A pesquisa, o debate, a troca de experiências e saberes marcaram os três dias de programação do XLI Simpósio do Encontro Cultural de Laranjeiras, que encerrou suas atividades, nesta sexta-feira, 08. Promovido pela Secretaria de Cultura do Estado (Secult), o evento abordou nesta edição o tema "Cultura Popular e Contemporaneidade: Memória Gestão e Diversidade" o Simpósio deste ano discutiu os movimentos das manifestações culturais e seus ajustes nos novos tempos, reunindo no Campus da Universidade Federal de Sergipe (UFS), em Laranjeiras, professores, especialistas, mestres e artistas.
A programação do Simpósio fechou com a escolha do Simpósio do Encontro Cultural de Laranjeiras de 2017 que será "Cantoria: da viola ao cordel", definido em Plenária a partir de sugestões e votação aberta do público, e com uma aula show apresentada pelo músico Silvério Pessoa. "Trabalho com a formação de há mais de dez anos, e sempre tracei essa relação da cultura popular com os diálogos contemporâneos. A minha geração reverencia a salvaguarda da cultura, mas não de uma forma engessada. Meu trabalho é híbrido, que mistura a música da Zona da Mata com a urbana, mostrando que a cultura é dinâmica", contou o músico.
Na Mesa Redonda da manhã, foi abordado o tema "Diversidade das Práticas Culturais", mediada pelo diretor do Campus Laranjeiras da UFS, Gilson Rambelli. A Presidente da Comissão Sergipana e da Funcaju, Aglaé D’ávila Fontes, foi a primeira conferencista a se apresentar, trazendo sua pesquisa sobre as diversas práticas culturais de Sergipe, desde as expressões da linguagem típica à danças, cantigas e brincadeiras populares.
Já o professor espanhol da Universidade de Tarragona e do Museu Etnológico de Barcelona, Raul Sanfra Francés, apresentou sua pesquisa sobre as festas populares de raízes Mouras, que ocuparam a costa mediterrânea, e seus conflitos com os Cristãos. Por outra perspectiva, o professor da Faculdade Maurício de Nassau, Fernando Aguiar, debateu sobre o acesso a cultura como um dos meios de garantir os direitos em torno da diversidade.
A professora da UFS, Germana Gonçalves de Araújo, falou sobre a participação do designe para a difusão das atividades culturais, enquanto a atriz e professora da UNEB, Isa Trigo, trouxe a diversidade a partir da perspectiva do ator. "Diversidade cultural é respeitar o estranho do outro, experimentar o lugar do outro. Precisamos aprender a dialogar com os nossos personagens e com os personagens das outras pessoas", ressaltou em sua fala.
Durante a manhã, também ocorreu o lançamento do "Selo Conexão Nordeste" com a presença do Secretário de Estado da Cultura, Elber Batalha; do representante do Rio Grande do Norte, Aluízio Matias; de Pernambuco, Diego Santos; e do Ministério da Cultura, Carlos Henrique Chenaud. A marca irá identificar os projetos de intercâmbio cultural, entre os Estados da Região, realizados com financiamento público. Na sequencia também foi destacada a participação do 4º Fórum de Patrimônio e Festa, realizado pelo Grupo de Pesquisa Sociedade e Cultura da UFS.
Estudantes da Escola Estadual Cônico Filadélfo Oliveira, de Laranjeiras assistiram aos três dias de debates, atentos aos temas abordados pelos palestrantes. "Esta é a primeira vez que vim ao Simpósio e achei maravilhoso. Gostei muito das palestras, principalmente a do professor espanhol que mostrou alguns grupos de lá. Também fiquei muito feliz em poder participar da votação do tema do Simpósio do ano que vem", destacou o aluno do 9º ano, Gabriel Nascimento.
O Simpósio conta com o apoio da Universidade Federal de Sergipe (UFS), Universidade Tiradentes (Unit), Superintendência Regional do Instituto do Patrimônio Artístico e Nacional (IPHAN/SE), Prefeitura Municipal de Laranjeiras, Aperipê e Instituto Hélvio Dória Maciel Silva. Todas as atividades são abertas ao público.


