Gabriel Damásio
A Polícia Civil da Bahia comandou duas operações conjuntas com a PC sergipana para prender acusados de pertencer a uma grande quadrilha acusada de comandar o tráfico de drogas e cometer cerca de 20 homicídios registrados nos últimos 10 meses em Rio Real (BA) e outras cidades do litoral norte baiano. Entre as manhãs de anteontem e de ontem, cinco pessoas foram detidas em Aracaju, São Cristóvão (Grande Aracaju) e Indiaroba (Sul), em cumprimento a mandados de prisão expedidos pelo juízo da Comarca de Rio Real (BA).
Na primeira operação, chamada de ‘Balão Mágico’, foi preso o casal Luiz Henrique Oliveira de Freitas, 25 anos, e Juliana Santos Teles da Silva, 27, encontrado em uma casa na rua Poeta José Sales de Campos, bairro Atalaia (zona sul da capital). Acusados pelos crimes de tráfico, lavagem de dinheiro e roubo a bancos, eles foram presos no início da manhã de ontem e levados para a sede do Departamento de Crimes contra a Ordem Tributária e Administração Pública (Deotap), onde prestaram depoimento a uma equipe de policiais baianos. Em seguida, houve a transferência do casal para Salvador. Outras duas pessoas com prisão decretada chegaram a ser procuradas em Aracaju, mas não foram encontradas.
Dentro do presídio – A segunda operação foi a ‘P. Teotônio’, com três ordens de prisão expedidas para Sergipe. A primeira foi cumprida no Complexo Penitenciário Manoel Carvalho Neto (Copemcan), em São Cristóvão, contra o detento André Luiz Conceição Ferreira, apontado como líder da quadrilha. Os agentes sergipanos fizeram uma revista na cela do acusado e encontraram celulares e outros objetos. Segundo o delegado baiano Jobson Lucas Marques, responsável pela investigação, André comandava a atuação do grupo de dentro do Copemcan, controlando a distribuição de drogas e ordenando a execução de assaltos, sequestros, extorsões e assassinatos. Para isso, ele passava instruções à companheira Iraildes Santos de Sá, a ‘Tico’.
Já em Indiaroba, que fica na divisa com Rio Real, o Grupo Especial de Repressão e Buscas (Gerb) prendeu Luiz Alex Sá Santos, o ‘Alex Neguinho’, e a esposa dele, Jossilene dos Santos de Souza, a ‘Kikia’. Alex é apontado pelos policiais como o ‘braço armado’ da quadrilha baiana, principal parceiro de André e responsável por outras funções de comando, como distribuição de drogas e armas, coleta do lucro da venda de drogas e ordens para a execução de rivais.
De acordo com a Secretaria da Segurança Pública da Bahia (SSP/BA), a quadrilha foi investigada nos últimos 10 meses pela Delegacia de Rio Real. Elas apontaram que os crimes estavam relacionados à disputa territorial pelo tráfico de drogas na região, com o objetivo de manter o domínio do grupo na venda de drogas. E que os homicídios atribuídos ao bando foram praticados com requintes de crueldade, tendo como vítimas traficantes rivais ou usuários com dívidas de droga.
Ainda conforme as investigações, a quadrilha tinha cerca de 40 membros e uma hierarquia devidamente estruturada, com divisão de tarefas e alto poder de intimidação. Há também a suspeita, investigada pela polícia, de que André e outros membros da quadrilha sejam integrantes da facção criminosa ‘Bonde do Maluco’ (BDM), uma das que disputam o controle do tráfico de drogas e do crime organizado na Bahia, a partir de presídios de Salvador.
Nas duas operações ocorridas em Sergipe, foram apreendidas armas, drogas e dinheiro em espécie com os acusados, mas a quantia específica não foi divulgada. No total da operação, incluindo os dois estados, 23 pessoas foram presas, com a apreensão de 10 quilos de maconha e outras 300 trouxas da droga, oito papelotes de cocaína, uma arma e 11 celulares. A Comarca de Rio Real expediu um total de 68 mandados a serem cumprido, sendo metade de prisão e o restante de busca e apreensão.


