Já reunimos apoios em municípios que representam cerca de 70% da população”, afirma Edvaldo
Pré-candidato ao Senado, Edvaldo Nogueira, do Parti do Democrático Trabalhista (PDT-SE), defende que sua trajetória na vida pública foi construída com foco em resultados, diálogo e compromisso com a população. Em entrevista ao Jornal do Dia, ele faz um balanço de sua experiência administrativa, fala sobre o momento político de Sergipe, a ampliação da sua pré-candidatura no interior do Estado e apresenta as prioridades que pretende defender caso seja eleito senador.
Jornal do Dia – O senhor se apresenta como pré-candidato independente ao senado, mesmo sendo ligado ao governador Fábio Mitidieri. O senhor acha que esse discurso está aceito pelo eleitorado?
Edvaldo – Eu acredito muito no povo. Sempre acreditei. O povo sabe o que quer, sabe avaliar a trajetória de cada um e, no momento certo, vai fazer a sua escolha. É por isso que eu tenho muita tranquilidade e muita confiança na minha candidatura.
Eu sempre deixei isso muito claro: nunca condicionei minha pré-candidatura ao fato de estar na chapa majoritária. Disse isso ao governador Fábio Mitidieri, a quem apoio, ainda em janeiro de 2025, e reafirmei pessoalmente a ele, em maio. Independentemente da composição da chapa, eu seguiria como pré-candidato ao Senado.
A minha decisão nasce da convicção de que Sergipe precisa de uma representação forte no Senado. Quero ser o senador do povo sergipano, alguém que represente os interesses do estado com experiência, diálogo e capacidade de trazer resultados.
Quem me conhece sabe da minha história, da forma como sempre trabalhei e dos resultados que entreguei ao longo da minha vida pública. Tenho confiança de que o povo sergipano vai enxergar em mim uma opção.
No fim das contas, quem escolhe em quem vai votar não é partido, grupo político ou composição de chapa. Quem escolhe é o povo. E é exatamente na sabedoria do povo sergipano que eu deposito a minha confiança.
JD – Como a sua candidatura está sendo recebida durante as visitas ao interior do estado?
Edvaldo – Tenho recebido muito apoio e isso me deixa muito feliz. O que eu tenho encontrado no interior de Sergipe é algo que me emociona e me dá ainda mais motivação para seguir nessa caminhada.
Por onde passo, seja na feira de Nossa Senhora das Dores, de Estância ou de Nossa Senhora da Glória, em uma procissão em Poço Verde ou Japaratuba, em um evento cultural, em uma festa popular, como a Festa do Mastro, em Capela, ou em qualquer outro município, o que recebo é muito carinho, respeito e acolhimento. As pessoas fazem questão de se aproximar, conversar, dar um abraço e demonstrar confiança.
O que mais me chama a atenção é o reconhecimento pelo trabalho que realizamos em Aracaju. Muita gente lembra das obras, da forma como administramos a capital, de como enfrentamos a pandemia e diz que acompanha essa trajetória. Isso mostra que uma gestão séria, que entrega resultados, ultrapassa os limites do município e passa a ser reconhecida em todo o estado.
Muita gente dizia que eu teria dificuldade no interior. O que tenho encontrado é exatamente o contrário: portas abertas, diálogo, incentivo e uma receptividade que me deixa muito grato. Recebo tudo isso com muita humildade e como um estímulo para continuar percorrendo Sergipe, ouvindo as pessoas e construindo esse projeto ao lado da população.
JD – O senhor tem recebido apoio de grandes lideranças?
Edvaldo – Eu sou um pré-candidato independente e esses apoios são resultado de uma trajetória construída com diálogo, respeito e coerência ao longo de muitos anos. E, mesmo ainda faltando muito tempo para as eleições, já reunimos apoios em municípios que representam cerca de 70% da população sergipana.
Esses apoios foram construídos ao longo da minha vida pública, seja na luta pelos trabalhadores e pelos movimentos sociais, seja na convivência com prefeitos, vereadores e outras lideranças políticas. Isso mostra que é possível unir pessoas de diferentes histórias em torno de um projeto para Sergipe. A começar pelos nossos pré-candidatos a suplente de senador, Joaquim Ferreira, que é uma grande liderança de Estância; e Teixeira Caminhões, um importante empresário, que atua em todo Estado e que tem raízes no Sertão Sergipano, como o município de Porto da Folha.
