Candidato a senador nas eleições de outubro, o vereador Iran Barbosa (PSOL), acredita que com duas vagas em disputa, as chances de nomes que não nascem de acordos de cúpula crescem muito. Para ele, na conjuntura em que vivemos, “as prioridades de um mandato exercido por um parlamentar com o histórico que trago, terá que passar, necessariamente, pela firme defesa da soberania nacional e da democracia, enfrentando o projeto entreguista, golpista e autoritário que disputa a política brasileira”.
A íntegra da entrevista é a seguinte:
Jornal do Dia – O senhor é candidato a Senador por uma legenda pequena. O senhor acha que é possível alcançar a legenda necessária para a sua eleição?
Iran Barbosa– Na realidade, a candidatura ao Senado é uma candidatura majoritária, por tanto ela não depende de legenda. Ela depende da quantidade de votos que o povo destina a quem se candidata. A legenda serve para elegermos bancadas na Câmara Federal ou na Assembléia Legislativa. Desta vez, o meu partido está apresentando o meu nome para uma pré-candidatura majoritária e ela não depende de legenda. Além disso, é preciso lembrar que, nesta eleição, haverá duas vagas em disputa para o Senado. Isso amplia significativamente a potencialidade de nomes que não nascem de acordos de cúpula, mas da identidade real com as lutas da maioria do povo sergipano. É justamente essa identidade que multiplica a força da minha pré-candidatura. O PSOL é um partido em crescimento em todo o Brasil. Em Sergipe não tem sido diferente. Temos uma bancada destacada, atuante e combativa no Congresso Nacional; temos uma representação forte na Assembleia Legislativa de Sergipe; temos dois parlamentares na Câmara Municipal de Aracaju que mantêm a tarefa de fazer a boa disputa em defesa do povo da capital; e temos ampliado, de forma consistente, a nossa presença no interior de Sergipe, inclusive com mandatos parlamentares em algumas cidades. Mas, o mais importante é que o PSOL tem uma presença ativa, qualificada e decisiva em todas as lutas populares que temos travado em nossas terras e, tenha certeza, é essa pujança que nos permite ousar enfrentar o cenário eleitoral que se avizinha.
JD – O senhor já exerceu mandato em Brasília, na Câmara Federal, onde teve uma atuação destacada e progressista. Caso seja eleito Senador, quais serão as prioridades desse mandato?
IB- Na conjuntura em que vivemos, as prioridades de um mandato exercido por um parlamentar com o histórico que trago, terá que passar, necessariamente, pela firme defesa da soberania nacional e da democracia, enfrentando o projeto entreguista, golpista e autoritário que disputa a política brasileira; terá que defender as conquistas sociais e o avanço dos direitos obtidos através das lutas populares, derrubando a escala 6X1, enfrentando o racismo, a homotransfobia e a misoginia; terá como prioridade enfrentar o desmonte do Estado, posicionando-se contra a privatização dos setores estratégicos da economia e garantindo aportes financeiros para a melhoria da qualidade das políticas públicas de saúde, segurança, educação, assistência social, cultura e voltadas para a melhoria da qualidade de vida das pessoas mais vulneráveis, especialmente a população jovem periférica, as crianças e adolescentes, os idosos, as pessoas em situação de rua, as pessoas com deficiência e os povos e comunidades tradicionais; terá que assumir protagonismo na disputa pela priorização de políticas comprometidas com os desafios ambientais, na busca da mitigação e superação dos problemas oriundos das mudanças climáticas provocadas pela gana desenfreada do modelo capitalista de produção; além de continuar estimulando as lutas em defesa da construção de uma sociedade onde a riqueza produzida coletivamente sirva a todas as pessoas, enfrentando a acumulação exagerada do lucro e lutando por um mundo de iguais.
JD – Sergipe – e o Brasil – vem registrando um alto índice de casos de feminicídio. O que a sociedade pode fazer para reduzir esses números?
