Alunos da Escola Estadu-al Ministro Geraldo Barreto Sobral participaram na tarde de ontem de um ato público contra a Secretaria de Estado da Educação (Seed). Reunidos na entrada principal do CAIC, no Bairro Industrial, em Aracaju, cerca de 200 alunos lamentavam a falta de investimentos na unidade que conta atualmente com mais de 600 colegiais matriculados no ano letivo. Conforme dossiê apresentado pelo grêmio estudantil, além da falta de professores regulares, infiltrações nas salas e banheiros, ausência de material didático, e equipamentos de higienização, a onda de violência vem contribuindo para a evasão cada vez mais constante de estudantes.
Em solidariedade ao movimento dos alunos, a União Sergipana dos Estudantes Secundaristas (Uses) também esteve presente no ato e lamentou a omissão por parte da Seed em atender o pleito dos jovens. Segundo o dirigente da Uses, David Alves, alguns ofícios já foram encaminhados para o secretário Jorge Carvalho do Nascimento, mas até a tarde de ontem nenhuma resposta positiva foi repassada para os estudantes, que agora são quem promovem paralisações e interrompem em tempo integral as atividades nas escolas públicas.
Os professores estaduais que atuam no CAIC também participaram da mobilização e aproveitaram para ressaltar as reivindicações já expostas pelo Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Estado de Sergipe (Sintese). "Estamos unidos para brigar por melhores condições para a educação pública. A situação das nossas escolas não tem apresentado condições adequadas e não proporcionam aos estudantes uma satisfação em ir para a escola em buscar do conhecimento. Ao contrário do que o governo espera, o que tem acontecido aqui no CAIC é a desocupação das salas de aula. Precisamos de reforma geral e urgente", afirmou o líder estudantil.
A secretária da Uses, Mirlaine Souza, destacou a necessidade de intervenção do Ministério Público Estadual, através da promotoria de direito à saúde. Essa participação judicial pode contribuir para evitar riscos de colapsos. "As paredes estão frágeis por causa das infiltrações e nós tínhamos mesmo que participar desse ato público para chamar a atenção dos gestores públicos e membros do MPE", avaliou a manifestante.
Quanto ao índice de assaltos praticados por meliantes armados nas intermediações da unidade escolar, Mirlaine garantiu que a ausência de ronda ostensiva por parte da Polícia Militar tem colaborado para elevar as ocorrências.
Diálogo – A Assessoria de Comunicação da Seed garantiu que o órgão estadual está totalmente disposto a receber uma comissão formada por alunos e professores a fim de debater os pleitos apresentados na tarde de ontem. Ao longo dos últimos seis anos mais de 200 escolas já foram revitalizadas pelo Governo de Sergipe. Só esse ano, 20 unidades educacionais foram entregues para abrigar metodologicamente milhares de crianças e adolescentes. Agora, os gestores da Seed aguardam a presença do grupo para agendar uma data e horário para promover a reunião.
"Nós estamos recebendo todas as semanas representantes de grêmios estudantis para justamente dialogar sobre os avanços que juntos, governo, professores e estudantes, podemos alcançar. É claro que, devido aos compromissos diários, não temos condições de atender a todos de segunda a sexta, mas garantimos que estamos aguardando o melhor dia dos representantes do Grêmio para que possamos agendar esse diálogo", afirmou o jornalista Elton Coelho. Sobre a estrutura física, a Ascom informou que a secretaria possui uma equipe especializada em engenharia que em curto prazo de dias deve se deslocar até a escola a fim de analisar a atual situação das paredes, teto, solo e telhado.
Já sobre a segurança, a Seed garantiu também que todas as unidades educacionais administradas pelo Estado estão sendo analisadas por uma comissão de segurança. A meta é dispor de efetivo especializado em vigilância nas escolas que possuem um dos maiores índices de ocorrências de cunhos violentos. Todas as reivindicações apresentadas na paralisação devem ser debatidas no encontro extraordinário.


