Estava escrito

Rogério Carvalho

Por Rian Santos
riansantos@jornaldodiase.com.br

A intuição da fatalidade permeia a minha vida inteira. Quando sucede um encontro, uma tragédia doméstica, uma alegria extraordinária, a voz resignada de minha mãe ecoa no oco do meu peito: Estava escrito.
Vivo, assim, pronto para o que der e vier. Estou ciente, desde muito cedo, não há consolo possível nas teias do destino. O homem faz planos, reivindica propósitos, trabalha, jura, engana, mente. Sem a bênção das estrelas, a pretensão mais alta, a batalha mais justa, dá com os burros n’água.
O senador Rogério Carvalho (PT) viu a chance de se eleger governador escapar pelas mãos. O sonho jamais pareceu tão nítido. Aqui e agora, sob as asas de Lula, até uma galinha é capaz de alçar vôo. Mas não estava escrito. Bastou um voto em favor de Bolsonaro para botar tudo a perder.
Ao senador, falta a sabedoria das bruxas. De nada adianta justificar o voto imoral em favor do orçamento secreto com protestos republicanos, lembrar a relativa autonomia do poder legislativo. O projeto em questão afronta o princípio da transparência, cheira a negociata, manobra, casuísmo, jeitinho. Pegou mal.
Fosse filho de Dona Eliene, uma inteligência coroada pelos cabelos mais brancos já admirados em cabeça de gente, Rogério Carvalho aceitaria a derrota com mais elegância. O seu está guardado, meu filho, ela diria, sem um pingo de assombro. Fique mais esperto, a próxima vez.

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