores da Emsurb relataram que o processo atualmente em trâmite na justiça foi movido pelo Ministério Público Estadual (MPE), e que nenhum órgão municipal pode realizar qualquer tipo de obra no local.
Essa determinação, ainda segundo a prefeitura, permanece até que os autos sejam julgados. Quanto aos novos atos públicos, possíveis datas e locais não foram divulgados pelos moradores. Agentes da Polícia Militar e Guarda Municipal acompanharam a mobilização. Apesar do conflito verbal entre agentes militares e população, não houve registro de prisões. Para tentar reorganizar o fluxo de veículos foi preciso a ação de agentes da Superintendência Municipal de Transporte e Trânsito (SMTT).

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