O senador Rogério Carvalho (PT) está confiante na reeleição nas eleições de outubro e apresenta um motivo que considera fundamental: os mais de R$ 2 bilhões em emendas e recursos federais que chegaram aos moradores de todos os 75 municípios.
O senador também defende a aliança do PT com o governador Fábio Mitidieri (PSD0. “Favorece, sobretudo, Sergipe. A política precisa ser feita em torno de projetos, não apenas de posições pessoais. Eu disputei a eleição de 2022 contra o governador Fábio Mitidieri, fiz oposição quando entendi que era necessário, mas também sempre defendi que os interesses do Estado estivessem acima de qualquer divergência”, destacou.
A íntegra da entrevista é a seguinte:
Jornal do Dia – Senador, as eleições para o Senado em Sergipe estão muito disputadas. O senhor está confiante na reeleição?
Rogério Carvalho – Estou muito confiante e com os pés no chão. Eleição se ganha com trabalho, diálogo e respeito ao eleitor. Acredito que os sergipanos irão reconhecer a qualidade do meu mandato nesses oito anos de Senado. É um mandato testado e aprovado. Trouxemos resultados concretos para Sergipe, como os mais de R$ 2 bilhões em emendas e recursos federais que chegaram aos moradores de todos os 75 municípios. Esses recursos possibilitaram que as Prefeituras realizassem grande obras: estradas, pavimentação de ruas e bairros, pontes, adquirissem equipamentos, construíssem mercados, CRAS, levassem água para comunidades, melhorasse os serviços de saúde, educação, inclusão- enfim, foram recursos que melhoraram a vida dos sergipanos. Nosso trabalho possibilitou trazer a Petrobras de volta e a retomada da FAFEN, que vai ser duplicada. Sem falar nos 72,5 bilhões de reais que serão investidos aqui nos próximos anos, resultado direto do trabalho que realizamos junto ao presidente Lula. Além disso, estivemos do lado certo da história nos grandes debates nacionais: além da luta contra a tragédia nacional que foi o governo Bolsonaro, conseguimos aprovar no Senado pautas importantes para os brasileiros, como o fim da escala 6×1, da qual fui relator. E agora vamos aprovar a PEC da Segurança Pública, da qual sou o relator no Senado. Acredito que a população saberá reconhecer quem esteve ao lado de Sergipe, de Lula e das pautas que melhoram a vida das pessoas.
Jornal do Dia – O senhor acha que a coligação com o governador Fábio Mitidieri (PSD) favorece o PT?
Rogério Carvalho – Favorece, sobretudo, Sergipe. A política precisa ser feita em torno de projetos, não apenas de posições pessoais. Eu disputei a eleição de 2022 contra o governador Fábio Mitidieri, fiz oposição quando entendi que era necessário, mas também sempre defendi que os interesses do Estado estivessem acima de qualquer divergência. Estivemos juntos na luta pela volta da Petrobras, na retomada da FAFEN. Busquei recursos para viabilizar a construção da nova ponte ligando Aracaju à Barra dos Coqueiros. A aproximação se deu em torno de pautas concretas, como investimentos estruturantes, a nova ponte entre Aracaju e a Barra dos Coqueiros, a exploração do petróleo e do gás sergipano em águas profundas pela Petrobras – que vai investir quase R$ 73 bilhões em nosso estado nos próximos dez anos e dar início a um ciclo de desenvolvimento sem precedentes em nossa história -, obras de infraestrutura e, do ponto de vista político, o fortalecimento do palanque do presidente Lula em Sergipe. Quando há compromisso com desenvolvimento, geração de emprego e melhoria dos serviços públicos, quem ganha é a população.
Jornal do Dia – O presidente do Senado despachou o projeto com o fim da escala 6×1 para a CCJ. Qual a expectativa do senhor em relação do projeto?
Rogério Carvalho – É uma pauta muito importante para os trabalhadores brasileiros. Como relator da proposta na Comissão de Constituição e Justiça do Senado, eu me empenhei muito para que ela fosse aprovada. O fim da escala 6×1 dialoga com uma realidade dura de milhões de pessoas que vivem para trabalhar e quase não têm tempo para a família, para estudar, descansar ou cuidar da própria saúde. É uma luta histórica dos trabalhadores, desde a Constituinte de 1988. A proposta que reduz a jornada semanal sem redução salarial é um passo civilizatório.
Jornal do Dia – O senhor será relator da PEC da Segurança. O senhor vai propor mudanças?