Tenho a honra de contar com o apoio do senador Laércio Oliveira, com quem tenho uma relação de parceria desde as minhas gestões. Além do ex-governador Jackson Barreto, que é uma figura política muito importante para o nosso estado e que tanto já fez pela população sergipana. Na capital, além de toda a minha trajetória política por Aracaju, conto com o apoio de várias lideranças que sempre caminharam comigo, a exemplo do vereador do PDT, Fábio Meireles. Em Lagarto, estamos ao lado do deputado federal Gustinho Ribeiro e da ex-prefeita Hilda Ribeiro. Em São Cristóvão, temos o apoio da vice-prefeita Gedalva Umbaubá. Em Estância, caminham conosco o vereador Elenilton e a liderança Márcio Souza. Em Capela, contamos com o apoio do ex-vice-prefeito Toninho Arimatéa e, em Simão Dias, contamos com o ex-vereador Abraão da Conceição.
No Sertão, em Nossa Senhora da Glória, recebemos o apoio do vereador Ronivon da Feirinha. Em Porto da Folha, temos os ex-prefeitos Manoel de Rosinha e Miguel de Dr. Marco, o vice-prefeito Saininho e Eduardo do Tênis. Em Canindé do São Francisco, estamos com o ex-prefeito Ednaldo da Farmácia. Em Monte Alegre de Sergipe, contamos com Bebeto e Tonho de Ginó.
Também recebemos dos vereadores Paulo Júnior e Professora Lourdes, em Nossa Senhora das Dores; do ex-prefeito Renatinho e do vereador João Paulo Brandão, em Propriá; dos ex-prefeitos Everaldo e Iggor Oliveira, em Poço Verde; da ex-prefeita Simone Andrade, em Riachão do Dantas; de Sizi da Saúde, em Japaratuba; e, em Carmópolis, da ex-prefeita Esmeralda Cruz, do ex-vice-prefeito Hyago França, dos vereadores Luizinho Guimarães, Genildo Couto e Messias do Fogão, além dos ex-vereadores Gladson Garcia e Alexandre Magalhães. Em Pinhão, estamos ao lado dos ex-prefeitos Eduardo Marques, Valdinho e Ana Rosa. E, em Cumbe, contamos com o apoio do ex-prefeito Louro de Vieira.
Tudo isso demonstra que a boa política se faz com diálogo, respeito e capacidade de construir pontes. Foi assim que construí minha trajetória e é assim que quero representar Sergipe no Senado.
JD – Depois de quatro mandatos como prefeito de Aracaju, qual a avaliação que o senhor faz da administração Emília Corrêa? E do governo Mitidieri?
Edvaldo – Olha, eu faço uma distinção muito clara entre as duas gestões.
Sobre Aracaju, eu vejo com muita preocupação o que está acontecendo. Depois de quatro mandatos como prefeito, conheço profundamente a administração pública e sei que os problemas da cidade não se resolvem apenas com boas intenções. É preciso capacidade de gestão, planejamento e responsabilidade fiscal. O decreto de contingenciamento deixa claro que a Prefeitura enfrenta uma grave dificuldade financeira. Em 2025, enquanto a receita corrente do município cresceu cerca de R$ 104 milhões, as despesas aumentaram aproximadamente R$ 360 milhões. Esse desequilíbrio levou ao rebaixamento da nota da Capacidade de Pagamento (Capag) de Aracaju pela Secretaria do Tesouro Nacional e demonstra que a gestão gastou mais do que arrecadou para manter o funcionamento da máquina pública.
Grande parte desse aumento de despesas foi transferida para 2026 na forma de restos a pagar. Dos quase R$ 360 milhões de crescimento dos gastos, cerca de R$ 270 milhões ficaram para o exercício seguinte, sendo mais de R$ 131 milhões referentes a despesas já processadas, prontas para pagamento, e aproximadamente R$ 142 milhões de despesas sem cobertura financeira. Isso explica a necessidade do contingenciamento. Pela primeira vez nas últimas gestões de Aracaju, a crise fiscal não decorre de uma herança recebida, mas foi construída pela própria administração, que agora precisa conter gastos para conseguir pagar compromissos que ela mesma assumiu.
