Sexta, 12 De Agosto De 2022
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Filme premiado no Cine Vitória


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Publicado em 20 de maio de 2022
Por Jornal Do Dia Se


Entre a expectativa e a realidade.

Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br

Curta-metragista premiada, diretora de filmes como ‘L’ e ‘Os Irmãos Mai’, Thais Fujinaga estreia com êxito na direção de longas. ‘A felicidade das coisas’ ganhou o prêmio da Associação Brasileira de Críticos de Cinema, a Abraccine, na Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, além do prêmio de roteiro e atriz coadjuvante (Magali Biff), no FestCine Aruanda. Nada mal.
No longa, Paula (Patrícia Saravy) tem 40 anos e está grávida de seu terceiro filho. Ela se hospeda com as crianças na modesta casa de veraneio que a família comprou há pouco, no litoral paulista. Além dos filhos, ela também conta com a presença de sua mãe (Magali Biff). Entre as melhorias que pretende fazer no imóvel, a construção de uma piscina ganha prioridade, embora as circunstâncias não se mostrem muito favoráveis ao projeto. Ao mesmo tempo, seu filho adolescente está se afastando, uma contingência do próprio amadurecimento.
Fujinaga classifica o filme como uma combinação de memória e invenção, entre lembranças de sua infância e a imaginação. O roteiro assinado pela diretora faz analogias entre os acontecimentos mais concretos do filme com a situação do Brasil num delicado momento de impacto político.
“A felicidade das coisas nos aproxima de uma mulher que experimenta uma espécie de ressaca, o refluxo de todas as coisas pelas quais ela ansiava, mas não podia ter. Através dela, vemos como o amor materno pode se revelar de formas tortuosas, afetado por sentimentos de ressentimento e de culpa. Paula luta contra as impossibilidades materiais como uma forma de escapar de suas frustrações e trazer alegria para a vida de sua família. Seus esforços acontecem no campo do consumo, ela quer ter uma piscina”, explica a diretora.
Ela conta também que o longa foi rodado exatamente na região onde passou os verões de sua adolescência, e o que impulsionou o filme foram “minhas lembranças daquela época, juntamente com meu interesse em discutir dinâmicas sociais desenvolvidas em espaços específicos, me deram a motivação para começar a pensar sobre esta história.”
Ela ressalta que, quando filmou, em 2019, o país estava em meio a um revés político, social, cultural e econômico. “Estávamos filmando enquanto a Ancine, a agência federal responsável pelo desenvolvimento do cinema nacional, estava sendo destruída pelo novo governo. O primeiro longa poderia ser o último. A piscina de Paula e o filme que estava sendo feito começaram a ter um significado análogo para mim – ambos eram o símbolo de um ‘quase lá’, da felicidade que tinha que ser adiada.”
Outro interesse da diretora, que a acompanha desde seus curtas, é a infância. Em todos seus filmes há crianças e adolescentes.
“Eu sempre tive boas experiências com essas faixas etárias. A atriz e preparadora Thais Medeiros preparou o Messias Gois e a Lavínia Castelari [que fazem os filhos de Paula], passou a história toda com eles sem mostrar o roteiro, e fez exercícios teatrais para trazer segurança e desenvoltura para cada um. Eu me concentrei nas adultas. E, num certo ponto, juntamos todo mundo para ensaiar. Esses encontros foram super importantes para desenhar a família e foi muito especial ver esses quatro se achando em suas personagens.”
Fujinaga destaca que, em seus filmes, o trabalho com o elenco é fundamental, e vê seu relacionamento no set com atrizes e atores como uma espécie de elo entre seus curtas e seu longa de estreia. “No meu primeiro filme, ‘Hoje é o seu dia’, eu tive muita dificuldade de dirigir as atrizes. Eu me sentia tímida para dizer para uma atriz, com muito mais experiência, o que eu queria da cena, o que eu queria dela, ou o que eu não queria. Depois desse curta, eu me dediquei muito a pensar formas de me relacionar com atrizes/atores, formas de tornar possível um trabalho de fato conjunto entre direção e elenco, e sinto que isso está refletido aqui.”
O Cine Vitória exibe ‘A felicidade das coisas’ nesta sexta-feira (20), em sessão realizada às 17 horas.

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