Rogério Carvalho – Vou conduzir a relatoria com equilíbrio e responsabilidade, primando sobretudo pela celeridade do processo para que possamos aprová-la. A Segurança Pública é hoje uma das maiores preocupações dos brasileiros e exige uma resposta rápida e eficiente da sociedade. A situação se deteriorou muito nos últimos anos, com o crescimento das facções criminosas e das milícias. Não podemos mais esperar. A PEC busca reorganizar o sistema, fortalecer a cooperação entre União, estados e municípios, melhorar o financiamento e ampliar a capacidade de enfrentamento ao crime organizado. Entre os principais pontos do relatório estão o endurecimento do tratamento penal para integrantes de facções, milícias e grupos paramilitares; a possibilidade de confisco de bens vinculados ao crime organizado; o reforço da integração entre as forças de segurança; e a proteção constitucional dos recursos destinados ao Fundo Nacional de Segurança Pública e ao Fundo Penitenciário Nacional. O texto também avança em temas muito sensíveis para a sociedade, como a ampliação da proteção às mulheres, crianças e adolescentes vítimas de crimes violentos, além da garantia de direitos às vítimas no processo penal. Outro ponto importante é a autorização para que os municípios possam criar suas próprias forças de policiamento ostensivo e comunitário, respeitando o pacto federativo e fortalecendo a atuação local na prevenção da violência e na proteção dos cidadãos. É evidente que o texto será debatido e aperfeiçoado no Senado. Meu compromisso é construir uma proposta que respeite o pacto federativo, valorize os profissionais da segurança e dê ao Estado brasileiro instrumentos reais para proteger a população.
Jornal do Dia – Qual a expectativa do senhor em relação à reeleição do presidente Lula? Acha que pode vencer no primeiro turno?
Rogério Carvalho – É muito positiva. Depois da tragédia que foi o governo Bolsonaro, o presidente Lula voltou a colocar o Brasil no caminho do crescimento, da retomada dos programas sociais, do diálogo internacional e dos investimentos. Em Sergipe, a presença do Governo Federal tem sido decisiva para destravar obras e garantir recursos. Se vencerá no primeiro turno, quem vai dizer é o povo brasileiro, mas eu acredito que Lula chegará muito forte à eleição, porque representa estabilidade, experiência e compromisso com os mais pobres. O nosso papel é trabalhar para ampliar essa base, defender o legado do governo e mostrar que o país não pode retroceder.
Jornal do Dia – Qual a importância de o governo vir a ter maioria no Senado?
Rogério Carvalho – É fundamental. Muitos projetos importantes para o Brasil dependem do Senado: segurança pública, direitos trabalhistas, Novo PAC, desenvolvimento regional, transição energética, saúde, educação e equilíbrio fiscal com justiça social. Quando o governo não tem maioria, pautas essenciais podem ficar paralisadas ou serem desfiguradas, e ele fica refém do fisiologismo de grande parte do Congresso. Ter uma maioria comprometida com o projeto aprovado nas urnas significa dar estabilidade ao país e garantir que as políticas públicas cheguem mais rápido à vida das pessoas. O Senado precisa ser uma Casa de equilíbrio, mas também de compromisso com o desenvolvimento nacional.
Jornal do Dia – Quais foram as principais ações do seu mandato?
Rogério Carvalho – O mandato teve como prioridade defender os interesses de Sergipe, ser um agente de desenvolvimento do estado com foco na melhoria de vidas das pessoas, e participar dos grandes debates do Brasil. Tudo isso ouvindo as pessoas, conversando, conhecendo as necessidades reais dos sergipanos. Foi assim que eu consegui destinar mais de dois bilhões de reais em emendas e recursos federais para todos os 75 municípios de Sergipe, em todas as áreas: saúde, infraestrutura, educação e desenvolvimento regional; atuei em pautas nacionais relevantes. Durante a pandemia nosso mandato foi decisivo pra possibilitar a compra de vacinas e salvar vidas. Conseguimos trazer a Petrobras de volta, retomar a FAFEN que já vai ser duplicada nos próximos anos. Além disso, apoiamos projetos estruturantes para modernizar o Estado, e participei de discussões importantes no Senado, como a segurança pública e a melhoria das condições de trabalho. Sem querer ser cabotino, eu fui eleito um dos Cabeças do Congresso desde que cheguei ao Senado, algo que me orgulha muito e reforça em mim a sensação de dever cumprido. Além disso, nossa voz sempre defendeu a soberania nacional e se opôs a qualquer tipo de ingerência estrangeira em nosso país. Como diz Lula, o Brasil é dos brasileiros. E, se depender do meu mandato, continuará sendo. Também mantive diálogo permanente com prefeitos, lideranças e movimentos sociais. Um mandato no Senado precisa olhar para os municípios, para o Estado e para o país ao mesmo tempo, e foi isso que procurei fazer.


