Eleição em Aracaju não pode ser definida por uma questão de gênero

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Aracaju precisa abrir mais espaços políticos para as mulheres, mas não pode eleger um prefeito levando em conta apenas a questão de gênero

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A perspectiva de que um político conservador de direita possa vir a ser eleito prefeito de Aracaju nas eleições de outubro deve ser motivo de preocupação para todos os que
lembram as últimas gestões municipais, especialmente a passagem de João Alves Filho, entre 2013 e 2016. Hoje essa possibilidade existe em função das pesquisas que, no momento, dão ampla margem a favor da vereadora Emília Correia (PL), arrastando em segundo a deputada federal Yandra Moura (União)
Outro fato que não deve ser esquecido é que o prefeito que comandou o pleito de 2012 que garantiu a vitória de João é o mesmo Edvaldo Nogueira de hoje. Como esteve ano, estava impedido de disputar o pleito porque já havia sido reeleito e, nesse intervalo, só trocou o minúsculo PCdoB pelo PDT.
Entusiasmada apoiadora da gestão João Alves Filho, que interrompeu o ciclo de crescimento na cidade após amplo desenvolvimento a partir de 1985, Emília não enxergava defeitos na administração do aliado. Ao invés de denunciar o descalabro que viveu a Prefeitura de Aracaju naqueles anos, fazia discursos defendendo o caos e o atraso no pagamento dos servidores públicos.
Hoje tenta se apresentar como a solução para a suposta crise que enxerga viver a cidade, aliada aos irmãos Amorim, o que há de mais retrógado na política sergipana. Ela ressuscitou politicamente a família, que utiliza métodos nada republicanos em busca de seus objetivos políticos e econômicos. O ex-senador Eduardo Amorim (PSDB) chegou a ser cogitado como candidato a vice, mas acabou sendo preterido em favor do vereador Ricardo Marques (Cidadania).
Quando Edvaldo assumiu o seu terceiro mandato, em 1º de janeiro de 2017, Aracaju vivia o caos. Nos últimos dias da administração João Alves Filho, o presidente do Tribunal de Contas do Estado, Clóvis Barbosa de Melo, era quem estava sendo o prefeito de fato. Era ele quem administrava os recursos da PMA para tentar concluir o pagamento dos servidores e, de última hora, as contas de energia para evitar que o novo prefeito assumisse com o seu gabinete às escuras.
Governador por três mandatos e um dos maiores líderes de sua geração, João Alves foi o pior prefeito da história recente de Aracaju. Deu calote em todo mundo, não pagou os servidores, fechou os postos de saúde e unidades de emergência, aumentou os impostos, criou taxas, suspendeu a merenda das crianças nas escolas e, segundo o vice-prefeito José Carlos Machado da época, “fechou os olhos para a roubalheira escancarada que seria praticada por seus secretários”.
Qualquer prefeito com uma gestão como a de João Alves teria sido afastado do cargo pelos órgãos de controle – o Ministério Público e o Tribunal de Contas. Contra João nada aconteceu. As ações dos órgãos de controle contra a Prefeitura de Aracaju não foram contundentes porque os órgãos de controle decidiram preservar a história que João Alves Filho construiu como governador do Estado por três mandatos. Suas gestões no governo, no entanto, não tiveram nada a ver com o caos que ele implantou na PMA.
Quando assumiu em 2017, em poucos meses, Edvaldo regularizou os salários dos servidores, reabriu postos de saúde, normalizou a merenda escolar, recuperou a sofrida malha viária da cidade e o município voltou a crescer, atraindo novos investimentos em todos os setores, inclusive na área de tecnologia.
Hoje, além de Emília, a jovem deputada Yandra Moura também está na disputa. Filha do ex-prefeito de Pirambu, André Moura (União), tem o mesmo perfil conservador da vereadora, mas, pela idade, talvez ainda não tenha tido tempo de se ligar a esses exemplos, a não ser, evidentemente, o próprio pai, que também sempre venerou João Alves Filho.
Aracaju precisa abrir mais espaços políticos para as mulheres, mas não pode eleger um prefeito levando em conta apenas a questão de gênero.
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Os 22 anos do Samu

O senador Rogério Carvalho lembrou esta semana os 22 anos de criação do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) em Aracaju, uma conquista fundamental para a saúde pública da nossa cidade. “Este serviço, que tive a honra de implantar, é um dos maiores orgulhos da minha trajetória política”, destacou.
O Samu de Sergipe é pioneiro no país e criado quando Rogério foi secretário de Estado da Saúde no primeiro governo Marcelo Déda (2007-2010).
Para Rogério, “o Samu transformou a forma de se fazer o atendimento de urgência, oferecendo um serviço humanizado e eficiente, essencial para a população. Isso só foi possível graças à dedicação incansável de médicos, enfermeiros, técnicos e socorristas que diariamente salvam vidas”.
Ainda segundo o senador, “ao longo desses anos, enfrentamos diversos desafios, mas conseguimos fazer do Samu uma referência nacional. Por isso, seguimos comprometidos em defesa do acesso rápido e eficiente ao atendimento de urgência, reafirmando nossa missão de vida, que é a luta pela saúde pública de qualidade”.

