Empresários sergipanos estão pessimistas com a economia do país

Milton Alves Júnior
miltonalvesjunior@jornaldodiase.com.br

Vendas instáveis para se-tores da área de servi-ço e leve queda para os produtos importados. A atual situação do comércio sergipano apresenta estabilidade se comparado com o mesmo período dos últimos dois anos. Até quando essa sensação de balança nivelada vai continuar? Nem a direção da Câmara dos Dirigentes Lojistas (CDL), tem previsão. O presidente da entidade, Breno Barreto, observa o atual cenário político e econômico do Brasil como incerto para os próximos meses. Com ou sem o impeachment da presidente Dilma Rousseff, o fato é que grandes empresas já deixaram de apostar no país até que essa onda de indecisões pare de assustar a economia da nação.

Para entender a difícil perspectiva de futuro no comércio sergipano não precisa ser nenhum especialista na área econômica, conforme destaca o presidente. Em posse de estatísticas e relatos oficiais devidamente protocolados, a CDL indica que é possível observar o seguinte movimento do mercado: as instalações/construções de novas lojas, fábricas ou shoppings que apresentam mais de 60% da obra, estas seguem em ritmo normal. Já os empreendimentos que ainda estão na planta, estes devem aguardar as novas decisões a serem adotadas pelo Congresso Nacional nos próximos 15 dias. Situação delicada para quem pretende vender, e mais instável para o cidadão consumidor.

Diante do mercado temeroso, os consumidores estão evitando adquirir produtos com parcelas altas e por longo período. Na avaliação da CDL, a palavra coletiva de ordem para o momento é economia. "Alguns setores estão sim se desenvolvendo, mas na medida do possível. Panificações, restaurantes e consócios de automóveis, por exemplo, não estão lucrando muito, mas também não estão em queda. Já os produtos importados – aqueles que variam de acordo com a cotação do Dólar estão beirando a queda nas vendas. Consumidor se segura para comprar e o comerciante sofre para vender", avaliou Breno. Para tentar aquecer o comércio, grupos educacionais estão apostando nos cursos técnicos.
Em parceria firmada com a Câmara dos Dirigentes Lojistas, o Sistema S – formado pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), e Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac), dezenas de pessoas estão se deparando com a possibilidade de participar de cursos gratuitos nos mais variados tipos de serviço. Para os gestores da CDL, valorizar e qualificar a mão de obra do sergipano é o primeiro grande passo para vencer a crise que se instalou no país.

Questionado sobre as farpas financeiras que têm colaborado para segurar o progresso da economia local, Breno Barreto destacou os banqueiros como principal gargalo. "Obviamente se comparado a outros tempos, desde o início do ano os investidores e banqueiros estão deixando de investir no comércio e isso acaba formando uma bola de neve, ou seja, os grandes se seguram para fornecer linhas de crédito e o consumidor acaba adotando a mesma postura. Dessa forma o comércio nem evolui, nem retrocede", declarou.
Mais uma vez indagado sobre o clamor popular apresentado por parte dos brasileiros que pedem a saída da presidenta petista, ele completou dizendo: "O impeachment pode mudar essa realidade? Não sei. Dilma sai, entra Michel Temer, isso é bom? Não sabemos também. Isso só o tempo para compor a nossa história. Só daqui a alguns dias, meses ou anos poderemos afirmar até que ponto essa saída, ou permanência de Dilma foi positiva. O que temos a fazer de verdade é continuar trabalhando porque o Dia das Mães está se aproximando e trata-se de uma data aguardada por muitos lojistas", declarou.

Perspectiva – Segundo pesquisa do Centro Nacional de Modernização (Cenam) o Dia das Mães deve movimentar 23 mil empregos temporários já a partir da próxima semana. O número de vagas é 28% menor em relação ao ano passado, quando 32,5 mil vagas temporárias foram abertas. Em 2013, o número foi de 33 mil e em 2013 foi de 32 mil. A chance de efetivação é de 2%. "Esses dados explicam a incerteza que debatemos a pouco. Sem segurança de mercado, até as vagas temporárias acabam sofrendo. Em Sergipe não temos ainda dados de quantos trabalhadores devem conquistar essas poucas vagas ainda existentes", pontuou Breno Barreto.

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