Sábado, 06 De Agosto De 2022
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O “eu” do artista


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Publicado em 31 de maio de 2022
Por Jornal Do Dia Se


Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br

Motivos para cerrar os punhos não faltam. O pão caro, a liberdade pouca, pularam do poema. Mesmo assim, anterior aos versos, a vida faz exigências. Contra tudo, contra todos, é preciso realizar o impossível, mover céu e terra para ser feliz.
A conclusão é minha, após ouvir ‘Da boca pra dentro’, álbum recém lançado de Marco Vilane. Em boa hora, o cantor se enche de coragem para arreganhar os dentes e sorrir. Não se trata de negar os acontecimentos, ignorar a sombra do fascismo, os famintos, a procissão dos infelizes. Mas de responder às questões postas com uma afirmação positiva. Sereno, o artista busca o refúgio das pequenas alegrias. Questionado pela sorte, ele responde “sim”.
Não é à toa que, entre as 10 faixas do registro, Vilane gravou Gonzaguinha, embalado pela sanfona carinhosa do sergipano Mestrinho. ‘Eu apenas queria que você soubesse’ adverte e apazigua os amigos, estende um cadinho de otimismo. Apesar de todos os pesares, estamos vivos, firmes e fortes, espalhados por aí.
‘Da boca pra dentro’ passa ao largos de protestos pontuais, os mais aguerridos, ignora modismos. Não há gritos, nem ranger de dentes, mas um esforço de compreensão muito íntimo. O batismo do álbum, aliás, não poderia ser mais sugestivo. A música escoa como uma fonte de água fresca, plácida, límpida, da primeira à última faixa. Vilane jamais levanta a voz.
Os observadores mais atentos já apontaram a cultura de morte que adoece os incautos tragados pelo vórtice do ódio – matéria farta em posts, debates, embates, bate-bocas, discussões. Embora não faça uma alusão declarada à atmosfera dos dias correntes, Marco Vilane adota aqui uma postura diversa. Atento a tudo, o “eu” do artista jamais descuida do outro, nem de si.

Criador e criatura – Marco Vilane é cantor, compositor, músico e poeta, natural da Bahia. Com roupagem contemporânea e pitadas da poesia nordestina, tendo a canção como elemento mais importante, trazendo sempre a modernidade e realizando um resgate da tradição da música popular brasileira.
‘Da boca pra dentro’, contou com participações especiais de Zélia Duncan, Mestrinho e Kleber Albuquerque. O disco tem sonoridade atual, com pitadas de reencontro com a poesia nordestina clássica, aquela de outrora, dos tempos de menino.é o varal que abriga suas andanças, seu trânsito.

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