EDITORIAL: Polícia e ladrão

O Brasil registrou 6.393 mortes por intervenções policiais em 2023, o que significa 3,1 mortes por 100 mil habitantes

O Ministério Público de Sergipe (MPSE), por meio da 3ª Promotoria de Justiça dos Direitos do Cidadão (Controle Externo da Atividade Policial de Aracaju) e da Coordenadoria de Apoio às Vítimas (Coavit), realizou na sexta-feira (10), uma audiência pública voltada à orientação e garantia de direitos de familiares e vítimas de violência policial.
 A incidência varia ao longo dos anos. Mas dezenas de cidadãos ainda morrem sem motivo justo, após abordagens desastradas das forças policiais.
Durante a audiência, foram apresentados indicadores sobre mortes decorrentes de intervenção policial na capital sergipana que apontam queda nos índices de letalidade. De acordo com o levantamento da Promotoria de Justiça, o primeiro semestre de 2026 registrou nove ocorrências, em comparação com as 24 registradas no mesmo período de 2023 e 22 em 2024.
Alheios às oscilações estatísticas, os casos mais infelizes se repetem. Meses atrás, a execução de um jovem negro, um trabalhador com mulher e filho recém- nascido, executado por policiais em serviço ao deixar uma loja de conveniência no bairro Coroa do Meio, provocou escândalo.
O Brasil registrou 6.393 mortes por intervenções policiais em 2023, o que significa 3,1 mortes por 100 mil habitantes. Itabaiana, na região agreste de Sergipe, aliás, é a quinta cidade do Brasil com maior taxa de letalidade policial – 28 mortes por 100 mil habitantes. No município sergipano 63% das mortes violentas se devem à ação de policiais.
Os números são do 18º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, elaborado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública.
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