Sábado, 06 De Agosto De 2022
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Ferver na magrela


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Publicado em 26 de julho de 2022
Por Jornal Do Dia Se


Cheio das ideias

Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br

Aguardo Fúria, o livreiro responsável pelos mundos alinhados no mundo ainda muito limitado de minhas prateleiras. O amigo vive de um comércio tão nobre quanto inviável, acena com beleza, empunha o cinzel da linguagem em troca de tostões furados.
Nunca foi fácil, a lavoura das ideias. Entre o pão e o sonho, duas fomes distintas, o primeiro se impõe, implacável. Num país de homens famintos, o livro é um luxo reservado aos intelectuais e os esnobes, uma mania anacrônica de gente bem nutrida, um privilégio.
Vender livros a preço de banana, como faz Fúria, nunca foi fácil. Hoje, no entanto, o abrutamento da população é projeto de Estado. A presidência da República serve agora a milícias armadas, os grileiros, os garimpeiros ilegais, trabalha com afinco para dificultar a fiscalização sobre o arsenal em circulação no País, reduz os impostos para a importação de armas em detrimento do investimento necessário em matéria de Cultura e Educação. Não à toa, Bolsonaro opõe os clubes de tiro às bibliotecas.
Fúria segue firme e forte, no entanto, cruza a cidade inteira de uma ponta a outra com uma ruma de livros socados na mochila pendurada às costas, equilibrado sobre uma bicicleta. Ele resiste, para além das palavras de ordem entoadas nas cirandas progressistas. Vende livros, comércio ingrato. O coração bombando, como na única música boa de Curumim, fever na magrela.
Aguardo Fúria com os meus livros, passo um café para receber o amigo. Ele há de chegar logo, entupido de palavras, falando pelos cotovelos, acelerado, arauto de velhas e preciosas novidades, cheio das ideias.

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