Quarta, 17 De Agosto De 2022
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Reitores da UFS e IFS mostram que bloqueio ampliam crise financeira


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Publicado em 21 de junho de 2022
Por Jornal Do Dia Se


O governo federal comunicou no final de maio o bloqueio de R$ 3,2 bilhões da verba do Ministério da Educação (MEC) prevista para 2022 – ou 14,5% do orçamento. Foto: Schirlene Reis/Ascom UFS

Em entrevista coletiva concedida nesta segunda-feira (20), o reitor da Universidade Federal de Sergipe (UFS), Valter Santana, e a reitora do Instituto Federal de Sergipe (IFS), Ruth Sales, apresentaram o quadro orçamentário das duas instituições, com destaque para o bloqueio de recursos imposto às duas entidades. O evento ocorreu no Auditório dos Conselhos Superiores da UFS e foi transmitido pelo canal da universidade no YouTube.
O governo federal comunicou no final de maio o bloqueio de R$ 3,2 bilhões da verba do Ministério da Educação (MEC) prevista para 2022 – ou 14,5% do orçamento. Apesar de posteriormente recomposto na metade do valor contingenciado, na UFS o bloqueio representa R$ 3,7 milhões; no IFS, equivale a R$ 2,6 milhões. Segundo os reitores, o bloqueio impede o andamento de diversas atividades e pode ainda comprometer o ano letivo.
“Conseguimos idealizar para a UFS um planejamento para 2022, através do qual apoiamos ações estratégicas da nossa instituição, onde inserimos dentro do nosso contexto o desafio de retornar às atividades presenciais, dando condições [de permanência] para muitos alunos em condição de vulnerabilidade socioeconômica [perfil majoritário do corpo discente]”, diz Valter Santana. “O bloqueio nos deixa muito preocupados, temos que replanejar, e algumas dessas ações entram em risco de não serem executadas”, completa.
“Na assistência [estudantil], caímos para quase um terço [do valor disponível] – a redução, em termos numéricos: tínhamos R$ 5 milhões, passamos a ter R$ 1,4 mi. O IFS está presente em todas as regiões do estado, em 9 campi. Dos nossos discentes, 79% necessitam desse apoio, seja como auxílio transporte, auxílio moradia, auxílio alimentação, monitoria”, conta Ruth Sales.

Orçamento ‘congelado’ – Além dos recursos bloqueados, os dirigentes denunciam que os orçamentos das instituições federais de ensino superior estão sem reajuste há cerca de dez anos, a despeito dos aumentos de preços em todos os contratos.
O pró-reitor de planejamento da UFS, Sérgio Sávio, exemplifica que o IPCA (índice usado como referência da inflação) acumulado de 2013 a 2021 é de 54,87%. “Se fosse seguida a aplicação desse índice, o valor do orçamento de 2022 deveria ser de R$ R$ 103,5 milhões – e não os R$ 66,4 dotados”, idealiza Sérgio.
A dotação orçamentária do Instituto Federal de Sergipe, em 2018, foi de R$ 37,4 milhões, segundo dados da instituição. Atualmente, sem o bloqueio, é R$ 36,2 milhões, uma redução de 3,15%. Mas se comparado a 2014, em que o orçamento foi de R$ 123,6 milhões, a redução é de 70,7%.
Para garantir o funcionamento até o final do ano, a UFS necessita de mais de R$ 7 milhões.

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