De primeira

Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br

O amigo Djenal, misto de anfitrião e leão de chácara do bistrô mais concorrido da aldeia, não resiste a uma piada maldosa. Intimado a batizar o novo projeto abrigado por A Casa do Mangue, cozinha instalada pela chefe Roberta Nascimento à beira do Rio Poxim, o malandro não pensou duas vezes: Músicas de Quinta.
A ideia original foi substituída por um nome mais adequado aos propósitos comerciais do estabelecimento, adaptada para Canções da Quinta. Perde em safadeza, mas comunica a intenção de receber eventuais comensais com bons acordes, em dia e hora marcada, com todas as letras. Malicioso, eu lamento. Mas não há o que fazer.
O banquinho, o violão, diga-se logo, cabem ao jovem Mildes – cantor e compositor dos mais promissores, cheirando a mijo ou a leite, a depender dos pruridos do leitor. O menino lançou recentemente o EP ‘Encarnação’, a disposição dos curiosos em todas a plataformas de música em streaming. Nas rodas mais espertas da província, entretanto, o danado é conhecido pelas canções ‘Como se fosse um cordel’ e ‘Bloco Mar Azul’, dois hits em potencial.
A Casa do Mangue, aliás, faço questão de reafirmar, localiza-se em uma curva especialmente sensível do Poxim, suscetível a todo tipo de confluência. Das panelas de Roberta, por exemplo, emana a brisa fresca daquele curso d’água, aratus, mariscos, aliada à mais saborosa tradição italiana. No palco improvisado do bistrô, macacos velhos da estirpe de Pedrinho Mendonça convivem com os roques e os sambas da molecada, todo mundo junto e misturado.
Mais das vezes, e isso ocorre ao longo de todo o veio serigy, quem paga o couvert não se dispõe a ouvir os trinados do artista se esgoelando no microfone. O repertório de bar é, quase sempre, o mais manjado. Quem se dispor às Canções da Quinta abrigadas pela Casa do Mangue, no entanto, pode se surpreender com o gogó de Mildes. O leitor fique à vontade para me cobrar.

Compartilhe esta notícia