Domingo, 14 De Agosto De 2022
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Cinema, gênero e identidade


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Publicado em 27 de maio de 2022
Por Jornal Do Dia Se


Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br

Queira o leitor, não queira, as questões de gênero estão entre os temas mais debatidos nos dias correntes. Há quem torça o nariz para os conflitos entre identidade, gênero e sexualidade, assustado com a confusão dos papéis atribuídos a homens e mulheres. Uma das frentes de batalha na guerra cultural travada entre conservadores reacionários e os progressistas entusiastas da diversidade, o tema é abordado de modo magnífico em filme que estreia no Cine Vitória.
‘Miss França’, longa metragem do diretor luso-francês Ruben Alves (‘A gaiola dourada’), é classificado como uma comédia, mas se atreve a dar alguns passos além dos limites da alegria e do riso. O filme é protagonizado por Alexandre Wetter, jovem modelo da Jean-Paul Gaultier que se vale da androginia para interpretar Alex, um jovem não binário decidido a vencer o concurso de beleza Miss França. O ator estreante foi indicado ao César, em 2021, como revelação masculina.
Para participar do concurso, Alex assume o nome de Alexandra e, cercado de sua família, enfrenta as fases e percalços do concurso. Em entrevista ao site português C7nema, Alves conta que ‘Miss França’ surgiu de seu contato com Wetter e da vontade de descobrir quem somos.
“Tinha muitas ideias, já tinha escrito coisas com as quais não estava contente, que não me satisfaziam completamente. Quando encontrei o Alexandre, toda a sua luz – até porque é alguém muito positivo – fascinou-me. Ele contou-me a sua história e fiquei fascinado. A coragem que temos que ter hoje em dia para sermos diferentes numa sociedade que dá uma imagem super libertina, mas afinal – e cada vez menos – aceita a diferença”.
Já o ator confessa, em entrevista à Vogue, que o filme foi um excelente desafio. “Tive de me adaptar à personagem. Apesar de termos muito em comum, tive de aprender muito com a personagem. O Ruben deu-me uma oportunidade de ouro de interpretar uma personagem muito sútil, para a qual a precisão era uma prioridade.”
Ele também aponta que Alex é uma personagem universal, “que vai além do sexo e do gênero. É uma personagem determinada a viver os seus sonhos e dar ouvidos aos seus desejos – e então decide aceitá-los e desafiar a ordem estabelecida. Esta personagem fala para toda a gente, até para aqueles que vivem bem neste mundo padronizado e que podem ajudar pessoas que não correspondem ao standard a fazer da sua unicidade um não-assunto”.
Alves, que assina o roteiro com Elodie Namer, conta que pediu ajuda a Sylvie Tellier, ex-Miss França e atual diretora do concurso. “Estive com ela no início e disse: Sylvie, você tem de me dizer uma coisa, senão para mim é muito difícil escrever algo que na minha cabeça penso que é impossível. Era possível acontecer isto? Ela disse: ‘Era, pela razão muito simples que eu nunca vou ver se é uma mulher ou um rapaz. Vejamos que o Alex é completamente mulher e tem os documentos falsos. Eu nunca vou ver se é ou não é’. Aliás, ela me disse que há dois anos houveram dúvidas sobre uma candidata em Toulouse e não a escolheram, pois não queriam um escândalo”.

Sinopse – Desde criança, Alex tem a ambição de se tornar Miss França. Aos 24 anos, ele recupera o sonho de infância e, escondendo a sua identidade masculina, entra na competição pelo título da mais bela mulher francesa. Apoiado por sua excêntrica família, Alex vai enfrentando as fases do concurso e descobrindo um mundo de beleza, exigência e sofisticação, no qual o maior prêmio será a felicidade de ser ele mesmo.
‘Miss França’ é exibido pelo Cine Vitória em duas sessões: Sábado, 28, às 16h45; e domingo, 29, às 18h30.

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