Gabriel Damásio
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Mais um final de semana violento foi registrado na capital e no interior do estado. Entre a 0h de sábado e às 7h de segunda-feira, 16 corpos foram recolhidos pelo Instituto Médico-Legal, sendo 10 assassinatos por arma de fogo e outros dois por arma branca. O caso que chamou mais atenção foi o do aposentado José Bonfim de Melo, 65 anos, que foi degolado e castrado por desconhecidos que invadiram a casa dele, no povoado Cardoso, em São Cristóvão (Grande Aracaju).
O crime teria acontecido na noite de domingo, mas o corpo foi descoberto às 6h30 de ontem por dois sobrinhos da vítima, que desconfiaram de algo errado ao verem a porta e a janela da casa entreabertas. Ao entrarem, eles encontraram a casa completamente revirada, com sinais de que acontecera ali uma briga. Bonfim estava caído no chão, junto à cama onde deitava, e segurava uma foice com a mão direita quando foi assassinado. Os matadores, possivelmente com facões, fizeram várias perfurações pelo corpo do idoso e dele cortaram o pênis e os testículos. Também havia um profundo corte no pescoço.
A família acredita que o crime teria sido cometido pelo enteado de um sobrinho do aposentado, com quem ele teria se desentendido recentemente. A rivalidade teria se acirrado depois de uma tentativa de roubo: na qual o suspeito teria invadido a casa de Bonfim e saído de lá com o pé cortado a foice pelo proprietário, pois este reagira à invasão. A suspeita da polícia é de que o idoso teria sido morto por vingança, mas outra hipótese investigada é de que teria havido um latrocínio (roubo seguido de morte). O crime deve ser apurado pela 12ª DM (São Cristóvão).
Cavalgada – Outro crime que ganhou destaque aconteceu por volta das 17h de domingo em uma praça próxima à Avenida Maranhão, bairro 18 do Forte (zona norte de Aracaju), durante a "Cavalgada do Aribé", evento que acontece tradicionalmente no bairro Siqueira Campos (zona oeste), ao início das festas juninas.
Segundo testemunhas, dois motoqueiros armados dispararam vários tiros contra três rapazes que estavam em uma carroça. Dois deles foram baleados e o terceiro conseguiu escapar, pulando da carroça.
Um dos atingidos, Valderlan Marques da Silva, 18, morreu na hora. O outro baleado, identificado como Pablo Feitosa, 18, foi socorrido por uma equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e internado no Hospital de Urgência de Sergipe (Huse). Os criminosos fugiram na direção do 18 do Forte e não foram localizados pela polícia. A suspeita é de que o crime teria sido motivado por uma suposta rixa.
Areia Branca – No interior, o destaque ficou para dois homicídios ocorridos na noite do sábado, em um intervalo de poucas horas, durante a abertura dos festejos juninos na cidade. A Polícia Militar acredita que os dois crimes teriam sido praticados por um mesmo grupo, ligado ao tráfico de drogas na cidade.
A primeira vítima foi o pedreiro Douglas dos Santos Dias, 21, baleado dentro da própria casa, no conjunto Albano Franco, periferia da cidade. Segundo os primeiros levantamentos, ele estava sentado na porta quando foi surpreendido pela chegada de dois homens armados. Douglas teria corrido para o banheiro da casa, na tentativa de se esconder, mas acabou encurralado pelos matadores e estes o executaram com vários tiros. Alguns dos disparos acertaram os braços de um primo da vítima, um adolescente de 14 anos que foi internado no Huse, em Aracaju, e é apontado como testemunha-chave do crime. Os bandidos ainda agrediram uma irmã do rapaz antes de fugir.
Horas depois, a segunda morte aconteceu no centro da cidade, próximo à entrada do Forródromo, onde aconteciam os shows da abertura junina. Três homens partiram pra cima de outro grupo de jovens e iniciaram uma briga, que culminou em mais tiros disparados. O baiano Cleverton Lima de Jesus, 22, que morava no povoado Pedrinhas, na zona rural, foi atingido no peito e morreu enquanto era socorrido no Pronto-Socorro Municipal de Areia Branca. O amigo dele, Edenilson dos Santos Prata, 22, também foi baleado e socorrido no mesmo local, mas transferido em seguida para um hospital.