Xilogravura de Sabrina Silva

Novo livro de Cauê

No próximo dia 17, o escritor, jornalista e publicitário Carlos Cauê lança o livro “Tempo das Esperas”. Será a partir das 18h, no Museu da Gente Sergipana. O título reúne a produção poética do autor nos últimos anos, inclusive do período da pandemia causada pela Covid-19, e está dividido em quatro partes: Eis o homem, tempo, pausa e das esperas.
Carlos Cauê explica a divisão e o que apresenta em cada uma das partes: “Esta obra é dividida em quatro partes e cada uma reflete sobre um tema específico. Na primeira parte, ‘eis o homem’, fala sobre a condição do homem e as suas relações com o próprio homem, com Deus, com o próximo. É uma temática existencial, que lida com a condição humana. Depois, trata a relação com o tempo, como uma categoria absoluta que rege todas as coisas e que todos nós precisamos reverenciar. Na terceira parte, intitulada de ‘pausa’, aborda o dilema da vida e da morte que foi imposto durante a pandemia, a inquietação do homem neste período. E, por fim, traz o tempo das esperas, como um aceno de esperança, do por vir. Da necessária capacidade do homem para continuar vivendo e levando a sua vida e sua luta adiante”.

Livro jurídico

Acontece no dia 18 de julho, às 17 horas, no Museu da Gente Sergipana, o lançamento do livro “A Força Normativa da Boa-Fé Objetiva”, do desembargador do Tribunal de Justiça de Sergipe (TJSE), João Hora Neto. A publicação é fruto da tese de doutorado do magistrado pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), com o prefácio de Rodolfo Pamplona Filho e a apresentação de Flávio Tartuce, renomados juristas da área do Direito Civil brasileiro.

Anistia aos partidos

A Câmara dos Deputados aprovou na noite de quinta-feira (11), em dois turnos de votação, uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) para permitir o refinanciamento de dívidas tributárias de partidos políticos e de suas fundações, dos últimos cinco anos, com isenção total de multas e juros acumulados sobre os débitos originais, que passariam a ser corrigidos pela inflação acumulada.
O texto, que é uma mudança constitucional, precisa ser aprovado por um mínimo de 308 deputados, em duas votações. Agora, a análise segue para o Senado, que também precisa aprová-lo em duas votações, com mínimo de 49 votos dos 81 senadores.
O Programa de Recuperação Fiscal (Refis) dos partidos políticos aprovado permite o parcelamento de dívidas tributárias e não tributárias. Dívidas tributárias poderão ser divididas em até 180 meses, enquanto débitos com o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), em até 60 meses.
Os deputados sergipanos Bosco Costa (PL), Delegada Katarina (PSD), Gustinho Ribeiro (Republicanos), Capitão Samuel (PP), João Daniel (PT), Nitinho (PSD) e Rodrigo Valadares (União) votaram a favor da anistia; Fábio Henrique (União) foi contrário.

Candidaturas pretas

A Câmara dos Deputados aprovou nesta quinta-feira (11), em dois turnos, a proposta de emenda à Constituição (PEC 9/23), que dispõe sobre a obrigatoriedade, parâmetros e condições de aplicação de recursos financeiros para candidaturas de pessoas pretas e pardas. O texto determina que 30% dos recursos do Fundo Especial de Financiamento de Campanha e do Fundo Partidário sejam destinados às candidaturas de pessoas pretas e pardas nas circunscrições que melhor atendam aos interesses e estratégias partidárias.
O financiamento das candidaturas negras, de mulheres negras, de jovens negros, na avaliação da deputada Dandara (PT-MG), é um definidor, “sem dúvida nenhuma é determinante para que possamos chegar lá”. Ela explicou que quando a PEC 9 foi colocada, inicialmente simplesmente com o objetivo de anistiar os partidos que não cumpriram as cotas, ela não teve dúvida ao se posicionar contra. “Mas hoje nós conseguimos aqui um feito histórico. Os partidos não serão anistiados. Eles deverão pagar aquilo que devem às candidaturas negras”, comemorou.

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