Rian Santos
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Quem assiste ao horário eleitoral gratuito, quem acompanha os embates partidários, desde os santinhos distribuídos nas esquinas até a boca da urna, certamente se espanta com a auto estima dos pretendentes à vida boa, República afora. Um faz pouco caso dos embargos de natureza jurídica. Outro, ele afirma sem corar, colocou-se a disposição dos eleitores a fim de atender a um chamado do próprio Deus. Todos prometem mundos e fundos. Péssimos atores, não convencem ninguém.
Neste particular, convenhamos, o projeto eleitoral do bolsonarista Valmir de Francisquinho é um caso à parte. Por alguma razão misteriosa, as pesquisas de intenção de voto afiançam, o nome do sujeito pegou. Os entusiastas de sua candidatura apontam a boa administração realizada em Itabaiana como o principal trunfo do candidato. Mas o argumento não passa de um balão inflado. Cá pra nós, a capital do agreste sergipano fica longe demais das verdadeiras capitais.
Valmir é Bolsonaro, age como tal. Não tenho explicação para o fenômeno, mas repudio a candidatura faz de conta, pura encenação. O expediente não é novo. Na última campanha para a presidência da República, Lula manteve o próprio nome na roda por tempo demais, antes de se admitir inelegível e passar a bola para um correligionário. Valmir, no entanto, vai ainda mais longe. No caso aqui em questão, tal postura extrapola a teimosia e resvala em afronta aberta à Justiça Eleitoral.
Valmir dá entrevistas, bota a cara feia pra jogo, leva a sua candidatura até as últimas consequências. O candidato está em seu direito, mas tanta disposição não tem o condão de reverter a condenação por abuso de poder econômico, transitada em julgado. Inelegível, Valmir investe deliberadamente na confusão com a mesma desfaçatez adotada ao omitir a sua simpatia pelo populismo fascistóide de extrema direita. É Bolsonaro, entretanto, cuspido, escarrado.