IB– Primeiramente é preciso dizer que é necessário ampliarmos os investimentos em Educação e Cultura, como forma de rompermos com esse modelo machista, patriarcal e misógino que fundamenta a estrutura sobre a qual se ergue a nossa sociedade. Mas, é preciso muito mais do que isso. Precisamos enfrentar e derrotar a onda fascista que tem tomado fôlego no mundo e no Brasil, porque ela alimenta a morte das mulheres quando retoma modelos sociais que superamos, defendendo o fim do voto feminino, o retorno da mulher exclusivamente à vida doméstica, a negação da luta pelos direitos sexuais e reprodutivos das mulheres, a justificação da desigualdade salarial, intelectual e humana das mulheres, entre tantas outras coisas absurdas que voltaram a fazer parte dos discursos de tantos grupos políticos, religiosos e de fanáticos de toda ordem. Isso leva, em última forma, à justificação, também, do extermínio, do assassinato, do apagamento e do silenciamento das mulheres, da interrupção violenta de suas vidas e de suas trajetórias. Além disso, precisamos de um arcabouço legal que permita denunciar, julgar e punir exemplarmente os assassinos. E isso começa com a garantia da aprovação de leis como a que criminaliza a Misoginia, que tem tido a discordância de setores conservadores da política e da sociedade que querem continuar reservando para si o direito de atacar as mulheres. Se isso não for enfrentado, o feminicídio continuará crescendo. E ele crescerá também se o Estado continuar frágil na coleta e sistematização de dados referentes a essa realidade, se não disponibilizar recursos orçamentários para fazer o enfrentamento adequado a essa chaga. Por essa razão, antes do recesso na Câmara de Vereadores, propus à Administração Municipal de Aracaju que, inspirando-se no modelo nacional, crie um Banco Municipal de Boas Práticas na Prevenção e no Combate à Violência. Pela minha sugestão, buscando ampliar o exemplo nacional, propus que os dados abordem não apenas a violência contra as mulheres, mas também contra idosos, crianças e adolescentes, além da população em situação de rua. A violência é o produto das doenças sociais que vivemos, neste modelo de mundo desumano.
JD – Como o senhor analisa essa polarização na disputa para o governo de Sergipe, entre Fábio Mitidieri (PSD) e Valmir de Francisquinho (Republicano)? Qual será a posição do Psol?
IB– É preciso entender em que medida essas duas candidaturas representam polarização. Acho que você se refere à polarização eleitoral. O PSOL quer polarizar a política, as propostas, os compromissos, os projetos e planos de governo. O PSOL quer apresentar alternativa a essa disputa que se restringe à polarização de grupos políticos. Essas pré-candidaturas não representam o PSOL! Por isso apresentamos a pré-candidatura do Dr. Helton Monteiro, como forma de trazer para o debate a contribuição de uma nova forma de entender as possibilidades de gestão do Estado sergipano. Uma proposta de gestão que não se resuma a entregar o Estado ao setor privado, que estanque a destinação de recursos para empresas que passaram a dominar a estrutura administrativa, uma alternativa que aposte na escuta e na formulação democrática do funcionamento da máquina estatal, preservando nossos recursos naturais, celebrando e protegendo os povos e as comunidades tradicionais, investindo em setores estratégicos para o desenvolvimento sergipano, garantindo centralidade nos interesses das pessoas que vivem e financiam o funcionamento da gestão da nossa terra.
JD – Como vereador, o senhor é um crítico da gestão da prefeita Emília Corrêa (Republicanos). Quais são os principais problemas da gestão?
IB– O principal problema está na manutenção das bolhas e dos sistemões que ela tanto criticou e prometeu interromper. Isso tem levado, inclusive, ao surgimento de denúncias de escândalos administrativos que precisam ser responsavelmente apurados e, se comprovados, exemplarmente punidos. A atual gestão, passado um ano e meio de governo, não conseguiu romper com o modelo de inchaço da máquina, apadrinhamento, privatização, precarização na oferta real dos serviços públicos, ainda que a propaganda oficial tente mostrar o contrário disso. Aliás, nisso também vejo a mesmice: muita propaganda para pouca “entrega”, para usar uma palavra muito repetida nessa gestão.
JD – Qual será a posição do senhor na disputa pela presidência da República?
IB– Estou com Lula! Desde a minha juventude eu tenho me colocado ao lado da luta pela construção de um projeto de sociedade comprometido com os seres humanos, com a garantia de direitos e com as liberdades democráticas. Tenho me colocado ao lado das lutas travadas pela nossa soberania, pelo avanço dos direitos sociais e trabalhistas e tenho me colocado ao lado dos que sonham com um mundo de iguais. Por isso, eu, como cidadão crítico consciente e livre, sempre votei em candidaturas à presidência da República que caminham nessa trilha. O PSOL, nacionalmente e aqui em Sergipe, já definiu apoio à reeleição de Lula como forma de derrotarmos o projeto antipopular que disputará as eleições e como forma de nos habilitarmos a continuar cobrando do governo federal o respeito que o nosso povo merece!


