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Esmola grande


Publicado em 24 de novembro de 2021
Por Jornal Do Dia


Mesmo com a caneta na mão, a competência de distribuir verbas junto aos parlamentares, não será fácil aprovar a PEC dos Precatórios a toque de caixa, como o presidente Jair Bolsonaro pretendia. Ontem, após o relator da proposta apresentar parecer à Comissão de Constituição e Justiça do Senado, parlamentares de todas as tendências advertiram sobre a necessidade de debater o texto mais a fundo.

Não faltam boas razões para desconfiar das intenções por trás da controversa PEC dos Precatórios. Nem mesmo o pretexto de estender uma rede de proteção social, a fim de socorrer os brasileiros mais pobres, para de pé. Bolsonaro, convém lembrar, é aquele para quem a concessão de um auxílio financeiro no auge da pandemia quebraria o Brasil. O que mudou em período tão curto, capaz de justificar a inesperada sensibilidade social do presidente, além da proximidade do pleito eleitoral? Eis a pergunta que todos se fazem.

A referida PEC, aprovada de qualquer jeito na Câmara dos Deputados, tem ainda um longo percurso a vencer. Se, aos trancos e barrancos, chegar a ser aprovada em definitivo, terá jogado uma pá de cal sobre o rigor fiscal uma vez defendido pelo ministro Paulo Guedes, além de acentuar o fosso cavado entre os interesses do governo de turno e os engravatados do mercado. Sem amarras, a situação das contas a cargo da União tende a fugir do controle.

Segundo um dito popular, quando a esmola é grande, o santo desconfia. Nos cálculos do Ministério da Economia, a alta da inflação no segundo semestre deste ano aumentou em R$ 14,5 bilhões os recursos a serem liberados já em 2022, em pleno eleitoral, pela PEC dos Precatórios. O espaço fiscal criado passou de R$ 91,6 bilhões para R$ 106,1 bilhões. Quantia tão vultosa pode virar a cabeça de qualquer um. Todo cuidado é pouco, portanto.

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