Desaparecer com a miséria, com os recorrentes ataques à educação e à cultura
* Carlos Carvalho
Terminadas as convenções que escolheram os candidatos às eleições de 2026, os políticos caíram em campo e, nem bem começaram, já é possível se ter uma ideia do que virá pela frente. Entre todos os atores dessa eleição histórica, quem promete dominar o cenário é a Inteligência Artificial, que já vem sendo usada por algumas campanhas de maneira nada republicana. Para que o uso da IA não transforme as eleições em um verdadeiro caos, o TSE precisa parar de se “fingir de morto” e tomar decisões mais contundentes contra aqueles que, em claro desrespeito às resoluções do TSE e do STF, estão testando os limites das duas Cortes para saber até onde poderão ir. Pelo que tem sido visto, podem ir aonde quiserem.
Como sempre acontece em tempos de eleição, tem-se os candidatos e candidatas que prometem o céu e o seu amor também, mesmo sabendo que não podem cumprir nem sequer um terço das promessas, quando não cumprem nem aquilo que realmente podem fazer. Assim sendo, há candidatos e candidatas que prometem casa, comida, saúde e educação. Por outro lado, há aqueles e aquelas que prometem acesso às armas, uma escala de trabalho de sete dias por semana, o direito de ser racista, homofóbico, aporofóbico e liberdade garantida para a bandidagem que tramou – e continua tramando – contra o próprio país. Alguns prometem, inclusive, abrir a porteira e deixar o Império entrar e tomar conta de tudo.
Na corrida ao Planalto, Luis Inácio lidera em todas as pesquisas. No entanto, a experiência do candidato sabe que não existe o “já ganhou” e que todo dia é uma nova luta; principalmente, quando a extrema direita mundial tem interesse na sua derrocada, uma vez que o Brasil ainda é um dos poucos países latino-americanos que se recusa a voltar a ser quintal dos Estados Unidos. E haja tarifas comerciais e tentativas de ingerência no processo eleitoral brasileiro!
Do outro lado, ao extremo, o candidato Flávio Bolsonaro tenta roubar (desculpem-me pelo ato falho) a cena, requentando as mesmas estratégias usadas pelo seu pai, quando concorreu à reeleição e, na sequência tentou um golpe de Estado. E eis que vimos a reedição da reunião com embaixadores para a divulgação de notícias falsas sobre as urnas eletrônicas, que só são consideradas viciadas quando o candidato perde. Recentemente, como se prestasse um favor à democracia brasileira, o candidato afirmou que aceitará o resultado das eleições, dizendo que confia no TSE e que este atuará de forma imparcial; como se antes o mesmo Tribunal não o fora.
A eleição para Presidente em 2026 é histórica por diversas razões. Entre tantas, o candidato Luiz Inácio tentará sua quarta eleição. Caso consiga ser reeleito, jogará uma pá de cal na extrema direita brasileira, que deverá ter dificuldades para se reerguer e se rearticular. Em suma, é uma eleição para desaparecer. Desaparecer com a miséria, com os recorrentes ataques à educação e à cultura e com os ovos e filhotes da serpente do fascismo que ainda perambulam por aqui, assombrando e ameaçando a democracia brasileira.
* Carlos Carvalho, doutor em Linguística Aplicada e professor na Universidade Estadual do Ceará – UECE.