Esse cenário fica ainda mais evidente quando se compara com a transição de governo. Ao final de 2024, deixei cerca de R$ 93 milhões em restos a pagar, todos com recursos disponíveis em caixa, conforme determina a Lei de Responsabilidade Fiscal e como comprova o próprio balanço oficial da Prefeitura. Restos a pagar existem em qualquer administração por causa do calendário de execução das despesas, mas eles precisam estar cobertos financeiramente.
Hoje, infelizmente, a realidade é outra. Aracaju enfrenta atrasos de pagamentos, queda na capacidade fiscal e dificuldades na prestação de serviços essenciais. Isso acende um sinal de alerta para o futuro das contas públicas e mostra que o problema não é falta de recursos, mas de gestão, planejamento e definição de prioridades.
Na minha avaliação, a prefeita ainda não conseguiu administrar a Prefeitura da forma que Aracaju precisa, e o decreto de contingenciamento é mais um indicativo de que é preciso corrigir a rota antes que os impactos sobre as finanças públicas e os serviços prestados à população sejam ainda maiores.
Já em relação ao governador Fábio Mitidieri, faço uma avaliação positiva. Fábio tem demonstrado capacidade de liderança, diálogo e compromisso com o desenvolvimento de Sergipe. Vejo um governo que planeja, estabelece prioridades e entrega resultados.
Na segurança pública, Sergipe consolidou-se como o estado mais seguro do Nordeste, resultado de investimentos em tecnologia, inteligência, valorização das forças policiais e integração entre as instituições. Na economia, o estado vem registrando avanços na geração de empregos, atraindo investimentos privados e criando um ambiente mais favorável ao desenvolvimento econômico. Ao mesmo tempo, o governo tem executado um conjunto de obras estruturantes que vão transformar Sergipe nas próximas décadas, como o Complexo Viário Senadora Maria do Carmo Alves, a nova ponte entre Aracaju e Barra dos Coqueiros, a Adutora do Leite, que vai ampliar a segurança hídrica do Alto Sertão, e o Hospital do Câncer Governador Marcelo Déda, um equipamento histórico para a saúde dos sergipanos.
Por isso, enquanto vejo um governo estadual que tem planejamento, capacidade de diálogo e resultados concretos nas áreas de segurança, infraestrutura, saúde, desenvolvimento econômico e políticas sociais, infelizmente não posso fazer a mesma avaliação da administração de Aracaju, onde os problemas de gestão têm se acumulado e comprometido a prestação de serviços à população.
JD – Qual a razão de o senhor querer ser senador?
Edvaldo – Eu quero ser senador porque acredito que posso dar uma grande contribuição a Sergipe e ao Brasil, na luta pela criação de mais empregos, na ampliação da oferta de mais médicos especialistas, além da experiência que carrego, que fará uma grande diferença. O Senado tem hoje um papel cada vez mais importante e, além da responsabilidade de legislar e fiscalizar, os senadores contam com um volume expressivo de recursos para investir nos estados e municípios. Só que, para aplicar bem esses recursos, é preciso ter experiência.
É justamente essa experiência que eu tenho. Estou preparado para exercer essa função porque conheço a administração pública por dentro e sei como transformar recursos em resultados concretos para a população.
Hoje, muita gente pulveriza emendas, coloca um pouco de recurso aqui, outro ali, e, no fim das contas, o dinheiro é gasto sem provocar uma mudança real na vida das pessoas. E eu sei identificar as prioridades e direcionar os investimentos para onde eles realmente fazem a diferença.
Além disso, conheço profundamente a realidade dos municípios. Tive a honra de presidir a Frente Nacional de Prefeitas e Prefeitos e aprendi, na prática, onde estão as maiores dificuldades das cidades brasileiras. Sei onde o recurso público faz mais falta e como aplicá-lo para melhorar a saúde, a educação, a infraestrutura e a qualidade de vida das pessoas. Meu compromisso sempre foi melhorar a vida das pessoas, e é isso que quero continuar fazendo no Senado. Quero ser um senador que orgulhe o povo sergipano.


