Sábado, 13 De Agosto De 2022
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De sol a sol


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Publicado em 02 de agosto de 2022
Por Jornal Do Dia Se


Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br

O trabalhismo está fora de moda. Segundo as más línguas, os folhetos largados no chão de fábrica foram varridos pela emergência das pautas identitárias. Homens e mulheres, pretos e brancos, gays, lésbicas, travestis, todos trabalham, no entanto – transpiram de sol a sol, na esperança vã de ver a vida melhorar, um dia.
Para a maioria, a vida é luta. Fala-se aqui dos trabalhadores operários, gente que pega no pesado. Mas também daqueles que lidam com a imaginação, torneiros das ideias. Carlos Pronzato é destes. Câmera à mão, ele registra, testemunha, documenta. No conjunto da obra, mais de 80 filmes, amplia a voz dos marginalizados.
Trabalhador, sim senhor. Lembro do forte impacto que me tomou, há muitos anos, ao ser abordado pelo sujeito. Ele parecia um doido, sob a barba imensa e os cabelos desgrenhados. Estendeu a mão ao estagiário surpreendido na redação do jornal e se apresentou com o sotaque empoeirado, repleto de mares e estradas. Carlos Pronzato. O nome, então, não me dizia nada. Assina, no entanto, o documentário ‘A revolta do buzu’ (2003), um atestado de filiação dos mais aguerridos. Foi a primeira vez que vi um cineasta de verdade, em carne e osso. E o homem já tinha lado.
Se trabalho é suplício (penso aqui na etmologia da palavra, na exaustão do hamster confinado numa roda), a falta de meios e oportunidade para pegar no batente é mais penosa ainda. Eis o fantasma que ronda Pronzato. Sempre na batalha, ele viajava entre Bahia e Alagoas, onde participaria do debate de um filme, quando a sua sorte mudou. Antes de chegar ao destino pretendido, o seu ônibus foi abordado por assaltantes. Levaram-lhe o notebook, entre outras ferramentas de trabalho essenciais, além de um terabyte de imagens arquivadas. Restou-lhe apenas a câmera, mais nada.
Felizmente, a CUT-BA reconhece em Pronzato um companheiro de armas, por assim dizer. A identificação é tamanha, a ponto de a Central encabeçar uma campanha, tendo em vista a compensação do prejuízo sofrido pelo cineasta. A esperança de reaver o produto do assalto é zero. Resta, portanto, a divulgação do fato, uma aposta na solidariedade.
O equipamento de Pronzato é estimado em mais de R$ 5 mil. O pix do cineasta é: carlospronzatodoc@gmail.com

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