Condenado participou de sequestro em restaurante

A população sergipana prendeu a respiração durante cinco horas, entre a tarde e a noite do último sábado, quando dois homens armados invadiram o restaurante de comida japonesa Gohan, no bairro Atalaia (zona sul de Aracaju). Por volta das 15h30, durante o fim do expediente, eles tentaram assaltar o estabelecimento e, durante a fuga, trocaram tiros com policiais militares e tomaram cinco funcionários como reféns. O restaurante foi cercado por cerca de 50 policiais de várias unidades, que conseguiram a rendição dos bandidos após uma longa e tensa negociação.

A surpresa veio com a identificação de um dos captores: Dorgeval Luciano dos Santos, o "Compadre", 47 anos, condenado a 21 anos de prisão por ter participado do assassinato do deputado estadual Joaldo Barbosa, em janeiro de 2003. Ele havia progredido para o regime semiaberto em 2009 e cumpria atualmente a prisão domiciliar. Ele estava acompanhado do sobrinho, Cleverton Luciano da Luz Santos, 27, que tem passagens por tráfico e estava foragido da Penitenciária Estadual de Areia Branca (Peab) desde dezembro de 2012. Os dois estavam com um revólver calibre 38 que foi usado no assalto.
Segundo o porta-voz interino da PM, capitão Charles Victor, os dois acusados chegaram ao local como clientes, pedindo cerveja e esperando a saída dos clientes. Ao serem avisados que o restaurante estava fechando, eles anunciaram o assalto e obrigaram os funcionários a entregarem o dinheiro. Dois cozinheiros conseguiram escapar e avisaram do assalto ao dono do restaurante, que correu até à Orla e avisou a policiais da Companhia de Policiamento de Turismo (CPTur). Na chegada, a dupla deu o tiro contra os policiais e voltou para o Gohan, iniciando o sequestro. Reforços foram chamados e, em pouco tempo, a rua do restaurante foi isolada e cercada por militares da CPTur, Comando do Policiamento Militar da Capital (CPMC), Serviço Reservado (PM-2), Batalhão de Polícia de Radiopatrulha (BPRp) e Comando de Operações Especiais (COE).

Durante o cerco, a dupla de assaltantes exigiu a presença de familiares, de um advogado e de cinegrafistas de emissoras de TV que entraram sob orientação da polícia, além de um carro e coletes balísticos. "Com a garantia de que a imprensa, a família e o advogado iriam acompanhar a rendição, os infratores aceitaram se entregar de forma pacífica. Assim, seguindo as orientações dos negociadores, primeiro os reféns foram liberados e em seguida saíram os autores", informou o capitão Charles.
Todos os funcionários receberam atendimento médico e passam bem. Dorgeval e Cleverton forma levados para a Delegacia Plantonista (Centro) e autuados pelos crimes de roubo qualificado, cárcere privado e porte ilegal de arma. O caso será investigado pelo Complexo de Operações Policiais Especiais (COPE). (Gabriel Damásio)

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