Desculpe o modo

 

* Rian Santos
Segundo Nelson Ro
drigues, o que não se 
repete permanece inédito. E como nada mudou desde quando a dupla Chiko Queiroga e Antônio Rogério comemorou quinze anos de estrada, em 2013, este jornalista fica à vontade para reafirmar o próprio ponto de vista: Entronado nas próprias conquistas, nenhum artista pronuncia algo de serventia sobre o aqui e agora de sua gente.
Um sujeito maldoso poderia afirmar que Chiko Queiroga e Antônio Rogério montaram na serpente cantada desde quando eu me entendo por gente, tomaram gosto pela brincadeira e nunca mais apearam da bicha. Não faltaria com a verdade. A dupla tem uns bons anos de estrada, mas há pelo menos três décadas – ‘Cor de Laranja’, um dos discos mais preciosos do cancioneiro sergipano, último rebento criativo digno da palavra, foi lançado por Queiroga em 1990 – que suas canções se negam a qualquer azedume. 
Não se trata aqui de negar os feitos alheios. Poucos músicos podem se gabar de uma lista tão extensa de canções gravadas na memória coletiva de um lugar. ‘A Mestiça’, ‘Serpente’, ‘Desculpe o Modo’, ‘Luz do Sol’ e ‘Chuva de Verão’ atestam que, em determinado momento, o trabalho dos dois encontrou ressonância no oco afetivo dos seus. Infelizmente, eles perderam o pulso do tempo presente. 
Chiko Queiroga e Antônio Rogério ocuparam todos os espaços disponíveis na terrinha, tocaram nos principais palcos do Brasil, realizaram turnês na Europa e nas Américas, visitaram os Estados Unidos, Guatemala, Honduras e Paris, participam do Festival de Jazz de New Orleans uma caralhada de vezes. Agora, tomam parte em live promovida por Lula Ribeiro. O repertório precioso, já mencionado, mais a nostalgia do público imenso, amealhado no auge criativo, deve salvá-los de apuros. Mas ninguém espere novidades.
É como diria o sambista, atento e forte, mesmo depois de velho: "O tempo passou na janela e só Carolina não viu".
* Rian Santos, jornalista.

* Rian Santos

Segundo Nelson Ro drigues, o que não se  repete permanece inédito. E como nada mudou desde quando a dupla Chiko Queiroga e Antônio Rogério comemorou quinze anos de estrada, em 2013, este jornalista fica à vontade para reafirmar o próprio ponto de vista: Entronado nas próprias conquistas, nenhum artista pronuncia algo de serventia sobre o aqui e agora de sua gente.
Um sujeito maldoso poderia afirmar que Chiko Queiroga e Antônio Rogério montaram na serpente cantada desde quando eu me entendo por gente, tomaram gosto pela brincadeira e nunca mais apearam da bicha. Não faltaria com a verdade. A dupla tem uns bons anos de estrada, mas há pelo menos três décadas – ‘Cor de Laranja’, um dos discos mais preciosos do cancioneiro sergipano, último rebento criativo digno da palavra, foi lançado por Queiroga em 1990 – que suas canções se negam a qualquer azedume. 
Não se trata aqui de negar os feitos alheios. Poucos músicos podem se gabar de uma lista tão extensa de canções gravadas na memória coletiva de um lugar. ‘A Mestiça’, ‘Serpente’, ‘Desculpe o Modo’, ‘Luz do Sol’ e ‘Chuva de Verão’ atestam que, em determinado momento, o trabalho dos dois encontrou ressonância no oco afetivo dos seus. Infelizmente, eles perderam o pulso do tempo presente. 
Chiko Queiroga e Antônio Rogério ocuparam todos os espaços disponíveis na terrinha, tocaram nos principais palcos do Brasil, realizaram turnês na Europa e nas Américas, visitaram os Estados Unidos, Guatemala, Honduras e Paris, participam do Festival de Jazz de New Orleans uma caralhada de vezes. Agora, tomam parte em live promovida por Lula Ribeiro. O repertório precioso, já mencionado, mais a nostalgia do público imenso, amealhado no auge criativo, deve salvá-los de apuros. Mas ninguém espere novidades.
É como diria o sambista, atento e forte, mesmo depois de velho: "O tempo passou na janela e só Carolina não viu".

* Rian Santos, jornalista.

 

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