Milton Alves Júnior
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Servidores terceirizados que atuam na Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados (Fafen), em Sergipe, permanecem em greve geral em virtude da demissão sem justa causa do funcionário Edielson Vieira, ocorrida na última sexta-feira, 19. De acordo com os manifestantes que promoveram atos públicos em frente à sede da fábrica, no município de Laranjeiras, o profissional foi dispensado do quadro funcional em virtude de ter denunciado oficialmente irregularidades em um contrato realizado recentemente por gestores da Fafen. Aglomerados desde as 5h de ontem, o grupo pretende intensificar as mobilizações a fim de pressionar a diretoria para recontratar Edielson. Caso o pleito não seja atendido, a categoria permanecerá de braços cruzados por tempo indeterminado.
Dizendo-se criticado e perseguido por chefes de vários setores após as denúncias, o trabalhador demitido afirmou que o clima estava ‘insuportável’ e ‘impiedoso’, ao ponto de ter compartilhado essas perseguições aos demais representantes da categoria. Insatisfeito com a decisão apresentada pelo superior imediato, Edielson – conhecido popularmente como ‘Miudinho’, declarou que, apesar das pressões internas, não imaginava que poderia ser demitido por tentar corrigir erros administrativos. Segundo declarações do funcionário, as informações quanto aos procedimentos inconstitucionais foram denunciadas por petroleiros que solicitaram a publicação do fato no boletim informativo produzido pela categoria.
Sensibilizados com a atitude avaliada como abusiva, servidores concursados também decidiram, por unanimidade, apoiar a causa dos terceirizados. "Eu quando fui chamado para ir até a sala do engenheiro, e jamais passou pela minha cabeça que eu seria demitido por este fato, mas acabei sendo surpreendido por uma atitude coletiva que considero democrática. Depois da publicação dessa nota no informativo interno, eu não tive mais sossego dentro dessa unidade", afirmou.
Diante das denúncias de lavagem de dinheiro e corrupção generalizada na Petrobras, os manifestantes alertam os sergipanos para que possam burlar o medo de ações de repressão como foi sofrida por Edielson Vieira, e busquem denunciar possíveis novos atos de irregularidade articulada por gestores da estatal. Ciente da força trabalhista, os profissionais dizem não retomar os serviços caso Miudinho não tenha a respectiva demissão cancelada.
Segundo o sindicalista Stoessel Chagas, é preciso exigir que os direitos e integridade operacional dos servidores sejam devidamente garantidos, independente do profissional denunciar, ou não, possíveis irregularidades. Para ele, a demissão ocorrida na semana passada representa um retrocesso para a classe trabalhadora. "Estamos vivenciando escândalo atrás de escândalo e não podemos aceitar que o Miudinho, homem de caráter e responsável com todos os seus serviços seja simplesmente demitido por ter denunciado uma prática irregular. É preciso que os demais terceirizados e servidores se juntem a essa causa, como também os órgãos de fiscalização", declarou. Durante todo o dia de ontem engenheiros e supervisores estiveram reunidos para debater a possível anulação da demissão.
A direção da Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados informou que uma nota oficial contendo o resultado dos debates internos seria divulgada aos meios de comunicação. Até o final da tarde de ontem essa informação não foi repassada ao Jornal do Dia. Compartilhando com as declarações de Stoessel, o petroleiro Carlos Alberto dos Santos, que possui 34 anos de serviço no Estado de Sergipe, destacou a união do grupo. Para ele, é preciso que os demais companheiros deixem a neutralidade de lado e busquem apoiar a mobilização. "Esse ato não é apenas pelo Miudinho não, é por todos. Se isso aconteceu com ele, pode acontecer com qualquer outro mais a frente e nós não podemos apenas ficar assistindo esse desrespeito sem tomar nenhuma atitude", alegou.
Durante o ato que durou mais de quatro horas, apenas um grupo de diretores teve acesso às dependências da unidade Fafen, em Laranjeiras, com o propósito de articular as reuniões que contaram com a presença de sindicalistas. "Nós não vamos abrir mão dessa nossa atuação aqui porque é um desrespeito o que fizeram com o companheiro Edielson Vieira. Enquanto ele não for convocado para ser readmitido, nós não iremos retomar as atividades que nos compete", definiu Carlos Alberto.


