Sábado, 18 De Maio De 2024
       
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Em memória de um sanfoneiro


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Publicado em 09 de maio de 2024
Por Jornal Do Dia Se


O homem virado em música (Arquivo)

Rian Santos
 
Vai-se um sanfoneiro, coberto de arpejos. Fica a sanfona. A história de Valtinho do Acordeon encontrou no instrumento com o qual o homem se afirmou e conquistou o seu lugar no mundo um inesperado alento. Acordes levantaram, em meio à tristeza de seus entes queridos, musicaram a despedida.
O adeus aqui mencionado coloca a sanfona em seu lugar de direito – o coração de um sergipano.  Seria bom que os gestores da sensibilidade nativa prestassem atenção nisso.
Quando um sanfoneiro sobe ao palco, ele concilia com a sua simples presença todas as contradições argumentando contra os grandes eventos realizados na terrinha. Intelectuais e povão finalmente concordam, rendidos pela sanfona, felizes da vida, como num passe de mágica.
Momento raro, em festejos marcados por hiatos de sensibilidade. Governantes nos camarotes, entre asseclas e convivas. Governados com os pés na lama, dissolvidos em populacho. 
Não bastasse a estrutura própria de uma sociedade desigual, regida pela força da grana, há ainda os reflexos percebidos na programação. No palco principal, com as exceções de praxe, a representação mais rasa do gosto popular. Os verdadeiros artistas do povo se apresentam em um espaço menor, quando o há, com estrutura modesta, em horários ingratos, de algum modo colocados à parte.
Exemplar disso que aqui se afirma, o São João já foi mais diverso e atencioso com os valores da gente nordestina. Nos últimos anos, os intervalos de respiro e renovação ficaram cada vez mais estreitos, até restarem sufocados.
Não se pretende cometer aqui o pecado de falar pelos outros, arbitrando o que pode e o que não pode, apontar o bom, o mal e o feio, para lembrar o filme de Sergio Leone. Por trás do sucesso comercial de artistas da estirpe da banda Calcinha Preta, entretanto, há razões muito evidentes, de cunho estritamente financeiro, e nenhuma força redentora, nenhum lastro musical.
“A alegria tem cheiro de suor”, segundo um achado espantoso do jornalista Reinaldo Azevedo. E os donos do mundo não perdem oportunidade de capitalizar a euforia do povão.
Como Valtinho há muitos outros. O virtuosismo de Cobra Verde, o amor roxo de Joésia Ramos e a energia descontraída da banda naurÊa provam aos mais desconfiados: em se tratando de forró, o santo da casa Serigy é bem bom de milagre, sim senhor.
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