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A cultura da morte


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Publicado em 27 de maio de 2022
Por Jornal Do Dia Se


“O crime foi cometido em frente às câmeras de aparelho celular, em plena luz do dia”

Tão grave quanto o assassinato de um cidadão em pleno gozo de todos os seus direitos, perversidade cometida por Policiais Rodoviários Federais de serviço em Sergipe, foi o comunicado distribuído pela Superintendência local, a fim de relatar o ocorrido. Segundo o documento rubricado pela assessoria de comunicação da PRF/SE, a morte de Genivaldo de Jesus Santos decorreu de mal súbito.
O documento é um escárnio. Ao contrário do que afirma a PRF/SE, a fim de acobertar os criminosos responsáveis pela tortura e o assassinato cruel de um pai de família, o Instituto Médico Legal constatou a morte por asfixia. Não bastasse o laudo médico, contudo, há também as imagens em vídeo realizadas pela população, surpreendida pelo absurdo. O crime foi cometido em frente às câmeras de aparelho celular, em plena luz do dia.
O episódio, em si, fala mal de toda a corporação, desde a abordagem injustificada, até o procedimento adotado pelos policiais – alheios aos protestos e as advertências das testemunhas, como se agissem por força do hábito, obedientes a uma rotina. De pouco adiantou a informação de que o homem imobilizado como um animal feroz fazia uso de medicamentos controlados, era um portador de deficiência mental. Sem mais, nem menos, os assassinos acharam por bem trancafiá-lo na mala de uma viatura tomada por gás de pimenta e gás lacrimogêneo, até ele perder a consciência.
A tranquilidade com que os policiais sergipanos se comportaram diz algo sobre eles próprios, mas também evidencia a cultura da morte, em voga nos quartéis e delegacias de polícia, Brasil afora. O elevado índice de letalidade policial observado no país sugere uma licença extra-oficial para matar, como se a farda isentasse o profissional a serviço da segurança pública de qualquer responsabilidade sobre os próprios atos. Não é assim, entretanto. A Superintendência da Polícia Rodoviária em Sergipe deveria ser a primeira a cobrar a apuração do episódio e a eventual condenação dos criminosos em seus quadros.

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